sexta-feira, 27 de maio de 2011

Uma viagem intercontinental








A viagem à Turquia foi uma experiência muito empolgante, a população turca é muito simpática, generosa e bastante acolhedora. Fomos muito bem recebidos pelas nossas famílias de acolhimento. A primeira vez que entrámos nas suas casas, pediram-nos que nos descalçássemos ao que nós acedemos prontamente, mesmo não estando habituados. Ficámos a saber pelos nossos colegas turcos que a sua semana escolar inicia-se ao Domingo e termina à Quinta-Feira, fazendo com que o fim-de-semana corresponda à Sexta-Feira e ao Sábado. Além disso as aulas decorrem da parte da manhã, e por esse motivo, a escola não tem necessidade de ter cantina. Outra grande diferença em relação à escola em Portugal é que os alunos usam uniforme escolar. 

Alunos presentes no 3º encontro do nosso projecto Comenius

Algumas mulheres turcas usam habitualmente o tradicional lenço, embora algumas delas o retirem quando se encontram em casa. Ao contrário do que muitas pessoas pensam é raro ver mulheres totalmente tapadas.
Durante esta semana comemos ao pequeno-almoço azeitonas, pepinos e tomates, pão com mel e doce de pétalas de rosa, omeleta, entre outras iguarias. Durante o dia é habitual as pessoas beberem muito chá e acompanham sempre a carne (frango ou borrego) com muitos legumes. O Samuel e a Rita comeram folhas de videira num jantar.
Achamos as danças tradicionais muito apelativas, aprendemos alguns passos das mesmas e cantarolámos algumas letras de canções mesmo sem saber o significado delas.
Quanto à fruta, os turcos consomem ameixas verdes salgadas e bebem muito sumo de cereja.
Na rua, existem vendedores de castanhas e maçarocas assadas, bem como cremosos gelados que só nos chegam à mão após inúmeros malabarismos feitos pelo vendedor.
Em qualquer das localidades visitadas, Istambul, Samsun e Amasya, existem imensas mesquitas que se caracterizam exteriormente pelos seus imponentes minaretes e interiormente pelas suas decorações relacionadas com o Corão. Para entrar nestes templos foi necessário descalçarmo-nos e as raparigas tiveram que colocar um lenço na cabeça.
Em Istambul, durante a visita ao palácio Topaki vimos muitas jóias com inúmeros diamantes, rubis e esmeraldas. Além disso, no mesmo local estava um dos maiores diamantes do mundo e um berço construído em ouro e pedras preciosas. Deste palácio a vista sobre o Bósforo (estreito que liga o mar Marmara ao mar Negro) é deslumbrante. Não há dúvida que os sultões sabiam escolher bem onde construir palácios.


A amizade foi sendo reforçada ao longo dos dias

Em Amasya visitámos uma Casa Museu que é uma réplica das casas otomanas. Para além disso, subimos uma encosta para visitar alguns túmulos de pessoas que governaram esta zona.
Em relação aos bazares, também existem muitos, mas o mais imponente que vimos foi o Grande Bazar, onde existe todo o tipo de produtos à venda, incluindo jóias, candeeiros, sabonetes, artesanato, roupa.


Momento de dança turca com som a sair da carrinha

No estreito do Bósforo os barcos parecem fazer fila, pois o tráfego é intenso. Atravessámos a pé a ponte Galata que liga a parte europeia à parte asiática da cidade, local onde vimos uma rua com muitos edifícios típicos dos séculos XVIII e XIX, com um número incontável de pessoas, o que não é de estranhar tendo em conta que Istambul tem 12 milhões de habitantes (Portugal tem aproximadamente 10 milhões).
No regresso, fizemos escala em Frankfurt, na Alemanha, onde provámos as famosas salsichas em modo expresso, já que o tempo para apanhar o voo para Lisboa era muito curto.
Finalmente, chegámos a Lisboa, cansados, mas cientes de que esta foi a viagem das nossas vidas. Logo no início da viagem a Rita afirmou: “Nunca me vou esquecer desta viagem, nem que um dia venha a ter Alzheimer”.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Valor da Diversidade


Há uns meses atrás veio parar inesperadamente às minhas mãos um livro, do pedagogo Miguel Santos Guerra,  que me proporcionou momentos especiais de leitura. Esta compilação de crónicas sobre educação levam-nos a reflectir naquilo que fazemos todos os dias, ensinar.
Começo por partilhar convosco uma fábula extraordinária que Santos Guerra usou para ilustrar o valor da diversidade. E passo a citar:
                                                                              

“ Certo dia, os animais do bosque decidiram fazer algo para enfrentar os problemas do mundo novo e organizaram uma escola. Adoptaram um currículo de actividades que consistia em correr, trepar, nadar e voar e, para que fosse mais fácil ensiná-lo, todos os animais se matricularam em todas as disciplinas.
O pato era um aluno destacado na disciplina de natação. De facto, era melhor do que o seu professor. Obteve um suficiente em voo, mas em corrida não passou do insuficiente. Como era de aprendizagem lenta em corrida, teve de ficar na escola depois do fim das aulas e abandonar a natação para poder praticar a corrida.
 Estes exercícios continuaram até que os seus pés membranosos se desgastaram, e então passou a ser apenas um aluno médio em natação. Mas a mediania era aceitável na escola, de modo que ninguém se preocupou com o sucedido, excepto, como é natural, o pato.
A lebre começou o ano lectivo como a aluna mais distinta em corrida mas sofreu um colapso nervoso por excesso de trabalho em natação. O esquilo destacou-se na disciplina de trepar, até que manifestou uma síndrome de frustração nas aulas de voo, em que o seu professor lhe dizia que começasse pelo chão, em vez de o fazer de cima de uma árvore. Por último, ficou doente com cãibras por excesso de esforço, e, então, classificaram-no com 12 em trepar e com 8 em corrida.
A águia era uma aluna problemática e teve más notas em comportamento. Na disciplina de trepar, superava todos os restantes alunos no exercício de subir até à copa da árvore, mas insistia em fazê-lo à sua maneira.
Ao terminar o ano, uma enguia anormal, que podia nadar de forma excelente e também correr, trepar e voar um pouco, obteve a melhor média e a medalha para o melhor aluno...”

           Esta fábula faz-me reflectir sobre a importância da diversidade na escola. Mais do que isso, leva-me a admitir que a diversidade tal como a inclusão e outros tantos conceitos são desejáveis na escola e na sociedade. Mas a verdade é que na grande maioria dos casos são muito difíceis de interiorizar ao ponto de fazermos deles uma prática natural, quotidiana, indissociável da nossa postura como agentes educativos.
            A diversidade na escola envolve o respeito pelas diferenças dos outros na etnia, religião, cultura, língua... Todos já lemos muito, discutimos e reflectimos sobre estes assuntos. Mas hoje, queria fazer outra leitura desta fábula. O valor da diversidade na escola e dentro da sala de aula. Afinal de contas todos temos “patos” esforçados e “lebres” empenhadas, “esquilos” que atingem os objectivos de forma extraordinária mas por caminhos não ditados pelo professor... O que preferem na vossa sala? Alunos como estes ou “enguias anormais” que conseguem fazer um pouco de tudo medianamente? (atenção que aqui o termo anormal não é pejorativo, ver contexto da fábula) O que queremos nós? Alunos medianos ou bons mas que se ajustam rigorosamente às regras estabelecidas e expectativas previstas? O discurso que utilizamos é primariamente dirigido a esse modelo de aluno mediano que apresenta competências expectáveis?
            O currículo dos nossos amigos da fábula era imposto a todos independentemente da sua diversidade. Muitos, senão todos, sofreram com isso. O currículo dos nossos alunos também é de alguma forma imposto, “não depende de nós”, poderão argumentar. Não é o professor de Matemática, de Inglês ou Língua Portuguesa que decide a matéria que deve leccionar no 9.º ano de escolaridade. Mas usemos as ferramentas que temos à mão para contribuir para a diversidade na nossa sala de aula e, por extensão, na nossa escola. Procuremos interiorizar mais ainda este conceito da diversidade tornando-o uma praxis na sala de aula e fora dela também. Ao fazê-lo estamos a ensiná-la da melhor maneira aos nossos alunos.
 Teresa Miguel

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Diário Comenius Turquia (dia 2): “Conheçam Orhan, o último sultão de Istambul”









 Os nossos parceiros turcos prepararam um dia de actividades para desenvolvermos em Istambul. São muitas as escolas que irão estar reunidas em Samsum. Devido à complexidade de voos e escalas em aeroportos, torna-se complicado juntarmo-nos todos ao mesmo tempo. Já somos três escolas presentes em Istambul e por isso iremos visitar algumas partes da cidade acompanhados por um guia local. Tudo isto era já do nosso conhecimento, embora em abono da verdade, nada nos tivesse preparado para a entrada relâmpago de Orhan no pequeno autocarro em que seguíamos.

Orhan foi o homem que nos guiou durante um dia intenso em Istambul.

O percurso do hotel fez-se através de estradas menos turísticas do que as que percorremos ontem. Após cruzarmos duas ou três avenidas, estamos a circular junto ao Bósforo. Aqui temos uma maior percepção da importância que o mar tem (e sempre teve) para esta cidade. Durante alguns quilómetros de marginal, vamos visualizando os vapurs (nomes dos barcos que ligam as duas margens de Istambul), os ferrys que fazem a ligação entre as várias ilhas turcas que não ficam longe daqui, os cargueiros, os petroleiros, os navios militares e todo o tipo de embarcações, indefinidas para leigos marítimos como nós. Do lado terrestre, percebemos estar a contornar uma grande elevação. Embora, lá no alto se erga o palácio Topkapi, residência centenária dos sultões turcos, cá em baixo desfilam perante o nosso olhar, construções humildes, desordenadas, muitas ainda por finalizar. Também aqui as mesquitas perdem o ar sumptuoso da zona histórica de Sultanahmet e revelam aquilo que realmente se destinam, a ser um lugar de culto.

Orhan a explicar mais alguns segredos de Istambul.

Começamos a subir rumo à nossa primeira paragem, o Palácio Topkapi. Aparece-nos à vista um bazar, onde apesar de cedo, já se faz negócio de um modo intenso. Neste bazar, parece predominar uma mistura de vestuário, tapetes turcos e a típica parafernália de bugigangas turísticas que têm como objectivo prolongar as memórias dos turistas depois do regresso a casa. Uma paragem mais ou menos inesperada proporciona a entrada em cena do nosso guia.

O nosso grupo momentos antes de entrarmos no palácio Topkapi

Orhan, é o homem que nos contará as mais incríveis histórias sobre este palácio sumptuoso e sobre a cidade de Istambul, nos transmitirá alguns segredos da cidade, nos encaminhará por ruas estreitas, mas cheias de vida, as quais provavelmente nunca teríamos oportunidade de conhecer. É o homem que ao longo do dia nos dará a sensação de conhecer metade da população da cidade. A pessoa que nos dá a escolher o que fazer em Istambul, segundo as regras democráticas, avisando que, em caso de indecisão dos presentes, ele o sultão, decidirá. Ele é Orhan, homónimo do grande escritor turco, já galardoado com o prémio Nobel, Orhan Pamuk. Pamuk, o escritor que dedicou toda a vida à busca da alma melancólica da sua Istambul natal. À nossa frente, temos alguém que parece a encarnação dessa mesma melancolia. O primeiro passo, é dado aqui, à entrada, nas muralhas dos jardins do palácio.  Orhan envolve-nos na magia do local com histórias fabulosas como a do sultão Selim, que se afogou na sua banheira após uma noite em que bebeu champagne em demasia, de Ibrahim, o Louco, que perdeu a noção da realidade, depois de quatro anos preso no palácio ou da terível Roxelana, a bela consorte de Suleyman, o Magnífico, que equilibrava tanta beleza com igual dose de maldade, e que com as suas intrigas palacianas tentou perseguir os seus intentos.
 Luís Sousa

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Alunas da EBI/JI de Santa Catarina obtêm 2.º lugar no torneio de Basquetebol "CompalAir"


Realizou-se no passado dia 16 de Maio, em Óbidos, a Fase Regional do Torneio de Basquetebol "CompalAir". Depois de disputar a Fase Local, em Alcobaça, a EBI/JI de Santa Catarina participou, com uma equipa, no escalão de Infantis Femininos. 
A equipa constituída pelas alunas Tânia Branco, Beatriz Luís, Carolina Carmo e Carolina Fortunato do 7.º C teve um brilhante desempenho ao obter o 2.º lugar da classificação geral, depois de vencer, na Fase de Grupos as equipas de Santo Onofre e Visconde Chanceleiros. Na meia-final, depois de um empate a 4 pontos, Santa Catarina venceu a equipa da Escola Fernão do Pó, 5-4, no desempate por lançamentos livres. Na final, a nossa equipa perdeu por 12-4 com a equipa da Escola Padre Francisco Soares.
Destaque ainda para a Tânia Branco que venceu a prova técnica de drible.

domingo, 22 de maio de 2011

EBI/JI de Santa Catarina e Alunos recebem prémios (Alunos Empreendedores e Escola Mais Criativa!)

No passado dia 14 de Maio, na quinta edição da Academia de Empreendedores da Região Oeste, numa iniciativa promovida pela AIRO e a Câmara Municipal de Caldas da Rainha, os alunos da EBI/JI de Santa Catarina voltam a ser premiados, com a apresentação de projectos inovadores.
À Raquel Rocha, do 9º A, coube o primeiro lugar com o seu projecto M.D.R., na modalidade “O Meu Primeiro Milhar”.
A Raquel Rocha do 9º A apresenta o seu projecto que arrecadou o 1º lugar
Na modalidade “O Meu Primeiro Euro” foram também vencedores os projectos apresentados pelos alunos do 6º A. Assim, arrecadaram o 2º lugar, com o projecto “ Biorecolha (recolha de lixo)”,  a Carolina Santos,  a Catarina Vicente, a Márcia Ramos e  a Sara Forte; O 3º lugar foi para o projecto “Ludiparque”, apresentado pelo Filipe Coito, Micael Faustino, Rafael Luís e Tiago Querido e o 4º lugar para o projecto “Bioconduta” defendido pela Marlene Ferreira e o Pedro Paulo. 
A Carolina Santos, a Catarina Vicente, a Márcia Ramos e a Sara Forte premiadas com o 2º lugar
O Filipe Coito, o Micael Faustino,, o Rafael Luís e o Tiago Querido premiados com o 3º lugar


A Marlene Ferreira e o Pedro Paulo premiados com o 4º lugar

A EBI/JI de Santa Catarina foi também distinguida com o prémio da “Escola Mais Criativa”.

Grupo de alunos e de professores representantes das escolas vencedoras

sábado, 21 de maio de 2011

Feira de Oferta Educativa e Formação “PREPARAR O FUTURO”


No dia 13 de Maio, o Gabinete de Informação e de Apoio ao Aluno organizou na Escola uma Feira de oferta educativa e formação onde estiveram presentes várias instituições educativas e de formação profissional dos concelhos de Alcobaça, Caldas da Rainha, Rio Maior e Nazaré.

Esta feira tinha como destinatários todos os membros da Comunidade Escolar do nosso Agrupamento, no entanto, foi realizada sobretudo a pensar nos alunos que terminam o 9º ano de escolaridade este ano lectivo, tendo em conta a necessidade de tomada de decisão sobre que curso seguir no final do ano.


Com este evento os alunos puderam informar-se sobre as ofertas formativas  de nível secundário de várias instituições de ensino e formação para o ano lectivo 2011/2012.
Desta forma, os alunos do 9º ano puderam dar mais um passo na preparação do seu futuro, sendo-lhes dada a oportunidade de falar directamente com os representantes de cada escola para compreender melhor a especificidade de cada opção que têm no final do 9º ano.
Joana Gomes (Psicóloga)


Museu da Cerâmica - Pictogramas+Iconografias



Foi inaugurada no dia 14 de Maio, no Museu da Cerâmica, nas Caldas da Rainha, a exposição Pictogramas+Iconografrias



Esta exposição de Pictogramas+Iconografias surge no âmbito do Mestrado de Ensino Em Artes Visuais da Universidade Lusófona de Lisboa em articulação com o Agrupamento de Escolas de Santa Catarina do Concelho de Caldas da Rainha. A iniciativa coordenada pelo professor Francisco Silva, de Educação Visual e dinamizada por Rute Rosa e Ana Loureiro com um grupo de alunos do 8º e 9º ano tem como objectivo principal valorizar a relação Escola – Museu.


As serigrafias são a conclusão do trabalho dos alunos que desenvolveram um conjunto de registos gráficos direccionados para os diferentes elementos iconográficos patentes no acervo do Museu. Foi criada uma analogia entre as serigrafias e o espólio museológico, bem como pictogramas para os espaços públicos no exterior/Jardim do Museu da Cerâmica.

A inauguração teve a representação dos alunos intervenientes, dos seus professores e da comunidade escolar.
Convidam-se todos os interessados a visitar esta exposição que fica patente ao público até dia 23 de Junho de 2011, no horário normal do Museu, de Terça-feira a Domingo, das 10:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:00 horas.

Diário Comenius Turquia (dia 2): “Pequeno-almoço turco”








 O dia começa com um pequeno-almoço reforçado. É a nossa estreia no frente-a-frente com esta primeira refeição do dia em versão turca. Confirmamos imediatamente através de contacto visual que esta é uma refeição importante para quem vive por estes lados. Tudo começa a funcionar muito cedo e desde a hora a que acordámos até ao almoço ainda dista muito tempo. Nós próprios estamos a tentar adaptarmo-nos ao fuso horário com mais duas horas do que aquele a que estamos habituados. São oito horas aqui, o que corresponde às seis horas da manhã em Portugal. E já acordámos há uma hora!
Olhamos para a mesa e começamos pelo pão. Temos à nossa frente pelo menos três ou quatro tipos de pão diferente. O que tem forma de baguete será aquele que mais se assemelha ao que também existe em Portugal (sobretudo na versão grandes superfícies). Achámos também muito engraçados, os palitos de pão, estaladiços, cobertos de sementes de sésamo (usa-se muito por aqui) e muito saborosos. Provámos ainda simit, uma espécie de pão de sésamo em forma de ferradura ou circular. Ontem, vimos na rua alguns vendedores ambulantes a comercializarem-no. Para barrar o pão, temos manteiga (já aprendemos que a melhor da Turquia, é a que provém da zona do Mar Negro) compotas variadas e ainda, mel. Experimentámos a de cereja, pêssego e morango, todas muito apetitosas. Sabemos que existe uma muito peculiar, mas ainda não encontrámos. Falamos da geleia de pétalas de rosa. Algo que sabemos, temos que provar, assim que a ocasião o proporcionar. 

Uma selecção de pães e bolos comuns num pequeno-almoço turco

Sabendo da restrição religiosa que afasta todo o tipo de fiambre e produtos com origem suína na mesa turca, geralmente aparecem produtos similares, mas confeccionados com carne de aves. Nem sequer ocorre pensar nisso, quando à nossa frente, está uma selecção de queijos com um aspecto fantástico. O destaque tem que ser dado todo ao queijo fresco. Tem um sabor óptimo e combina bem com tudo. As experiências levam a que o acompanhemos com pistáchio ralado, seguido de um fio de azeite ou numa versão mais doce, com mel. Provámos, pelo menos, mais três tipos de queijo, dos quais só sabemos o nome de um. Chama-se feta, e é um queijo que existe também na Grécia, sendo também comum aparecer nos nossos supermercados. 

Os queijos são também importantes na primeira refeição do dia

Outra novidade para nós (talvez a mais radical) prende-se com a existência de tomate, pepino e azeitonas variadas ao pequeno-almoço. Mais, todos são considerados imprescindíveis para qualquer turco que se preze. Em Roma, sê romano e, claro está, também experimentámos. Em relação aos ovos, estes aparecem sobretudo cozidos, não sendo tão frequente existirem ovos mexidos. A palavra turca para ovos tem uma fonética curiosa, já yomurta (ovos) diz-se “yoo-moor-tha”. Começa a ser um passatempo, tentar soletrar (umas vezes com mais sucesso que outra) algumas palavras em língua turca.
Também não podemos deixar de falar do iogurte natural, também aqui abundantemente presente. Disseram-nos que a maioria das pessoas prefere confeccionar os seus próprios iogurtes em casa. Para que sejam muito saborosos, é importante que o leite seja também de boa qualidade. Daí resulta a preferência que os turcos têm por leite com origem não industrial. É muito bom com cereais, mas estamos em crer que nada supera a variante iogurte com passas para depois ser coberto com doce de cereja (com pedaços da dita). Uma delícia de comer e chorar por mais.
Terminando com as bebidas, temos sumo de laranja e cereja. A Turquia é um grande produtor de cerejas e o seu sumo é algo sempre presente. É também das primeiras palavras turcas que aprendemos. Diz-se visne e pronuncia-se (vish-né). Por fim, temos ainda o chá (çay) e o café (khaveh).
Para tornar o pequeno-almoço mais animado, já estão junto a nós, os professores e alunos das duas escolas alemãs que fazem parte do nosso projecto. É tempo de alguns reencontros e de conhecer mais algumas pessoas. Hoje vamos andar juntos até à hora de partirmos para Samsun, o que acontecerá por volta das oito horas da noite. Temos um dia cheio. Os nossos parceiros turcos programaram uma visita guiada a alguns locais emblemáticos de Istambul. A expectativa é por isso, muito grande.
Luís Sousa

Diário Comenius Turquia (dia 1): “Um cemitério otomano”








Gradeamento que ladeia o cemitério otomano que visitámos
Já anoiteceu quando iniciamos o regresso ao nosso hotel. A diferença de duas horas a mais em relação à hora de Portugal fez com que jantássemos mais cedo do que seria normal. Teremos que nos habituar aos horários que se praticam por aqui. Apesar de ser noite, ainda temos disposição para andar um pouco mais. As ruas estão repletas de pessoas que andam em todos os sentidos. Nas dezenas de restaurantes que conseguimos vislumbrar enquanto vamos subindo a avenida, centenas de mesas são ocupadas por turistas e locais. Sai música de muitos estabelecimentos por onde passamos. Falamos entre nós que assim que pudermos teremos que explorar a música turca.

Geralmente existe um complexo religioso junto a estes antigos cemitérios

Passado algum tempo chegamos junto a um cemitério. A imagem nocturna é fabulosa. O contraste entre a luz amarelada que parece vir da mesquita e o escuro formam um cenário onírico. Estamos perante um cemitério otomano. Nas escadas de entrada, um homem vende artesanato, sobretudo brincos e pulseiras. São assim, os cemitérios por aqui. Não estão isolados, antes fazem parte da vida das pessoas que os respeitam imenso. Após alguns momentos de conversa com o vendedor, não resistimos e entramos para ver. 

Um vendedor solitário expunha para venda na escadaria do cemitério a sua mercadoria
Não há qualquer intenção mórbida na nossa visita. Este cemitério está envolvido por um jardim e rapidamente apercebemo-nos que é atravessado por pessoas que o usam como caminho para o seu destino. Geralmente estão anexos a uma mesquita, mas o que realmente é importante, é que são verdadeiras obras de arte, reveladoras da História do antigo Império Otomano. Um olhar mais atento, mostra que as sepulturas são datadas do século dezanove. A avaliar pela estrutura, pareceram-nos pertencer a algumas figuras ilustres ou pelo menos com algumas posses. A pedra utilizada é geralmente clara, e decorada com caligrafia decorada. 

Exemplo de sepulturas otomanas
Saimos de lá convencidos que um verdadeiro viajante não pode ficar circunscrito somente às avenidas principais ou a zonas referenciadas como turísticas. A verdadeira essência de uma cidade raramente está à mostra de quem não tem disponibilidade para deixar-se levar pela mão. Cidades como Istambul levam-nos pela mão e revelam as suas preciosidades para quem as quiser realmente conhecer. E não estão longe! Em menos de um minuto, estamos de volta ao vento frio que sopra na paragem do eléctrico. E por lá ficamos mais algum tempo, até conseguir entrar num à terceira tentativa. 
Luís Sousa
Exemplo de sepulturas otomanas
Exemplo de sepulturas otomanas
Exemplo de sepulturas otomanas