PROJETO MARIA ALBERTINA I (Como Tudo Aconteceu)
Contexto:
A Maria Albertina foi um espantalho criado pelo “avô da avó Mi”.
Esteve durante o ano letivo passado a tomar conta da nossa horta e espantou
todos os pássaros que se aproximavam para roubar as sementes dos nossos
girassóis.
No início do novo ano letivo, com a chegada do Outono, a nossa
horta foi preparada pelo avô Armando para acolher novas sementeiras (o avô Armando
é o avô do Francisco) e a Maria Albertina foi novamente requisitada para as suas
funções.
O problema é que a nossa amiga estava “velha” e “estragada”, “sem
olhos”, “sem roupa” e “sem sapatos” o que causou um grande desalento.
Em conversa o grupo decidiu que abandonar a Maria Albertina,
deitando-a fora, não era a melhor solução; ninguém o queria fazer. Era sim
necessário, e esta era a opinião geral “fazê-la nova”.
Estava assim dado o mote para um trabalho de projeto que nos iria
permitir realizar múltiplas atividades e aprendizagens - corpo humano e
vestuário numa primeira fase – constituindo-se ao mesmo tempo como uma
excelente oportunidade de colaboração com a família.
A Maria Albertina deixava de ser um simples espantalho da horta
para se transformar num elo de ligação entre todos, um objeto de aprendizagem e
alegria para todo o grupo.
Objetivos:
- Realizar aprendizagens na área da formação pessoal e social;
- Promover o conhecimento do mundo e a área da expressão e
comunicação;
- Envolver a família
no quotidiano da escola;
- Promover a
reutilização dos materiais;
- Promover a partilha,
a proximidade e o afeto;
- Promover as
aprendizagens cooperativas e o trabalho de grupo;
- Promover a
transversalidade das aprendizagens.
Ações:
Recuperação da Maria Albertina pelas crianças e família. O
espantalho circulou pelas casas das crianças e todos os pais contribuíram para
a sua recuperação. Uns fizeram-lhe o corpo “ ela está torta”, outros colocaram-lhe
os olhos “ ela está cega”, outros o cabelo “ela está careca”, os outros vestiram-lhe
as calças “ela está suja”, alguém lhe calçou os sapatos “ ela está descalça” e
outros ainda puderam vestir-lhe uma camisola “ela está rota”. Pretendeu-se que
todos os materiais utilizados fossem “usados”, promovendo a sua reutilização.
Dinâmica:
A Maria Albertina esteve em casa de cada criança durante 3 dias. A
ordem a seguida foi a usada no Jardim de Infância, a que as crianças melhor conhecem:
da criança mais velha para a mais nova. Para que não existissem dúvidas foi
enviada uma calendarização a todos os pais. As dúvidas posteriores puderam ser
esclarecidas por email. Os pais poderiam também fazer o registo fotográfico da
sua intervenção na Maria Albertina.
Avaliação do projeto:
A avaliação do projeto teve sempre dois interlocutores fundamentais:
pais/encarregados de educação e as crianças. Foi com base nas suas propostas e
sugestões que o projeto foi evoluindo, adquirindo novas perspetivas e uma
dimensão que inicialmente não estava prevista. Periodicidade: reuniões
trimestrais com os pais/ encarregados de educação e semanal com o grupo através
de registos (desenho, fotografia) e diálogos.
PROJETO MARIA ALBERTINA II (Da Imprevisibilidade
de um Projeto)
Quando iniciámos este projeto estávamos longe de imaginar até onde
nos levaria, os múltiplos caminhos a que nos conduziu. Isto
porque depois da reconstrução da Maria Albertina e da sua vinda para a sala
surgiu a ideia de lhe arranjar um amigo; consultaram-se os pais que consideraram
a ideia bastante interessante, propondo a construção de um novo boneco. Este
boneco deveria ser na sua opinião de cor. Ficou então decidido que seria um africano
(Manuel Luís) e a execução da sua responsabilidade, feita nos mesmos moldas que
a recuperação da Maria Albertina.
Simultaneamente
um dos pais criou uma página no Facebook para acompanhar o projeto,
encarregando-se da publicação das fotos que registariam o avanço dos trabalhos.
O
seu entusiasmo e o das crianças foi crescendo e deste labor criativo surgiu logo
a seguir um asiático (Ping Pong), depois um esquimó (Monoki) e um mexicano
(Pablo Miguelito). A última a “nascer” foi a Maria Rita, uma bebé africana.
O
que começou por ser apenas um trabalho de recuperação de um espantalho – o
guarda dos nossos girassóis - acabou por transformar-se num projeto de grande
dimensão, permitindo a exploração de inúmeras vertentes e a realização de
aprendizagens ao nível das diversas áreas de conteúdo, contempladas nas Orientações Curriculares para a Educação
Pré-Escolar.
De
uma primeira fase onde foi trabalhado o corpo humano e
vestuário depressa se evoluiu para um conceito de educação para a multiculturalidade,
propiciando conhecimentos sobre os diversos povos e fomentando a tolerância
para com as suas diferenças.
Objetivos:
- Promover a transversalidade nas aprendizagens;
-
Promover a diversidade de culturas e estilos de vida e desfazer estereótipos;
-
Conhecer as diferentes culturas;
-
Promover a diversidade cultural, linguística e racial;
-
Promover o envolvimento dos pais enquanto parceiros educativos;
-
Estabelecer relações de confiança e afetividade com a família;
-
Desenvolver trabalho no âmbito do Projeto Educativo do Agrupamento;
-
Promover a utilização de ferramentas da web 2.0;
-
Realizar pesquisas de informação em diversos suportes.
Ações/atividades
-
Construção dos bonecos na casa das crianças;
-
Pesquisas no fundo documental da sala, da Biblioteca Escolar e na web;
-
Utilização de mapas e globos terrestres;
-
Conceção de pequenos adereços identificativos dos diversos povos;
-
Conceção de máscaras;
-
Elaboração de músicas alusivas à temática;
-
Atividades de expressão plástica (pintura, recorte, colagem e desenho em
diversos suportes);
-
Exploração da língua e da escrita de alguns dos povos envolvidos no projeto;
-
Elaboração de vestuário/acessórios.
Bibliografia:
ANDRADE, Júlio Vaz de - Os valores na formação pessoal e
social. Lisboa: Texto Editora, 1992
FIGUEIREDO, Ilda - Educar para a cidadania. Porto: Asa, 1999
FONTAINE, Anne Marie - Parceria Família-Escola e
Desenvolvimento da Criança. Porto: Asa, 2000
ME/DEB - Orientações Curriculares
para a educação pré- escolar,
Lisboa: M.E./DEB- NEPE. (1997)
MARIA
ALBERTINA
A
Maria Albertina começou por ser um espantalho da horta. Mas os rigores do seu
ofício deixaram-na maltratada e a precisar de reconstrução. Foi assim - para
adquirir nova roupagem e rosto - que se iniciou a sua viagem pela casa de todas
as crianças. Depois de reconstruída chegou à sala com um novo visual; estava
muito mais bonita e o grupo achou que ela não voltaria para a horta. Iria
permanecer na sala, companheira de brincadeiras e aventuras.
MANUEL
LUÍS
A Maria Albertina
precisava de um amigo. A mãe de uma das crianças sugeriu que este fosse de cor;
seria interessante aliar à componente lúdica uma vertente pedagógica assente na
multiculturalidade, enriquecendo e alargando o âmbito do projeto. Foi assim que
apareceu o Manuel Luís, um africano “nascido” nos Lobeiros, mais propriamente
na casa da Núria.
PING
PONG
É
asiática. Tem cabelo comprido, preto, e usa um kimono “que veio mesmo da
China”. Cresceu muito e tem sempre consigo uma lanterna e um livro com imagens
da muralha da China e do exército de terracota. Ensinou-nos que há uma língua
chamada mandarim e que se podem usar pauzinhos como talheres.
“Nasceu” na Moita, na
casa da Maria Inês, mas é uma descendente do povo Inuit (membros da nação
indígena esquimó). Veste roupas quentinhas e calça botas de pele. Dá grandes
passeios no seu trenó, puxado pelo seu cão de raça husky. Com ela aprendemos
que mesmo em sítios gelados há uma grande diversidade animal e que para pescar
é preciso partir o gelo. Também nos ensinou que no Ártico as casas se chamam
iglôs e que são todas feitas de blocos de gelo. Os brinquedos dos meninos do
povo Inuit são feitos de osso e pele de foca.
PABLO
MIGUELITO
É o nosso mexicano de
bigode farfalhudo. Usa poncho e um chapéu que tem umas grandes abas: o sombrero. O Pablo Miguelito gosta muito
de dormir a siesta e um dos seus
pratos favorito é chili com carne. Toca viola num grupo de mariachis.
MARIA
RITA
Faltava um bebé e a Maria Rita
veio concretizar o desejo das crianças. É filha da Maria Albertina e do Manuel
Luís mas foi construída pela Luísa e pela Telma que assim encontraram uma forma
de também elas se envolverem na construção de mais um dos amigos da sala. É
mais pequena, tem a cor do pai, usa um vestido de cores garridas e muitos
colares e pulseiras. Depois da mãe - a Maria Albertina - é a preferida das
crianças.
ANIVERSÁRIO DA MARIA
ALBERTINA + FESTA DA EUROPA
Desde
a altura em que o avô Armando nos ajudou a tratar da horta - depois de umas
férias grandes cheias de sol e praia - já passou quase um ano letivo e o
espantalho deu lugar a uma menina que agora representa o continente europeu, em
conjunto com outros cinco amigos representantes de outras partes do globo. São
eles que agora se juntam na nossa festa, que se sentam à mesa como convidados,
partilhando a alegria do seu aniversário. Ainda que dotados de uma “existência de
trapos” todos têm um papel simbólico fundamental
neste “episódio”, representando o espirito do Dia da
Europa e os princípios do projeto Comenius: o desejo de fomentar a paz entre os
povos, a democracia e a liberdade como ideal da construção europeia, o trabalho
e a aprendizagem enquanto intercâmbio de saberes entre escolas da União Europeia.
Ao alargarmos a proveniência dos amigos da Maria Albertina a
outras partes do mundo queremos reforçar que os desejos anteriores devem ser
extensíveis a outras geografias, que o conhecimento das diversas culturas
fomenta a tolerância entre os povos e que esta compreensão deve ser construída
cedo, pela escola, em conjunto com a família.
Família que desde sempre esteve presente nas diversas fases do
projeto e que também aqui fez o acompanhamento colaborativo necessário,
disponibilizando tempo e recursos, partilhando os seus princípios orientadores.
Para o grupo de crianças foi um momento de muito entusiasmo e alegria,
radiantes por juntarem no aniversário da Maria Albertina, o Manuel Luís, a Ping
Pong, a Monoki, o Pablo Miguelito, a Maria Rita, o pai, a mãe e os avós. E por
todos juntos poderem cantar:
Educadora Luísa Nogueira
Escola Básica de Alvorninha

























