domingo, 15 de maio de 2011

Diário Comenius Turquia (dia 1): “Sultanahmet”



 A primeira impressão para quem chega a Sultanahmet é que seria possível andar por aqui durante muito tempo sem que fosse necessário sair deste bairro. A concentração de motivos de interesse é simplesmente impressionante. Monumentos, museus, hotéis, restaurantes, lojas que expõem uma quantidade inacreditável de produtos. De onde estamos parados, conseguimos vislumbrar Hagia Sophia, a Mesquita Azul e o que restou à superfície da basílica Cisterna e o Hipódromo. Isto é possível, porque foi nesta área que os imperadores, primeiro bizantinos e depois otomanos mandaram construir um conjunto apreciável de locais de adoração, serviços públicos, e claro está palácios imperais, sendo o Topkapi, o melhor exemplo. Aqui se planeavam estratégias de governação, planeavam-se casamentos e recebiam-se os exércitos vitoriosos, regressados das batalhas. É o coração da cidade de Istambul. E à volta dela, cresceram pequenos subúrbios onde também há muitos motivos para deambular tempo sem fim. 

No coração de Sultanahmet, com o que resta à superfície da Basílica Cisterna (a construção em pedra ao fundo)

Junto a um vendedor de massarocas de milho decidimos o caminho a tomar. Ainda relativamente longe das maçarocas alguém imaginou que fossem churros. Instalou-se a risada geral quando ao invés, deparámos não com o doce esperado, mas com milho assado. Nestas praças são inúmeros os carrinhos cheios de produtos para vender. Castanhas assadas, todo o tipo de frutos secos, fruta fresca, bebidas e vários exemplares de doçaria turca. Para além das centenas de turistas, observamos também muitas pessoas com ar de serem habitantes locais. Aproveitam este bonito espaço para passearem com amigos e família. Muitos dos que estão sentados a bebericar chá turco. Os copos que usam têm um aspecto fantástico.

Vista da Hagia Sophia (Santa Sofia). Foi construída como basílica, mas hoje é uma mesquita

A Mesquita Azul vista do jardim que separa duas das mais imponentes mesquitas de Istambul
A Mesquita Azul é uma das mais belas mesquitas da cidade
O pátio da Mesquita Azul é decorado com arcadas cheias de perfeição
No ar espalha-se o som da Salát Al-Açr, a oração da tarde para os muçulmanos devotos. O som do muezzin é das coisas mais bonitas que se pode experienciar por estes lados. Andamos junto à Hagia Sophia e seguimos pelos jardins até entrarmos na Mesquita Azul. Optamos por uma visita ao exterior para não perturbarmos os fiéis que no interior oram. Como é característico nas mesquitas, não há qualquer imagem. O Islão proíbe-o para evitar situações de idolatria. No entanto, é  enorme a beleza da azulejaria geométrica e dos escritos em árabes, muitas vezes com letras douradas a adornar as paredes e os tectos. São sempre excertos do Corão. E o facto de serem escritos em árabe deu origem à palavra arabescos. Foi esse o termo que os ocidentais acharam para referirem algo que não compreendiam muito bem. Após visita ao pátio, saímos por uma outra porta e estamos no antigo Hipódromo. Este era o local onde se concentravam os exércitos antes e depois de partirem para a guerra e realizam a corridas. Por aqui são vários os monumentos existentes. Destacam-se os obeliscos e a coluna da serpente.
As horas passam sem darmos por isso. Está na hora de jantar. Apesar do fuso horário indicar mais duas do que em Portugal, o dia foi muito longo e o apetite está desperto. Está na hora de nos iniciarmos na saborosa cozinha turca. 
Luís Sousa
O nosso grupo no pátio da Mesquita Azul
Excertos do Corão decoram muitas partes de uma mesquita
Obelisco de Teodósio. Erigido no ano 390
A Coluna da Serpente foi erigida no século IV
Um vendedor de rua e as suas maçarocas de milho que ao longe pareciam churros

quarta-feira, 11 de maio de 2011

BATALHA DE LEITURA|POESIA


Diário Comenius Turquia (dia 1): Entrar em Istambul


 





Dezasseis estações de metro depois, estamos finalmente em Istambul. Cerca de trinta/quarenta minutos passaram desde que saímos do aeroporto. O percurso alterna partes subterrâneas com linhas que atravessam bairros onde percebemos que se vive intensamente. As ruas estão repletas de pessoas, carros, mercados onde estão expostas mercadorias que esperam compradores. Tudo é movimento e é difícil, senão impossível, descobrir algo vivo que não mexa. Consoante avançamos rumo ao centro da cidade, menos é o espaço que as carruagens do metropolitano vão tendo. A nossa língua, não passa despercebida quando ouvida por quem passa por nós. Percebemos isso perfeitamente. Descortinamos olhares curiosos e diálogos em forma de interrogação. Temos a sensação que ninguém percebe uma palavra do que estamos a dizer. E que também não conseguiriam afirmar com certeza, qual o país de que somos originários.


Esta é a vista à frente do nosso hotel

As bandeiras da República da Turquia são também um elemento omnipresente na paisagem. Todos os edifícios que parecem ter alguma importância, têm hasteado (numa varanda ou no topo do edifícios) bandeiras turcas, algumas delas com um tamanho impressionante. É impossível conseguir um enquadramento onde não esteja presente alguma bandeira nacional. A bandeira aqui é símbolo de orgulho nacional.


A avenida que nos levará ao centro histórico de Istambul. Ao centro a linha de eléctrico que serve esta zona

Optamos por confirmar o caminho a seguir. A primeira pessoa a quem perguntamos algo tem um ar simpático e uma metralhadora nos braços. É um agente de segurança que faz vigilância à área. Não fala inglês, mas confirma apontando no nosso mapa que estamos na direcção correcta. Facilmente percebemos que ainda é longo o percurso para o nosso hotel. Para além de longo, é sempre a subir. Como bónus, os passeios são revestidos numa espécie de paralelos que dificultam em muito o ritmo com que avançamos. Apesar de abreviarmos caminho entre algumas ruas secundárias chegamos ao hotel cansados. Estamos numa zona denominada Findikzade, mesmo à entrada daquela que é considerada a parte antiga de Istambul.
Depois de tratadas as formalidades e de conhecermos os quartos, as duas opções em cima da mesa são: optar pelo descanso ou avançar para Sultanahmet, talvez a zona mais interessante de Istambul. Instala-se a unanimidade. Todos querem partir à descoberta. Assim seja, Sultanahmet será o nosso destino.

Luís Sousa

Golden Hill é o nome do hotel que nos recebeu em Istambul
À saída do hotel, a caminho de Sultanahmet.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Diário Comenius Turquia (dia 1): Jeton!.









À entrada do metro, cujo planeamento prévio de viagem, indicava o caminho que nos levaria até ao centro de Istambul, e daí até ao hotel onde iríamos pernoitar, aconteceu a primeira ocorrência estranha da nossa expedição. Naturalmente, parámos junto à máquina de bilhetes, estudando o método de os obter. As primeiras conclusões surgiram rapidamente, assim como a ajuda de um cidadão turco que prontamente se ofereceu para nos auxiliar. A dúvida prendia-se ao facto de precisarmos de oito bilhetes e o sistema apenas fornecer um máximo de cinco. Quase sem darmos por isso, o nosso ajudante de serviço tinha na mão uma das nossas notas para introduzir na bilheteira automática. Tudo acabou bem, ou seja conseguimos os bilhetes. Mas, antes disso fomos apresentados ao jeton. E o que é o jeton, pode questionar-se quem estiver a ler este artigo. Agora, sabemos que é o nome dado às fichas vermelhas circulares que permitem a entrada no circuito de metropolitano de Istambul. Se o soubéssemos anteriormente, não teríamos passado pela situação caricata de termos ficado com uma expressão facial meio aparvalhada e desorientada. Isto porque ao vermos entrar uma nota na máquina e começar a ver cair moedas douradas, intercaladas com algo circular também, mas vermelhas. “Fomos enganados!!! Saíram uma série de rodelas de plástico iguais às que utilizamos nos carrinhos nos nossos supermercados. E mal saímos do aeroporto!” Felizmente,  isso não aconteceu. Foi com um equívoco que os graciosos jetons entraram na nossa estadia em Istambul.
Luís Sousa

Conheçam o jeton, o passaporte para os transportes públicos de Istambul!

Diário Comenius (dia 1): “Aterrar no aeroporto Atatürk International”








A aproximação à pista do aeroporto de Istambul dá-nos a primeira visão da cidade. Imenso, é uma das primeiras palavras que surge nas nossas mentes. A cidade que alberga doze milhões de habitantes, não tem fim visível. Tudo, até onde a vista alcança, ou é habitado, ou então mar. O mar tem a denominação de Marmara devido à ilha com o mesmo nome. O baptismo prende-se com a riqueza em mármore. Como curiosidade, refira-se o facto de a palavra ser de origem grega e também ter sido adoptada pela língua portuguesa. Entretanto, o avião inclina-se e revelando-nos o Bósforo, um estreito que liga o mar de Marmara ao mar Negro. São às dezenas os navios que ocupam a sua posição no estreito, dando a ilusão de engarrafamento naval. Surge-nos no campo de visão a ponte de Galata, umas das duas pontes que ligam os continentes europeu e asiático.
Aterrar neste aeroporto é uma experiência inesquecível e difícil de descrever. Tem que ser vivenciada. Neste momento, não há como esconder a ansiedade que temos em perdermo-nos nesta cidade, deixarmo-nos levar pelos sons, pelos cheiros e pelas cores que lhe conferem um ambiente mágico.
Perdemos altitude e preparamo-nos para a aterragem. O solo vai ficando mais perto e a pista aumenta consideravelmente de tamanho até ao momento em que sentimos a aeronave tocar solo turco. Tudo decorre com desenvoltura em relação ao tempo e já dentro do edifício principal do aeroporto vamos olhando ao nosso redor de modo a orientarmo-nos convenientemente. A primeira acção a tomar, é conseguirmos o visto de entrada e apresentarmos os nossos passaportes. Estes são verificados cuidadosamente pelos agentes de segurança. Somos aprovados e agora sim, entrámos oficialmente neste país.
Enquanto esperamos pelas bagagens, optimizamos o tempo tratando do câmbio de moeda. O Euro não é a moeda utilizada por aqui. Trocamos a nossa moeda pelas Liras Turcas. A partir de agora, todas as nossas transacções económicas serão efectuadas nesta divisa. Perto de nós está um stand de apoio com as cores e símbolos da ONU. Isto desperta-nos a curiosidade e percebemos que a partir de amanhã irá decorrer em Istambul uma Conferência sobre os Países Menos Desenvolvidos. Hoje realiza-se também por cá, o Grande Prémio de Fórmula 1. Finalmente, recolhemos as nossas malas, verificamos se tudo o que trouxemos de Portugal chegou bem (leia-se inteiro) e avançamos rumo a Istambul.
 Luís Sousa

Finalmente, Istambul!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Diário Comenius (dia 1): Wir sind am flughafen München.








Domingo, 8 de Maio

Ou como quem diz, estamos no aeroporto de Munique. A viagem de Lisboa até aqui correu muito bem. Chegámos dentro do horário previsto. A área que circunda o aeroporto é colorida em tons de verde, escuro no caso da floresta, que aqui é abundante, seja pelos mais claros, que correspondem a terrenos cultivados. Do avião sobressaíam também algumas porções de campo, tingidas de amarelo limão, que não chegámos a perceber o que seriam. São mínimas, as parcelas de terra que não estão cultivadas.

No aeroporto de Munique. Não viajamos em classe executiva, mas tínhamos perfil para isso

Ao aterrarmos no aeroporto, o facto de a pista estar maioritariamente ocupado por aeronaves da Lufthansa (a companhia aérea germânica e uma das maiores do mundo) é sinal que estamos em solo alemão. Rapidamente, recolhemos os nossos pertences e saímos do avião rumo à área de chegadas. Temos uma hora e meia até voltarmos a embarcar, desta feita rumo a Istambul. Munique é só uma escala, uma paragem a meio do nosso destino.

Quase, quase a chegar a nossa vez de mostrar os passaporte

O tempo de uma escala entre aeroportos, quando não ultrapassa a uma hora, uma hora e meia passa literalmente a voar. Não há tempo para mais do que verificar os painéis informativos, procurar e confirmar as horas e o local onde serão efectuados a verificação de documentos e o novo embarque.
No momento do controle de passaportes, notamos vários avisos escritos, que alertam para indivíduos procurados internacionalmente por terrorismo, e portanto muito perigosos. A verdade é que um olhar rápido sobre as nossas fotografias registadas no passaporte, faz parecer com que as nossas feições tenham também um ar entre o perigoso e o lunático. Isto deve-se sobretudo ao facto do como somos fotografados nos Governos Civis portugueses. Quase todas as pessoas são apanhadas desprevenidas no momento de imortalizar os rostos.

O Areias é um camelo ou a única coisa que se aproveitava na área destinada a viajantes fumadores.

Divagações à parte, passamos a verificação de documentos e estamos junto à porta de embarque que nos foi destinada. A prova de que estamos num aeroporto internacional no verdadeiro sentido da palavra, é que do nosso lado direito partirá um voo para Seul (Coreia do Sul) e do esquerdo, um outro para São Petersburgo (Rússia). O nosso irá levar-nos para Istambul, Turquia.
Luís Sousa 
Hora de embarcar. Istambul, aqui vamos nós!

domingo, 8 de maio de 2011

Diário Comenius Turquia (dia 1): Alvorada! Início da aventura turca.








Domingo, 8 de Maio

Finalmente chegou a altura do terceiro encontro do nosso projecto, desta feita em Samsun, Turquia. Esta é a primeira vez que a nossa escola marcará presença no continente asiático. A primeira de muitas, esperamos nós. Até à Ásia, muito caminho ainda está por percorrer. Mas, como diria o sábio, a viagem começa sempre com o primeiro passo. E o nosso primeiro passo terá que ser realizado no aeroporto da Portela, em Lisboa.
Com o voo marcado para as seis e quinze da manhã, a noite foi parca em horas de sono. Às quatro da madrugada começámos a reunir-nos junto da porta de entrada. O entusiasmo é geral e por isso estamos ansiosos para partir. Desta feita, haverá mais três baptismos de voo. É sempre um momento importante. O nosso avião será o primeiro do dia a partir.

Aqui estamos nós em Lisboa, junto à porta de embarque para o avião que nos levará a Munique.

Feitas as despedidas das nossas famílias e após resolvermos as primeiras formalidades, caminhámos para a zona de embarque. Entre algumas histórias antigas e piadas relacionadas com o controlo de bagagem de mão, deu-se o primeiro acontecimento engraçado. O Samuel e o João ficaram sem um número razoável de garrafas de água e pacotes de leite com chocolate. Esquecendo as recomendações que os professores lhes tinham transmitido, vinham de mochilas bem abastecidas. A frase da manhã, essa, sem qualquer sombra de dúvida, pertenceu ao Samuel. Ao ver o segurança retirar-lhe as garrafas de água, uma a uma, disse-lhe com o ar mais cândido do Mundo: “Sou inocente! Não faço a mínima ideia como é que isso foi parar aí!”
Ainda a rir sobre o caricato da situação e também do alívio da Rita não ter soado os alarmes devido aos seus brincos (o seu grande receio da última semana) chega a altura de embarque. Última chamada! Destino deste voo: Munique na Alemanha!  
Luís Sousa

A Beatriz e a Rita a caminho de Munique
O João e o Samuel a caminho de Munique

Diário Comenius (dia 6) - “Night Train to Budapest”







Sexta-feira, 18 de Fevereiro

Seis da tarde e já é noite escura em Kosice. Estamos junto ao nosso comboio. Antes de conseguirmos acomodar-mo-nos temos que tratar das bagagens. Carregar e descarregar malas, sobretudo com as características das nossas, não é de modo algum actividade que nos atraia por aí além. Tentamos subi-las para a carruagem com calma e sobretudo com cuidado. Não queremos que ninguém se aleije. Incluindo as malas, já que algumas começam, por esta altura, a acusar o esforço da viagem. Já há rodas que saltam fora, ferros que se desprendem. Como parece que este comboio não irá ter muitos passageiros, não há grande pressa. 

Às seis da tarde já a noite tinha caído em Kosice

Finalmente, estamos instalados. Para além de nós, na carruagem só parece haver mais um passageiro. Lá fora, não fosse a fraca iluminação das linhas e já nada seria visível para nós. Ao sinal sonoro, a máquina dá sinais de começar a movimentar-se. Os revisores saltam para dentro das suas carruagens e aos poucos vemos Kosice a afastar-se, até não nada mais restar senão as luzes da cidade. A viagem até à fronteira eslovaco-húngara não irá demorar mais do que meia hora, talvez uns quarenta minutos. Recostamo-nos aos bancos, e alguns de nós mergulham num estado de sonolência. Os que mantêm a vigia, vão conversando e rindo ao sabor das graçolas que vão surgindo.


Momentos de descontracção durante a viagem. Também se aproveita para realizar um pouco de manutenção às malas

A primeira estação do lado húngaro em que paramos, tem neste momento, ainda mais ar de cenário de filme de espiões do que nos pareceu quando estivemos aqui de dia. Quando voltamos a partir, alguém sugere que era uma boa altura para jantarmos. Num instante, espalhamos o nosso repasto pelas mesas. Água e sumos, sanduíches com recheios variados, batatas fritas e fruta. Numa súbita alergia a vegetais, a Margarida e a Sara, rapidamente descartam a parte saudável das suas sanduíches e preparam em dois tempos uma refeição vegetariana para o professor de História. E assim, a viagem vai continuando. Sem darmos por isso, quando terminamos o jantar, já passaram duas horas desde que partimos de Kosice.

Refeição vegetariana preparada para o professor de História. Cortesia da Margarida e da Sara
Por esta altura, o cansaço já afectava todos

Três horas e meia depois, depois de viajarmos a maior parte do tempo só com a escuridão como paisagem começam a surgir algumas luzes mais intensas. Agora podemos ver edifícios com características industriais, muitos deles com um ar meio abandonado. Provavelmente, serão oficinas e barracões de apoio ao serviço ferroviário. Mais uns minutos e estamos a entrar novamente na estação de Keleti. Na plataforma, podemos observar alguns rostos ansiosos. Esperam por amigos/as, namorados/as ou família. Não tendo, ninguém a esperar por nós, deixamos o comboio imobilizar-se por completo. Repetimos toda a operação relacionada com a logística das malas. Apesar do regresso a Budapeste, e do entusiasmo que gera o facto de ainda termos a manhã de amanhã para visitarmos a cidade, todos estão com ar de quem está a sonhar com as camas do hotel onde vamos ficar instalados. A apenas quatrocentos metros de aqui, o descanso espera por nós. 
Luís Sousa 

Na estação Keleti (Budapeste) só queríamos chegar o mais depressa possível ao nosso hotel.

Diário Comenius (dia 6) - “Passeio em Kosice”


 





Sexta-feira, 18 de Fevereiro

Chegamos a Kosice quando ainda faltam três horas e meia para o comboio que nos levará a Budapeste. Connosco continuam os professores Marek e Lucia, apesar de insistirmos que está na hora de eles terem um pouco de descanso, isto depois de uma semana intensa em que trabalharam imenso. Sorriem e dizem-nos que têm muito tempo para descansar, e que agora iremos aproveitar o tempo que nos resta para conhecer mais um pouco da cidade.

Um coreto no meio do parque de Kosice
Este edifício já foi residência oficial da Presidência da Eslováquia

A primeira coisa a resolver é onde deixar as malas em segurança. É nestas situações, que vemos a utilidade das bagageiras das estações de transportes públicos. Rapidamente achamos o local e depositamos as bagagens. Seria impossível movimentarmo-nos à vontade com tanto peso atrás de nós. O euro que pagamos para que fiquem em segurança durante a nossa ausência, vale cada cêntimo. Mais tarde, quando chegar a altura de as levantarmos, dará origem a mais um episódio hilariante. A senhora responsável pela bagageira, já nos tinha transmitido um ar da sua graça, avisando (em eslovaco e acenos de braços) que sem os bilhetes comprovativos, ninguém levaria dali nada. Na altura de pagar, reparámos que mais uma vez, estávamos perante recibos manuscritos (com cada um a demorar uma eternidade a ser passado). Para ser prático, o nosso Director tentou pagar os sete bilhetes em conjunto, mas perante a recusa liminar da senhora, que lhe fez um ar sério, como que a perguntar quem éramos nós para vir ali complicar o trabalho dela. Por fim, tivemos que pagar um de cada vez. E atrás de nós a fila foi-se avolumando.


Caminhando pelas bonitas ruas de Kosice
Aqui acontecem no verão bonitos espectáculos que envolvem água, luzes e música


O grupo posa para a fotografia em frente ao edifício da Ópera de Kosice

Por fim, voltamos a sair da estação. Com o aproximar do final de tarde, a agitação de pessoas em movimento e até de trânsito é maior. Os tons cinzentos que a tarde trouxe não deixam de dar uma aura cinematográfica às paisagens que nos vão aparecendo pela frente. Atravessamos um jardim com alguns monumentos evocativos de outras épocas. Um coreto domina o centro do parque, onde para além de um ou outro transeunte, não se vê ninguém. Quase sem darmos por isso, temos uma ponte no nosso caminho, cuja existência ainda não tínhamos notado. Ao meio, um senhor munido de um violino vai lançando no ar umas notas um tanto ou quanto desafinadas. Tem um ar simpático e no regresso irá receber algumas moedas nossas, que simpaticamente agradeceu com uma música em que só percebemos algo como “Da Da Da”. No fim da ponte, um edifício muito bonito chama a atenção por ter algo que o distingue de outros. Dizem-nos que serviu de residência oficial da presidência da Eslováquia, embora neste momento já não desempenhe essas funções. Continuamos a caminhar pelas avenidas principais, desviando para as laterais, sempre que algo interessante merece um olhar mais atento. Entramos nalgumas lojas, procurando alguns presentes de última hora, tarefa que vamos conseguindo desempenhar com alguma rapidez. Pedem-se opiniões, perguntam-se preços, faz-se contas, afinal em viagem, o orçamento é sempre algo importante.


Ninguém consegue resistir à sinalética escrita em eslovaco

Voltamos a área da catedral de Kosice. Já nos é conhecida e sem dúvida alguma, estamos na parte mais bonita da cidade. Desta feita, caminhamos pelo jardim que divide as estradas ladeadas por bonitos edifícios em várias cores (a lembrar Bardejov). O edíficio da Ópera é imponente, e revela bem a importância que por aqui se dá à cultura. Pendurados nas varandas estão cartazes que anunciam a variada temporada de espectáculos, que incluem óperas e bailados entre outras apresentações artísticas.


O director António Saloio a tentar resgatar as nossas malas perante a resistência da guardiã das bagagens

Mesmo no centro do jardim, há uma instalação de luzes coloridas, naquilo, que de momento, mais não é do que um buraco semi-gelado. Segundo parece, no verão é um local muito concorrido, onde as famílias passam bastante tempo. Há um sistema de repuxos que lança no ar a água, fazendo efeitos em conjunto com a iluminação. Tudo isto é sincronizado com os sons musicais que marcam o ritmo do funcionamento dos jactos de água. Quem já viu garante, ser um espectáculo merecedor de ser visto. Assim como valeria a pena, ouvir o som dos sinos que estão junto a nós a marcar as quatro horas da tarde. Isto, claro está, se à hora marcada tivessem realmente funcionado, ao invés de deixarem dez pessoas a olhar para o ar durante uns minutos a tentar perceber o que tinha acontecido, ou melhor, o que não tinha acontecido. Aproveitamos para fotografar mais algumas coisas, incluindo sinais de trânsito e placares que consideramos engraçados. Isto é algo que rapidamente, se tornou um vício para todos.


Painel informativo a anunciar os horários de partida dos comboios


O tempo passa rapidamente, e quase se darmos por isso, está na hora de irmos para a estação de comboios. Ainda temos que comprar o nosso jantar, já que a viagem vai ser longa e por isso a refeição terá que ser feita a bordo do comboio. Despedimo-nos dos professores Marek e Lucia, agradecendo-lhes, mais uma vez (e nunca serão as suficientes) tudo o que fizeram por nós durante esta semana e entramos na estação. Naqueles painéis fascinantes, com placas que rodam a toda a velocidade (fazendo um tac tac que lembra castanholas) sempre que parte ou chega um comboio, já está anunciada a hora do nosso. Parte às 18.06 com destino a Budapeste!   
 Luís Sousa