Estreitos são os caminhos que nos levam até à mesquita de Rüstempaşa. Caminhamos por vielas acanhadas. Em algumas delas quase poderíamos tocar nas duas paredes que ladeiam o percurso se por acaso tentássemos esticar ao máximo os nossos braços. De modo algum, o facto de serem estreitas e algo escondidas do sol faz com que estejam vazias. Aqui também existe vida e por isso também se vê muita gente a conversar e a tentar fazer alguns negócios de circunstância. Existem também algumas lojas, embora em menor número. Têm um ar mais familiar e menos organizado do que as localizadas nas grandes ruas principais. Ainda assim, o movimento é menor, assim como os preços dos produtos que vendem. Isto é algo que já aprendemos, as ruas paralelas e menos dados ao turismo de massa têm os preços substancialmente mais baratos.
| A Mesquita de Rüstempaşa é visível a partir da praça central junto ao Bósforo. |
Ao fim de uma ruela mais comprida viramos à esquerda. De súbito, temos mais espaço, já que o caminho alarga um pouco. A placa afixada na parte superior da parede deixa ler “Rüstempaşa Camii” e indica ser este o caminho correcto. Encontram-se por aqui mais alguns grupos de pessoas a conversar. Ao observá-los ficamos com a sensação que a média de idades é algo elevada. Focamos a nossa atenção em dois senhores, já com alguma idade, que parecem entreter-se com algo que não percebemos muito bem o que será. Um deles segura um saco preto, de onde o segundo retira aquilo que nos parece ser bolas brancas com números impressos. Posteriormente, comparam os números das bolas com uns papelinhos. Mais tarde, questionaremos alguns amigos turcos sobre o que nos pareceu ser uma estranha actividade e tudo se desvendará num ápice. Afinal, talvez embalados pela ambiência exótico-misteriosa do local, não assistimos a mais do que um jogo típico que os mais idosos fazem como passatempo. E nós a imaginarmos explicações dignas de um filme.
| A placa que indica “Rüstempaşa Camii” mostra que estamos no caminho correcto. |
Passamos uma arcada e iniciamos a subida de uma escadaria interior. Não estamos em nenhum edifício. É apenas um prolongamento do nosso percurso, uma espécie de atalho que nos levará à mesquita. A meio da subida, reparamos num gradeamento que deixa antever parcialmente a viela onde estávamos há minutos. Mais uns degraus e chegamos finalmente à mesquita. E que pérolas esta pequena mesquita se revelou.
| O percurso para a mesquita faz-se por vielas e arcadas que nos surpreendem a todo o momento |
A mesquita deve a sua designação a Rüstem Paşa, um homem que foi Grão Vizir (um dos mais altos cargos do império Otomano), talvez por ter sido casado com uma das duas filhas do sultão Suleimão, o Magnífico. Foi construída entre os anos 1561 e 1563 e, apesar de não ser propriamente uma mesquita imperial, algo que se nota imediatamente devido ao seu tamanho. Muito interessante é também o local escolhido para a sua construção. Estamos num terraço altaneiro e daqui se vislumbra todo o complexo de lojas que a rodeia. Pela informação disponível tomamos conhecimento que esse foi uma das considerações aquando da construção da mesquita. Os alugueres das lojas aos comerciantes em redor deveriam financiar a manutenção de todo o complexo da mesquita.
| Pormenor da fachada exterior da mesquita de Rüstempaşa. |
À entrada está um senhor que nos aponta o local onde poderemos deixar o nosso calçado em segurança. Também as visitantes do sexo feminino cobrem os cabelos com um lenço, tal como costume na tradição islâmica. Lá dentro, não há como ficarmos maravilhados com aquilo que está à nossa vista. Toda a mesquita é coberta por azulejos que deixam observar um trabalho fantástico baseado em motivos geométricos e em diferentes temas florais. Do tecto pende uma estrutura que tem por função iluminar o recinto e que também contribuí para o ambiente fantástico que aqui se vivencia. Tal como é costume nas mesquitas, o silêncio é quem domina por aqui. Envolvidos pela calma e pelo sossego deixamo-nos ficar a observar os crentes que fazem as suas orações e a usufruir do fresco que se sente aqui dentro.
Luís Sousa
| Os elementos femininos do nosso grupo trajados a rigor para entrarem na mesquita. |
O interior da mesquita é
simplesmente fantástico e repleto de pormenores de grande beleza.


