

Eis-nos de regresso ao
aeroporto Istambul Ataturk. Desta feita, iremos para a zona de voos domésticos
ao invés da zona de embarques internacionais. Chegámos com a devida
antecedência, o que nos dá uns momentos para observar a zona de entrada do
aeroporto. O movimento é constante, mas fluido. Quem chega é recebido por
dezenas de bandeiras turcas a esvoaçar, amarradas aos respetivos postes. Também
aqui é notório o orgulho que os turcos têm à sua bandeira.
Foi com alguma
preocupação que tratámos de realizar o check in. Isto, porque alguém se lembrou que indo nós apanhar um voo doméstico, o
limite de peso de bagagem por passageiro poderia não ser os vinte quilogramas
permitido nos percursos internacionais. E não é que não era mesmo? Somente
quinze quilos por passageiro! Os minutos seguintes passaram-se já a fazer
contas à vida (ou melhor ao dinheiro) que seria necessário para fazer face ao
peso excedente. Finalmente, o primeiro de nós é chamado ao balcão. Quando o
segundo do grupo recebeu sinal para avançar e iniciar o seu o check in apercebemo-nos que os funcionários iriam usar como referência o somatório
de todas as bagagens. Começou aí o penoso período de pesagem, mala a mala até
ao peso total. Quando a última mala se juntou às seis que estavam na balança o
resultado era ainda meio imprevisível. Podia resultar em qualquer cenário. Eis
quando a balança anuncia o resultado final. Acompanhado do sorriso cúmplice de
toda a gente que estava a receber bilhetes atrás do balcão, as nossas malas
ultrapassaram com sucesso o desafio…embora apenas por um pouco menos de uma
dezena de quilogramas.
| Quase a iniciar o check in para o voo com destino a Samsun. |
- Olhar para os passageiros em trânsito e imaginar de onde vêm e para onde vão, construir-lhes uma personagem e viajar mentalmente para os seus destinos;
- Deliciarmo-nos a observar a sinalética em turco e aproveitar a oportunidade para aprender mais algum vocabulário turco. É incrível como este passatempo ganha novos apreciadores viagem após viagem;
- Olhar para a pista do aeroporto, tentando perceber o fascínio do planespotting (sim, existe uma atividade com inúmeros fãs, que consiste em observar aterragens e descolagens de aviões e subsequentes manobras em pista).
| A Onur Air foi a companhia aérea em que viajámos de Istambul para Samsum. |
Finalmente, e após o
anúncio de um pequeno atraso na descolagem, chega a nossa vez de partir. A
entrada no avião faz-se de um modo, que nos pareceu pouco habitual e até meio
confusa. A fila de entrada não parece muito certinha e a sensação que nos
transmitiu é que havia ali muita gente com pressa de regressar a casa.
Saudades, talvez. O certo, é que com toda a calma do Mundo, sentamo-nos nos
nossos lugares e num instante estávamos no ar.
| A fazer passar o tempo. Cada um entretém-se como pode. |
| Já ninguém resiste ao sumo de cereja turco. |
O dia já caminha para o seu ocaso, o que torna a descolagem de Istambul, mais um momento para ficar na memória. Lá em baixo, a cidade vai ficando para trás, envolta em todos os tons possíveis de amarelos e acobreados, enquanto o céu nos apresenta uma paleta muito sublime de azul e tonalidades de laranjas. O avião dirige-se rapidamente para o mar Negro. Conseguimos vislumbrar perfeitamente, todo o recorte da costa. Conforme, vamos ganhando altitude, vemos os petroleiros e outros navios de carga que sulcam o mar Negro, irem diminuindo de tamanho até ficarem quase minúsculos. Dentro do nosso grupo, é tempo para alguns aproveitarem para descansar uns momentos, enquanto outros conversam ou tentam trabalhar um pouco. A viagem será rápida. Uma hora e um quarto previsto para o voo.
Já caiu a noite quando
aterramos em Samsun. O cansaço já vai fazendo algum peso e alguns de nós
começam a revelar alguma fadiga. Já estamos de pé desde as seis da manhã e com
muitos quilómetros andados. Este aeroporto não tem grandes dimensões e mal
saímos do avião, damos por nós dentro da sala onde daqui a pouco certamente
aparecerão as nossas malas. Tal como alguém já tinha reparado durante a viagem,
são poucos os passageiros com feições europeias. A bem dizer, parecia não haver
mesmo mais ninguém.
Até um simples momento em que
esperamos bagagem pode revelar-se curioso. A nossa espera também teve as suas
curiosidades. Ao iniciar o movimento, a passadeira rolante que traria as
bagagens de todos os passageiros, rapidamente começou a revelar objetos que nos
pareceram mais interessantes dos que as coloridas malas que desfilavam perante
o nosso olhar. O espanto recaiu em três garrafões enormes, talvez com uns vinte
ou trinta litros de capacidade que rodopiaram com algum estrondo até
descansarem na passadeira. Trazer água engarrafada dentro de um avião? Durante
algum tempo a nossa atenção desviou-se para uma saca enorme que também fez a sua
aterragem no tapete rolante. Infelizmente para o proprietário da mesma,
rompeu-se numa das tropelias a que foi sujeita durante a viagem. Pequenas quantidades de tâmaras iam caindo do
saco esfarelado. Rapidamente se percebeu quem era o proprietário do saco, já
que um senhor ao nosso lado não conseguiu esconder o desespero. Num ápice,
juntamente com os filhos quase saltaram para o tapete rolante e começaram a
recolhê-las. Tentámos de algum modo ajudar, mas ao apanharmos algumas, o dono
dos frutos secos quase que nos arrancou das mãos os que tínhamos conseguido
apanhar para lhe dar.
Luís Sousa
| O planespotting é já uma das nossas distrações de aeroporto. É vê-los partir e chegar. |







