segunda-feira, 5 de março de 2012

O que é o Boccia?


 O Boccia é um desporto, misto, onde não existe divisão por sexos, que pode ser jogado individualmente, por pares ou por equipas de três jogadores. É um desporto, praticado em cadeira de rodas, por atletas portadores de paralisia cerebral e outras deficiências motoras.
Este desporto requer dos jogadores muita concentração, coordenação, controlo muscular, precisão, trabalho de equipa, cooperação e estratégia. O Boccia é jogado em pavilhão, num campo que tem 12,5 metros de comprimento por 6 de largura.


 

 O jogo é composto por dois conjuntos de 6 bolas cada, um de cor vermelha e outro de cor azul e 1 bola branca (bola alvo).




Cada jogador ou equipa dispõe de 6 bolas vermelhas para uma equipa e 6 azuis para a equipa contrária. Existe ainda uma bola branca (bola alvo) e que é atirada, à vez, por cada uma das equipas, seguindo-se as bolas de cor.
O objetivo é lançar as bolas de cor o mais próximo possível da bola branca.
Cada jogo possui quatro “parciais” nos jogos de singulares ou pares e seis “parciais” nos jogos de equipas.
Os pontos contam-se no final de cada “parcial”, sendo atribuído um ponto por cada bola, da mesma cor, que esteja mais próxima da bola branca, até se encontrar a 1ª bola de cor diferente (da equipa adversária).
As bolas podem ser arremessadas com mão, o pé, ou para atletas que tenham uma deficiência que lhes afete os 4 membros, utilizando dispositivos de compensação, calhas e ponteiros para o ato de lançamento.




Um pouquinho de História


Os primeiros sinais de existência deste jogo remontam a alguns séculos antes de Cristo, a um túmulo de um jovem faraó egípcio onde foram descobertas 2 bolas de pedra um pouco maiores que as bolas de ténis, próximas de uma bola mais pequena que deveria ser usada como bola alvo. A este primeiro testamento histórico juntar-se-á mais tarde o contributo dos gregos e dos romanos ao jogarem este jogo, agora com bolas em pele. O Boccia chegou mesmo a fazer parte dos jogos olímpicos dos gregos, como forma de divertimento, identificando-se como um jogo de "atirar bola ao ar".
Assim durante séculos as pessoas juntaram-se nas ruas, nos parques, jardins para jogar Boccia sobre vários nomes: bochs, boulle, petanca, bowling e outros.
O Boccia foi introduzido em Portugal em 1983 aquando da realização do 1º curso de Desporto para Deficientes com Paralisia Cerebral. No ano seguinte integrou o calendário competitivo do Campeonato Nacional para a paralisia Cerebral como modalidade de demonstração.
Hoje em dia, em Portugal, o Boccia é uma das modalidades com maior número de praticantes no que diz respeito à população com Paralisia Cerebral tendo vindo a aumentar um pouco por todo o mundo.
Atualmente realiza-se a nível nacional, o Campeonato Nacional por zonas, a Fase Final e o Campeonato de Portugal. A nível internacional temos os Campeonatos da Europa e do Mundo, a Taça do Mundo e os Jogos Paralímpicos.
Nos últimos 25 anos, os atletas portugueses de Boccia arrecadaram um total de 99 medalhas nas diversas competições internacionais. É, de longe, a modalidade desportiva mais laureada do desporto português.
Por último, informa referir que é uma modalidade do Programa Paralímpico desde os Jogos de Nova Iorque, em 1984.

Gustavo Cunha

Concentração de Boccia do CAE Oeste na EB de Santa Catarina


Disputou-se no dia 7 de Fevereiro, na nossa escola, no âmbito do Desporto Escolar, a 2ª Concentração de Boccia, do CAE Oeste.

Num ambiente festivo, os 38 alunos provenientes das escolas Fernão do Pó – Bombarral, D. Pedro I e Frei Estêvão Martins – Alcobaça, Escola Básica de Peniche e Escola Básica de Santa Catarina, disputaram diversos jogos inerentes ao quadro competitivo do encontro.

Os alunos da área de desporto adaptado da nossa escola que participaram neste encontro foram a Alexandra Antunes, o Tiago Penichet, a Catarina Marques, o Marco Falacha, o João Rocha e a Beatriz Correia. Todos os alunos estiveram muito empenhados nos jogos e tiveram uma boa prestação.

Os Encarregados de Educação dos alunos foram convidados a assistir ao encontro desportivo para encorajar os seus educandos e conhecer melhor a nova modalidade que praticam. Foi muito bom constatar o impacto positivo que este convite causou nos pais. Deste modo poderam perceber que os seus filhos, apesar de limitados pela deficiência na participação plena em outras modalidades desportivas, no boccia, estão plenamente à vontade para mostrar as suas potencialidades. Ver estes jovens a praticar um desporto e vivenciar o graus de responsabilidade, concentração e empenho contribui para a sua auto estima e para estreitar as relações entre eles e seus filhos.

Queremos ainda destacar o apoio das turmas do 1º ciclo do Centro Escolar da EB de Santa Catarina que estiveram presentes na bancada do pavilhão a dar força e ânimo aos seus colegas durante todo o encontro.

Visto que estes encontros são oportunidades únicas para a socialização dos alunos com deficiência, estamos ansiosos pela próxima competição, que será a última do presente ano letivo e irá decorrer na Escola Secundária do Bombarral, no dia 18 de Abril.


Gustavo Cunha e Teresa Miguel







quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

PALESTRA: DIREITOS HUMANOS NAS OBRAS DE PAULA REGO E JUDY CHICAGO (opinião)


No dia 7 de Fevereiro de 2012, fomos à biblioteca para assistir a uma palestra sobre os Direitos Humanos nas obras de duas artistas famosas (Paula Rego e Judy Chicago). Quando lá entrámos deparámo-nos com o seguinte título: «VOTO DE NÃO SILÊNCIO». A professora e investigadora em arte contemporânea e museologia, Genoveva Oliveira, que está a desenvolver um trabalho de investigação entre a Penn State, EUA e o museu Casa das Histórias|Paula Rego, explicou-nos que nunca devemos calar a nossa indignação, nem voltar as costas ao que achamos que está mal. Devemos revoltar-nos contra as injustiças, defender os outros.  A professora Genoveva Oliveira mostrou-nos também um PowerPoint sobre os Direitos Humanos que finalizava com a análise de alguns quadros e exposições das duas artistas (Paula Rego e Judy Chicago). No geral a turma comportou-se bem e esteve muito participativa. Achei muito interessante porque fiquei a saber que, através da arte (música, pintura, etc.), se podem expressar sentimentos e muitas outras coisas, que nos fazem entender e questionar a nossa realidade do dia a dia.
Trabalho realizado por João Filipe Marques 6ºC nº13

 


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Experiência deliciosa!


Foi no passado dia 16 de janeiro que na nossa turma, o 2ºB da Escola Básica de Alvorninha, fizemos uma experiência diferente. Tivemos a ajuda da mãe de uma colega.
Fizemos pão. Para esta experiência utilizamos farinha, água, fermento e sal e precisamos de um alguidar, tabuleiros e um forno. No final comemos pão feito por nós e levamos algum para casa.
Estava delicioso!
 Os alunos do 2ºB





sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Semana 06 a 10 de Fevereiro

- Pesquisar a origem e história dosLenços dos Namorados(alunos do Pré-Escolar e 1º Ciclo) e (re)criar um lenço dos namorados em papel com a colaboração dos Encarregados de Educação.
- Produzir frases ou quadras sobre o amor, os afetos, a amizade...(serão posteriormente utilizadas num workshop que constará na confeção de um lenço dos namorados gigante).
- Criar o coração mais original para o concurso de “corações”. (vamos Amar a nossa escola decorando-a com corações criativos e originais).
- Correio do Amor (concurso de postais, basta escreveres um postal e colocá-lo na caixa de correio do Amor que se encontra na Biblioteca).

Semana 13 a 17 de Fevereiro

- Exposição dos trabalhos dos alunos do Pré-Escolar e 1º Ciclo ((re)criação de um lenço dos namorados em papel)
- Visionamento de um Power Point alusivo à origem e história dos Lenços dos Namorados
- Workshop (bordar um “Lenço dos Namorados” gigante com a colaboração dos alunos, professores, funcionários e idosos do Centro de Dia)
- Karaoke (músicas de André Sardet – acompanhadas com Língua Gestual pelos alunos de LGP e por todos os que quiserem participar nesta iniciativa)
- Entrega de Prémios aos vencedores (o lenço de papel mais gracioso, o coração e o postal mais original e a frase mais criativa, com o patrocinio da BOMBONDRICE).
- Exposição de Literatura na biblioteca relacionada com o tema.

 Atividade da Biblioteca Escolar em articulação com o Projeto de Promoção e Educação para a Saúde e o Centro Social e Paroquial de Santa Catarina.

domingo, 22 de janeiro de 2012

O escritor e ilustrador Pedro Seromenho veio à nossa Biblioteca

No dia seis de Janeiro, dia de Reis, a turma do 4º D foi convida para ir à Biblioteca conhecer e confraternizar com o escritor Pedro Seromenho. Ele, falou e mostrou os livros que já escreveu há algum tempo e, também mostrou várias ilustrações feitas por si. Explicou, que foi convidado pela Sociedade Ponto Verde para escrever a coletânea “RecicloMania”, que contém quatro livros sobre reciclagem. Os livros foram lidos previamente, nas aulas, para conhecermos o seu conteúdo.De seguida, os alunos, quiseram saber como eram feitos os livros e o Pedro Seromenho explicou-lhes com todos os pormenores.
O autor, fez um desenho com as ideias dos alunos, que ficou muito giro. O desenho, falava de um menino que não gostava de doces e que viajava pelo espaço num foguetão e, ficou sem combustível, aterrando num planeta de doces.
Por último, os alunos fizeram algumas perguntas ao escritor e seguiu-se uma pequena sessão de autógrafos.
Foi importante e divertido para nós, termos conhecido um escritor ao vivo.
                                                                      
                  Texto conjunto da turma do 4º D
















Semana da diferença

 No âmbito da comemoração do dia internacional da pessoa com deficiência, na semana de 5 a 9 de dezembro o núcleo de educação especial promoveu no agrupamento a “Semana da Diferença” através de um conjunto de atividades destinadas aos diferentes ciclos de escolaridade.

 Ao longo de toda a semana decorreu a exposição e venda dos trabalhos dos alunos da UAEEAM. Esta iniciativa foi um sucesso, ilustrando de forma explícita as potencialidades das pessoas com deficiência e em especial as dos alunos da Unidade. Professores, alunos e funcionários elogiaram bastante os trabalhos e compraram a quase totalidade dos produtos. Esteve ainda exposto um “Mural de Fotografias de Famosos”, disléxicos, surdos, cegos e atletas, da responsabilidade da professora Cristina Pereira. 


 No que diz respeito ao pré-escolar e 1ºciclo do ensino básico as professoras Catarina Vicente e Marta Gesteiro dinamizaram, na EB Santa Catarina, um conjunto de ateliers que permitiram aos alunos experimentar as limitações visuais, motoras, cognitivas ou auditivas, por que passam os portadores de deficiência. Estas experiências suscitaram dúvidas, curiosidades e comentários bastante interessantes.

Nesta semana de atividades as professoras Teresa Miguel e Catarina Vicente dinamizaram um conjunto de sessões de sensibilização na biblioteca escolar destinada a todos os alunos do 2º e 3º ciclo do Agrupamento. Estas sessões subordinadas ao tema “As potencialidades da pessoa com deficiência” tinham por objetivo dar a conhecer aos mais novos uma perspetiva positiva sobre a inclusão dos alunos com deficiência e a sua integração no mundo do trabalho. Os alunos tiveram a oportunidade de visualizar alguns filmes sobre as potencialidades de pessoas com deficiência nos desportos de competição e no campo artístico. Os alunos e professores convidados participaram com interesse colocando dúvidas dando oportunidade ao debate animado sobre este tema. 

 No encerramento desta semana, o Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor, veio à nossa escola apresentar um jogral intitulado “Discurso de Zé Povinho”. Foi um momento muito interessante de partilha e interação que permitiu dar aos alunos do pré-escolar e 1ºciclo da EB de Santa Catarina uma perspetiva bastante positiva das potencialidades da pessoa portadora de deficiência. 


Com este conjunto de atividades, alunos e professores puderam experimentar, sentir e refletir sobre as potencialidades e dificuldades de cada um, salientando que cada aluno é um ser único e irrepetível. A escola inclusiva considera a criança como um todo, com o objetivo de desenvolver em cada criança todas as suas potencialidades e capacidades independentemente de possuir ou não qualquer deficiência.
Assim, pretendemos proporcionar vivências positivas na escola e a formar alunos que se tornem adultos sensíveis e respeitadores da diferença.
                              
                                         As professoras: Catarina Vicente, Cristina Pereira, Helena Maia, Marta Gesteiro e Teresa Miguel

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

HINO DA EB DE ALVORNINHA

Refrão
De ponta a ponta, de lés a lés
Caminha amigo, mexe os teus pés
Conhece o mundo, cresce por dentro
Santa Catarina é o nosso agrupamento

I
Queremos viver com alegria
Em cada terra e freguesia
Fazer da escola a companheira
A recordar p’ra vida inteira

Refrão

II
Fazer da escola mais um lugar
P’ra comunidade se orgulhar
Ter nos pais e nos professores
Um grupo amigo de educadores

Refrão

III
Ter nos alunos o sentimento
Da união do Agrupamento
Em Alvorninha andei em petiz
E eternamente serei feliz

Refrão





domingo, 15 de janeiro de 2012

Festa de Natal DO NÚCLEO de Alvorninha

A Festa de Natal do núcleo pedagógico de Alvorninha aconteceu no dia 14 de dezembro, na Associação Recreativa dos Chãos, e traduziu-se num importante momento de convívio entre a comunidade escolar e respetivas famílias.
Foi apresentado um espetáculo variado, cheio de animação, e que deixou transparecer o enorme empenho e entusiasmo de todos os que nele participaram. Para além das atuações dos diferentes grupos/turmas e de um grupo de encarregados de educação, assistiu-se à primeira apresentação do coro da EB de Alvorninha, que entoou várias canções, dando também a conhecer o hino da EB de Alvorninha.
Como não podia deixar de ser, no final do espetáculo, apareceu o Pai Natal para entregar a todas as crianças os presentes oferecidos pela Junta de Freguesia.
Seguiu-se depois um lanche convívio.
Todos gostaram da festa e foram muitas as manifestações de apreço pela forma como a mesma decorreu, pelo trabalho desenvolvido por alunos e docentes e pelo espírito de colaboração estabelecido com os encarregados de educação.



Diário Comenius Turquia (dia 3): O Café Turco e a Arte da Adivinhação








Um exemplo de um cremoso café turco.


Os apreciadores de café não devem deixar passar a oportunidade de o experimentar na sua versão turca. Também será verdade que alguém originário de um país com larga tradição no consumo de café, como é o caso de Portugal, dificilmente, passará a preferir o café turco em detrimento das nossas estimadas bicas. Ainda assim, valerá sempre a pena apreciar esse momento, caso a ocasião se proporcione.
O ritual do café na Turquia, é por excelência, um ato que tem o seu tempo próprio. Não se coaduna com a pressa lusitana do beber uma bica ao balcão enquanto se corre para aquele que será o nosso destino final. Na Turquia, são as próprias características do tipo de café que se consome, que o torna um ato demorado. Passamos a explicar o processo, fruto das nossas observações. Quando o café sai da cafeteira para a xícara, há um tempo necessário para que a borra possa assentar no fundo do recipiente. Por este motivo, não seria agradável sorver de imediato o café, pelo que tudo se conjuga para que a conversa se desenrole enquanto o café se apronta. Só deste modo, será possível bebê-lo, usufruindo de toda a sua plenitude. Estes momentos são perfeitos para situações como aquela em que nos encontramos. E as que nos rodeiam. A um nível inicial de conhecimento mútuo. A espera tem um efeito de desbloquear a conversa. Os diálogos discorrem à volta de assuntos variados, desde as características do café em cada um dos países de onde somos originários, até alguns avanços em relação a pormenores do projeto. O cenário, esse não poderia ser melhor. Brindados que somos com uma vista fantástica sobre o imenso mar Negro, fruto do nosso posicionamento na parte alta da cidade.
Quando finalmente a borra do nosso café assenta no fundo da chávena, observamos com interesse a espuma que entretanto se formou no topo e ninguém fica indiferente ao aroma que se espalha no ar. Os nossos colegas turcos, não têm mãos a medir pelas inúmeras perguntas que lhes fazemos. E que simpaticamente, vão tentando responder a todas elas. É deste modo que entre outras informações, mais ou menos relevantes, ficamos a saber que por estas bandas é costume moer o café muito fino, e que posteriormente deve ser fervido três vezes num recipiente próprio a que chamam “cezve”. É essa moagem fina que dá origem à leveza da borra provocando esse tempo de espera que referimos anteriormente.


Depois de bebido, a chávena do café é virada ao contrário para que as borras possam espalhar-se em diversas formas que serão depois interpretadas.

O momento esperado por todos é o fim da degustação do café. É nessa altura que a professora Aylin brilha, ao demonstrar a todos os presentes, a arte de desvendar o futuro nas borras do café. Tentar adivinhar a fortuna de cada um nos desenhos (completamente abstratos para leigos na matéria) que se formam no fundo da chávena é tido por muitos turcos (com certeza mais crédulos do que o nosso grupo de portugueses) como uma arte a ter em conta. Claro que este exercício de futurologia não falha em nada no objetivo principal, animar as hostes. O verdadeiro benefício desta prática acaba por ser os bons momentos de convívio que proporciona a todos os presentes, que não se dão conta de como o tempo passa.

Luís Sousa

A professora Aylin a ler atentamente as borras do café enquanto nos explicava as bases deste hábito secular.

Diário Comenius Turquia (dia 3): “Ainda e sempre à volta da cozinha turca”








O ayran, o iogurte salgado que bebemos durante o almoço.
 Não há como escapar à temática da gastronomia turca. A riqueza de aromas, cores e paladares que oferece é de tal modo rico, que dá a quem vem de fora a sensação de estar permanentemente a experimentar novos sabores. A variedade de pratos parece ter como grande segredo o modo como os ingredientes se combinam. Nas nossas investigações preparatórias para a viagem conseguimos perceber que este é um país produtor de alimentos muito diversos, com grande destaque para os frutos, legumes e vegetais. A geografia da Turquia abrange uma vasta área, com muitas regiões a terem elementos e características fortemente distintas entre si. A cozinha turca beneficia ainda do fato de a Turquia estar entre o oriente e o mediterrâneo.
“A comida do rei, transforma-se também na comida do povo, é só uma questão de tempo” lemos nós num guia de viagens sobre Istambul, num capítulo dedicado à importância da cozinha otomana de palácio e o modo como esses costumes da corte dos sultões, aos poucos tinham sido adaptados pela população em geral. Todos estes fatores acabaram por se misturar com a cozinha imperial otomana, dando origem a uma das mais fascinantes gastronomias mundiais. Estes foram alguns dos temas, motivo de conversa durante o almoço.
Passemos então à descrição de algumas das iguarias que pudemos apreciar durante a degustação dessa refeição. A bebida que acompanhou o almoço, o ayran, dividiu opiniões. Entre nós, houve quem tivesse gostado muito, mas em abono da verdade, também alguns de nós, não conseguiram interiorizar bem o motivo pelo qual, esta mistura de iogurte, água e sal, é tão popular em toda a Ásia Central. Foi talvez a parte menos consensual do almoço. Não espantou portanto, que parte da comitiva se tenha refugiado na água mineral como acompanhamento líquido do repasto.

Baba Ghanoush, um bom exemplo da deliciosa gastronomia turca.

Em relação aos alimentos sólidos, não há registo de divisão de opiniões. Ficámos rendidos ao Baba Ghanoush, uma pasta de beringela grelhada, posteriormente moída e misturada com tahine (sementes de gergelim moídas). Pareceu-nos temperado com alho, sumo de limão e uma especiaria que talvez pudessem ser cominhos. O todo é regado com azeite e servido bem quente. A acompanhar, Gözleme, uma muito saborosa espécie de panqueca que pode ser enrolada com variados alimentos (provámos com carne picada).
Deliciosa foi também a conversa sobre comida a que mantivemos durante o almoço. Os nomes de alguns dos pratos perderam-se nas traduções, nas dificuldades em encontrar significados para certos alimentos menos comuns para nós. Pudemos comprovar que somos o único povo a ter como característica, o estar numa refeição e ter a capacidade de ir falando, de outros alimentos, de outras refeições e todo o tipo de memórias passadas que envolvam sabores. O resultado, está-se mesmo a ver, fomos (portugueses e turcos) os últimos a acabar de almoçar.
E aquela vista altaneira sobre Samsun entrando pelo mar Negro dentro, que nos convidava a deixarmo-nos estar ali, quietinhos, só a olhar. 

Luís Sousa

Gözleme, uma espécie de panqueca turca que pode ser recheada com várias coisas.

As saladas na Turquia têm sempre um ar fresquíssimo e saudável.
Do local onde almoçámos podíamos olhar o mar Negro até onde a vista alcançava.

Diário Comenius Turquia (dia 3): “Finalmente, todos juntos!”








Acordar cedo não custa nada quando se tem esta vista para o Mar Negro.
O dia em Samsun amanhece cedo, com os sons da chamada do muezzin (nome dado à pessoa que no Islão convoca os crentes) para a primeira oração da manhã. Aos poucos, vamos acomodando-nos à diferença horária. O dia será cheio, há bastante que fazer. Em concreto, será o primeiro dia em que todos os parceiros do projeto estarão juntos, já que os nossos colegas eslovacos, húngaros e ingleses, vieram diretamente para Samsun.
Dizem-nos que o encontro irá decorrer num espaço que serve para diversos fins, sendo o de Centro de Juventude de Canik (uma das áreas de Samsun), um deles. É aí que iremos, professores e alunos, reunirmo-nos todos pela primeira vez. Será a nossa base de operações para o trabalho do projeto. Durante o percurso, temos oportunidade de ver a cidade à luz do nascer do dia. E ter a consciência de que é uma cidade de grande dimensão, com quase o dobro da população de Lisboa.  Passamos por áreas residenciais, várias mesquitas e até o estádio de futebol da equipa local, para finalmente assomarmos ao centro de juventude.
Encontramo-nos com a Beatriz, o João, a Rita e o Samuel. Passaram a primeira noite com as suas famílias de acolhimento. É com agrado que registamos as primeiras impressões positivas. Todos estão contentes e bem integrados. Os colegas turcos que os receberam também parecem satisfeitos. A comunicação entre todos avança a bom ritmo, numa mistura de inglês com aprendizagens de parte a parte no que toca à língua portuguesa e turca. Um dos objetivos principais do projeto cumpre-se através destas dinâmicas interculturais.
Dar a conhecer quem somos e de onde vimos, é sempre algo da maior importância em todos os projetos de cooperação que existem por essa Europa fora. Mais uma vez, tentámos tornar visível esse ponto de vista apresentando aos presentes, a nossa escola e um pouco da nossa região. É também o momento, de agradecermos ao professor Martinho Pina, cuja coordenação, dedicação (e paciência infinita) permitiu apurar o material que utilizámos até ao ponto de nos deixar a todos satisfeitos. Após alguns pequenos problemas técnicos, com origem em diferenças informáticas entre Portugal e a Turquia, os professores Olga Matias e Luís Filipe Sousa efetuaram uma breve apresentação do que a plateia iria assistir. No final temos oportunidade de entregar a todas as comitivas algumas ofertas elaboradas na nossa escola por várias turmas e professores.
Findas as apresentações das escolas, houve também lugar a diversas mostras musicais e de danças étnicas por parte dos alunos da escola de Samsun, que regalaram todos os presentes com exibições artísticas do rico património musical turco. No fim, chamaram os restantes alunos para participarem nessas danças, dando origem a uma enorme fusão cultural onde reinava a alegria. Ninguém diria que em tão pouco tempo, todos aqueles jovens pareciam já ter tanto em comum.
Já ia adiantada a manhã, quando marcámos presença numa pequena sessão com o presidente da câmara de Samsun, que num breve discurso, referiu os proveitos de fomentar estes intercâmbios culturais, que aproximavam povos e estreitavam laços entre pessoas com origens tão diversas. 

Os nossos alunos e os seus novos amigos turcos num momento de ensaio coreográfico ao som de uma música que saia da carrinha.

Seguiu-se o almoço. Os nossos alunos beneficiaram de uma tarde livre que aproveitaram para explorar diversas partes da cidade de um modo privilegiado, já que tendo a companhia das gentes locais, a visão e o acesso que temos a diversos locais é completamente diferente. Quanto aos professores, seguiram para a escola Samsun Türk Telekom Lisesi. Fizemos uma visita guiada às instalações, com oportunidade para ir comparando o funcionamento dos diversos sistemas de ensino. Após este momento, ainda houve oportunidade para a realização de mais uma reunião de trabalho. Nesta, tivemos oportunidade de mostrar aos nossos colegas, o trabalho entretanto desenvolvido desde o encontro de fevereiro, realizado na Eslováquia. Após nova distribuição de tarefas, ficámos incumbidos de idealizar e concretizar algumas propostas para capa do livro que irá ser publicado aquando da etapa final do projeto.

Luís Sousa


O grupo de alunos Comenius presente na Turquia já começava a ficar composto.

A plateia ia ficando composta no momento de dar início à apresentação das escolas participantes.

Um momento em que todos os alunos participaram em mais uma dança turca. Com direito a efeitos de fumo e tudo.

Os nossos alunos junto ao uma grupo de alunos que mostraram ser excecionais em alguns géneros de dança tradicional da Turquia.

Durante a sessão em que fomos recebidos  pelo presidente da cidade de Samsun.

O Diretor António Saloio na escadaria de acesso à escola dos nossos parceiros turcos.