terça-feira, 2 de agosto de 2011

Diário Comenius Turquia (dia 2): “Comer kebab num último andar de Hocapaça”







 Ao sairmos da Basílica Cisterna damos por isso que a hora já vai algo avançada. É tempo de discutir onde iremos almoçar. Avaliam-se desejos e sugestões. Por proposta do Orhan, o nosso guia, optamos por um restaurante, que segundo ele, é acolhedor e serve um bom kebab. Este é um prato que tem origem persa. A Pérsia foi um império imenso cuja base constitui actualmente o Irão. As rotas comerciais fizeram o seu papel ao transmitirem esta iguaria a todo o Médio Oriente, incluindo a actual Turquia. Um kebab é basicamente uma espetada (pelo menos para os portugueses). Sabemos no entanto, que aqui são muito boas. Geralmente são elaboradas com carne de frango e borrego. Depois é tudo uma questão de temperos. E como sabemos, no que toca a temperos, estamos no sítio certo.


A placa indica que estamos muito perto de entrarmos na Basílica Cisterna.

Enquanto cada um pensa na opção frango/borrego e na variante picante/menos picante aproveitamos para observar o cenário que nos rodeia. À nossa volta podemos admirar alguns edifícios que nos parecem ter origem nos finais do século XIX, talvez já mesmo século XX. Têm como característica o facto de serem construídos utilizando a madeira como material essencial. Já não se vêem muitas construções com estas características, pois segundo parece, os incêndios que deflagraram longo do último século colocaram-nas na categoria de raridades arquitectónicas. Ainda assim, estamos diante de um magnífico exemplar amarelo que serve actualmente como esquadra de polícia. 

Esta esquadra de polícia está instalada num belo exemplar de arquitectura construída em madeira.
Tomadas as decisões no que concerne ao local do almoço avançamos em direcção ao restaurante. O caminho é bastante agradável. Basicamente seguimos a linha do eléctrico descendo da área de Sultanahmet (onde nos encontrávamos inicialmente) para uma zona que se chama Hocapaça (já mais próximo das margens do Bósforo). Mudamos de zona, mas não deixam de existir motivos de interesse, que nos atrasam constantemente o passo. Isto acontece sempre que aparece mais algum edifício com interesse histórico ou algo que se revista de interesse cultural. Nas montras, vamos admirando coisas como vestuário típico, uma quantidade infindável de doçaria (toda ela com um aspecto divinal) ou mesmo actividades que se desenrolam à frente dos transeuntes, como foi o caso das duas senhoras, vestidas de branco, a mesma cor da farinha que trabalhavam para transformar numa massa para algum fim culinário.   

Estas senhoras mostravam para os transeuntes a arte de amassar.
 Enfim, chegamos ao local onde iremos almoçar. Tem um ar bastante simpático e uma construção, digamos peculiar. Subimos vários lanços de escada, que desafiam o nosso equilíbrio até chegar ao último andar. Muito cuidado para não cair da escadaria de madeira ou bater com a cabeça em algumas partes mais baixas. A vista sobre os telhados da cidade é deveras curiosa. Interessante é também acercármo-nos da janela e observar a vida desta urbe gigantesca a desenrolar-se. Aqui em cima sente-se uma calma que não existe no nível térreo. Durante o dia, as ruas estão permanentemente repletas de gente em movimento. E nem o trânsito intenso parece fazer descarrilar a ordem (ainda que meio caótica) em que tudo decorre. Um dos pormenores que temos constatado prende-se com o facto de não termos visto ainda nenhum tipo de acidente nas ruas. O que acreditem, não deixa de ser uma proeza digna de registo. É neste quadro de reflexões e comentários que os nossos kebabs com salada nos apanham quando chegam à mesa. Está na hora de mais uma experiência gastronómica turca.
Luís Sousa

Um quiosque extremamente original.
A linha do eléctrico acompanhou todo o nosso percurso até Hocapaça.
A deliciosa doçaria turca está sempre presente para quem deambula pelas ruas de Istambul.
O local escolhido para almoçar surpreendeu pela comida, pela simpatia e pela calma que se sentia no último andar.

Diário Comenius Turquia (dia 2): “Nas profundezas da Basílica Cisterna”








Alguém que em Sultanahmet olhe em redor da praça central, dificilmente irá concentrar a sua atenção numa espécie de pilar de pedra num estado de conservação aproximado ao da ruína. No entanto, a placa indicativa da proximidade da Basílica Cisterna lembra imediatamente algo que já tinhamos planeado visitar, se tal fosse possível. Sabíamos que era um dos pontos altos de Istambul (embora se localize num substerrâneo) cuja magnificiência não nos deixaria indiferentes.
A entrada faz-se através de uma bilheteira que não deixa adivinhar nada de especial. Só quando iniciamos a descida pela escadaria com uma inclinação que exige algum respeito e cuidado é que começamos a sentir subitamente o ar a refrescar. Também a luminosidade do exterior dá lugar a uma penumbra alaranjada. Ainda na escadaria temos o primeiro fantástico contacto com a Basílica Cisterna. 

Da superfície, esta espécie de coluna em pedra é a única coisa que se vislumbra da Basílica Cisterna.
Dizem que a primeira impressão é fundamental para formarmos opinião sobre algo ou alguém. Ficámos boquiabertos com aquilo que estava perante nós. O contraste da escuridão com a iluminação laranja estudada ao pormenor para conferir um ambiente perfeito ao local consegue transportar-nos no tempo. De repente, parece que viajámos no tempo.
A placa indica que estamos muito perto de entrarmos na Basílica Cisterna.
Quando no distante ano de 532, o imperador bizantino Justiniano ordenou a construção desta cisterna não terá imaginado que muito séculos depois, iria tornar-se numa das principais atracções de Istambul. São 336, as colunas dispostas em doze fileiras que suportam o tecto da cisterna, que segundo o folheto que temos em mãos, tem 65 metros de largura e 143 de profundidade. Foi construída usando ruínas de outras construções. É esse o facto que explica a presença de colunas, capitéis e plintos que parecem ter vindo de edifícios imponentes, alguns provavelmente religiosos.

Quem desce a escadaria de acesso à cisterna tem uma primeira visão fantástica do que irá vivenciar.
Quase mil e quinhentos anos depois de ter sido construída, continua a ser extraordinário a concepção técnica desta construção. É algo grandioso demais que não é passível descrever com exactidão através de palavras ou fotografias. Vamos percorrendo os passadiços devagar, mirando as carpas que serpenteiam entre as colunas e admirando todos os pormenores, cores e reflexos proporcionados pelos milhares de metros cúbicos de água que ainda aqui repousam. Antigamente, tinha muito mais. Para suportar a pressão da água, as paredes da cisterna têm quatro metros de espessura, o que a tornou resistente a qualquer tipo de imprevisto, pelo menos até aos dias de hoje.
Os tectos abobadados são simplesmente fantásticos.
Mesmo ao fundo de todo este percurso estão aquelas que porventura serão as duas maiores atracções da cisterna. Falamos das duas colunas que estão suportadas por cabeças de Medusas. Não se sabe de onde terão vindo originalmente mas o facto de uma estar virada ao de cabeça para baixo e a segunda com a face de lado faz as delícias dos visitantes. Toda a visita culmina neste espaço. É o local onde se concentra mais gente, onde se ouve mais ruído e também aquele onde temos mais dificuldade em desviarmo-nos dos pingos de água que vão caindo do tecto. 
Só agora nos apercebemos o porquê da palavra basílica associada a esta cisterna, já que nada aqui em baixo tem algum aspecto religioso. Recorrendo à informação que está disponível, percebemos que este reservatório foi construído debaixo de uma basílica e tinha como função fornecer água um palácio que existia por aqui. Com o passar dos séculos foi caindo em desuso e mais tarde no quase total esquecimento. Quando os Otomanos conquistaram a cidade já nada restava da memória da cisterna. 

São 336, as colunas que suportam o tecto da Basílica Cisterna.

A cisterna como que regressou à vida, quando um estudioso das antiguidades e passado da antiga Bizância (o primeiro nome que foi dado à cidade de Istambul) falou com alguns habitantes das redondezas. Estes disseram-lhe que conseguiram obter água nas suas caves. E por vezes, até peixes. O homem, de seu nome Petrus Gyllius, ficou espantando e curioso e logo começou a investigar procurando lógica no que o povo considerava uma espécie de milagre. Após uma busca intensiva descobriu uma casa por onde consegui aceder à cisterna. O mais incrível é que os otomanos não lhe viram utilidade nenhuma, passando a cisterna a ser um depósito de lixo e até de corpos. Felizmente, não foi esse o destino final de tão belo exemplo das capacidades de construção do Homem e os restauros que foram sendo realizados desde o século 18 permitiram que todos possam deslumbrar-se com o cenário que a Basílica Cisterna proporciona.

Os jogos de luz dão um efeito mágico à Basílica Cisterna.
Vista da Basílica Cisterna onde podemos ver a disposição das colunas que a suportam.
Uma das famosas cabeças da Medusa que servem de base a uma das colunas.
Aqui um vídeo que pode dar uma ideia do que é a Basílica Cisterna.



Ainda como recomendação cinematográfica não deixem de ver ou rever o filme de 1963, “OO7- Da Rússia com Amor “007 - From Russia With Love” em que Sean Connery faz de James Bond. Esta película tem como um dos locais de filmagem Istambul e uma cena memorável de perseguição nesta mesma cisterna.

Luís Sousa

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Diário Comenius Turquia (dia 2): “A Câmara das Audiências e a sala de leitura de Ahmet III”








Estamos quase no final da nossa vista ao palácio Topkapi. Ainda temos tempo para visitar a Câmara das Audiências. Esta divisão está logo a seguir à Porta da Felicidade, aquela que somente o sultão e a rainha-mãe podiam atravessar sem pedir autorização a ninguém. Todos os outros precisvam de permissão. Ora, nesta divisão, o sultão também recebia pessoalmente ilustres dignatários, oficiais, e embaixadores. Era um privilégio que não estava ao alcance de muitos, por isso supomos que os assuntos aqui tratados deveriam ser da mais alta importância.

Entrada da Câmara das Audiências

A segurança do sultão era uma questão extremamente delicada. E por isso, ninguém facilitava, não fosse acontecer alguma tragédia (e aconteceram algumas enquanto durou o Império Otomano). Todos eram revistados à entrada para a audiência com o sultão. Enquanto se procurava por armas escondidas, os braços dos revistados eram mantidos seguros pelos eunucos brancos (por incrível que pareça havia divisão por raça entre os eunucos). Era assim que eram conduzidos à presença do sultão. Na altura correcta, deveriam ajoelhar-se e fazer a reverência ao governante. Se ao visitante lhe ocorresse não cumprir este protocolo, os eunucos brancos tratariam de o convencer, à força se necessário.
Pormenor dos sofás onde o sultão usufruía de momentos de leitura
Todos estes pormenores nos deixaram fascinados. Não há como resistir a detalhes como o facto do sofá (seria mais apropriado designar o que vimos como cama) do sultão ter almofadas com cerca de 15 mil pérolas embutidas. Aqui parados a observar a sala, podemos facilmente imaginar o sultão deitado neste sofá gigantesco, inspeccionando as oferendas e presentes dos embaixadores estrangeiros, muitos deles recebidos com leves bocejos e indiferença pouco disfarçada. Mesmo que falassem a mesma língua, o sultão não se dignava a falar com estes visitantes além-fronteiras. Aos visitantes estava proibido falar directamente com o monarca. Isto só era permitido ao Vizir (espécie de Primeiro-ministro) e a outros poucos altos funcionários otomanos. Talvez intimidados com este facto, ninguém se lembrou de tirar fotografias ao interior. Algo que já não aconteceu com a biblioteca de Ahmet III.
Esta biblioteca é na verdade uma sala de leitura, já que aqui o sultão podia passar alguns momentos de descanso enquanto lia. Foi mandada construir pelo sultão Ahmet III em 1719. Ficou posicionada logo atrás da Câmara das Audiências. Ao contrário da outra divisão, esta não tem um ar tão solene e consegue transmitir um certo ambiente de relaxamento, o que com certeza seria um dos objectivos desta sala. É cheia de luz e ricamente decorada com madeira trabalhada. Talvez ao menos aqui o sultão pudesse ter o prazer de gozar alguns momentos de paz e sossego. 

A sala de leitura tem uma decoração extremamente rica

Quanto a nós, chegámos ao fim da nossa visita ao palácio Topkapi. Muito ficou por ver e por contar. Fica para uma próxima oportunidade. Temos que acreditar que voltaremos sempre aos sítios que gostamos. De seguida, iremos novamente para o centro de Istambul. O plano é almoçar em Sultanahmet, fazer mais algumas visitas durante a tarde e perdermo-nos nas ruas estreitas da cidade em busca de novas emoções. 

Luís Sousa

A traseira da biblioteca Ahmet III
Fonte que decora a traseira do sala do biblioteca Ahmet III

Diário Comenius Turquia (dia 2): “O tesouro imperial”









Vista exterior da secção do Pavilhão dos Conquistadores
É com muita pena nossa que não nos é possível apresentar fotografias sobre o que falaremos neste texto. Simplesmente, nesta parte do palácio, tal não é permitido. No entanto, era uma pena não fazermos referência a esta fracção do palácio, uma área denominada Pavilhão dos Conquistadores. Actualmente, é aqui que está exposto o tesouro imperial otomano e ainda a colecção de trajes antigos, nos antigos dormitórios das forças expedicionárias. É quase impossível descrever em pormenor todas as preciosidades que tivemos o privilégio de ver. É imensa a riqueza das peças que são apresentadas. São às centenas, as peças de ouro, prata, rubis, esmeraldas, jade, pérolas e claro, diamantes. Perante a dificuldade em seleccionar o que descrever perante tantas peças, destacaremos aquelas que mais nos impressionaram. E aqui, terão obrigatoriamente que ser referidas, a espada do sultão Suleimão, o Magnífico, toda ela incrustada de pedras preciosas, assim como o trono de Ahmed I, um trabalho magnífico em ouro maciço, ornamentado com madre-pérola, ou o esplendoroso punhal que o imperador da Pérsia enviou como presente a um sultão otomano. Estes presentes selavam muitas vezes, pactos entre impérios até que os interesses de ambos voltassem a divergir. Eram épocas onde a diplomacia era realizada com a ajuda de presentes fabulosos, na expectativa que os mesmos recolhessem a atenção de quem já tinha tudo o que era possível.

Um vapur atravessa o Bósforo levando passageiros para a parte asiática de Istambul

Vista da varanda do Pavilhão dos Conquistadores (palácio Topkapi). Ao fundo, a parte asiática de Istambu
As filas de visitantes são grandes. A curiosidade das pessoas faz com que a visita ao tesouro se processe de um modo lento, já que prosseguimos encostados junto às vitrinas, olhando uma a uma. Quando alguma coisa clama pela atenção de alguém, a fila pára. Por outro lado, também acontece sermos nós que queremos ver algo com mais detalhe e simplesmente somos empurrados (mesmo que ligeiramente) pela mole humana que segue atrás de nós. Parar completamente para admirar seja o que for, é quase impossível. Foi isso que aconteceu quando estávamos a contemplar a beleza de uma caixa que continha a colecção de esmeraldas do sultão (dezenas delas, verdíssimas e enormes) ou ainda o berço dos príncipes herdeiros (literalmente dourados de tanto ouro). Ainda não refeitos da imagem de um castiçal com quarenta e oito quilos em ouro e diamantes, estamos perante aquele que é o quinto maior diamante do mundo. Tem a forma de uma lágrima e está rodeada por dezenas de outras pedras preciosas. Foi usado pela primeira vez em 1648 por Mehmet IV aquando da sua subida ao trono. É quase impossível acreditar na história deste diamante. Sem que ninguém consiga explicar muito bem porquê, foi achado numa lixeira por um mendigo que o trocou por, pasme-se, três colheres (esperemos que valessem a pena). A sensação que temos, é que cada uma das peças expostas tem histórias fantásticas atrás de si. É com este pensamento que por fim, chegamos à última sala, que por sua vez desemboca num outro tesouro, a vista sobre o Bósforo.
É intenso o tráfego marítimo de navios de grande porte em direcção ao mar Negro.
Quem já teve o privilégio de poder estar a olhar para o estreito do Bósforo, rapidamente percebe o efeito quase hipnótico que consegue ter sobre nós. Como se não bastasse o podermos admirar a cidade de Istambul até onde os nossos olhos alcançam, podemos apreciar o intenso tráfego deste estreito. Os navios de passageiros cruzam-se com os navios de mercadorias numa circulação constante. Há sempre algo em movimento, e portanto, sempre algo para ver. Deixamo-nos ficar na varanda por um momento. A vista merece-o, embora a força do vento nos faça sentir algum frio, pelo que rapidamente começam a surgir as primeiras sugestões para sairmos dali para outro local menos ventoso. Ainda temos algum tempo, pelo que decidimos tentar ver mais alguma parte interessante do palácio.

Luís Sousa

Expostos à ventania na varanda do Pavilhão dos Conquistadores

domingo, 19 de junho de 2011

Mochila às costas


Passaram cinco anos desde que cheguei com uma mochila cor-de-rosa àquela escola, àquela espantosa escola… E quando cheguei pareceu-me tudo tão espectacular! Os corredores pareciam enormes, os mais velhos pareciam tão superiores a mim, as aulas pareciam ser algo tão sério que eu pensei que estava numa universidade, tal e qual via nos filmes, e estava feliz. As mudanças sempre me fizeram feliz.
Passou o quinto ano e eu já estava integrada.
Passou o sexto ano e eu começava a compreender que afinal não era uma universidade, era uma escola pequena e existiam regras às quais eu não podia fugir, os mais velhos continuavam a parecer-me superiores e eu nem me atrevia a refilar quando me ultrapassavam na fila do bar… Já fazia amigos com bastante confiança, já começava a sentir pequenas paixões pelos rapazes da minha turma e começava a preocupar-me com a roupa que levava para a escola.
Passou o sétimo ano e eu chorei nesse último dia, quando uma das pessoas mais importantes que tinha conhecido acabara o nono ano. E como essa pessoa e muitas mais começavam a ocupar lugares especiais no meu coração. Aí está! Eu começava a fazer amigos.
Passou o oitavo ano e eu tinha mudado tanto ao longo do ano que tinha passado. Nessa altura lembro-me que estava no auge das minhas amizades. Conheci pessoas completamente fascinantes nesse ano. E quando acabou comecei a perceber, de uma forma abrangente, o que era ver os meus amigos seguir com as suas vidas para a frente, que, por mais complicado que fosse ver pessoas com as quais estava todos os dias mudar de escola, comecei a compreender que isso era o destino de todos nós e que a vida era assim mesmo, um entra e sai de pessoas que simplesmente não ficavam ao nosso lado para sempre.
E passou o nono ano, grandioso e inesquecível nono ano. Palavras para quê? Um ano completamente inesquecível para mim e para todos os outros que o viveram comigo. Foram três turmas que se envolveram e se tornaram como uma família. Não éramos colegas, éramos e somos amigos, alguns encaro-os como irmãos. Durante este ano as mudanças que se deram em mim, a nível sentimental, fizeram-me passar por fases bastante complicadas por vezes. Comecei o ano com problemas próprios de alguém que estava a aprender a lidar com algo novo e muito confuso, a adolescência. E no meio de desilusões amorosas, discussões entre amigas, desabafos, neuras e crises, descobri um pequeno grupo de pessoas que seleccionei como meus companheiros para sempre. Realmente eu não tenho uma noção muito clara do que é a vida, não sei usar a frase “para sempre” da maneira mais madura, mas esta frase parece-me a mais própria para explicar de que maneira aqueles amigos são essenciais no meu dia-a-dia.
Temos vivido dias de grande ansiedade. Temos conversas improvisadas sobre o futuro e cada vez mais nos apoiamos uns aos outros nos passos que queremos dar, passos que vamos dar sozinhos. Sentimos na pele o que os nossos colegas de anos anteriores sentiram. E percebemos que a confiança daqueles com quem partilhamos o quotidiano se está a transformar em amizades e que se irão revelar nos anos que se seguem. Arrepia-nos o facto de sabermos que uma etapa das nossas vidas chegou ao fim e com ela ficam momentos realmente inesquecíveis, autênticas marcas das personalidades que nos tornámos.
Realmente, olhando para os cinco anos que passaram, vejo transformações incríveis, também porque a idade assim o exige.
Como deixei bem explícito, pisamos o chão de uma escola que nos obrigou a partilhar experiências uns com os outros, essas experiências obrigaram-nos a aprender a lidar com os defeitos e qualidades de quem nos rodeava e foram precisos anos de treino até entrarmos nesta sintonia.
Hoje percebemos que apesar do cansaço que sofremos em algumas fases onde pensámos que não estávamos lá a fazer nada, não iremos encontrar em lugar algum o conforto e o espírito desta que foi a nossa casa, Santa Catarina.

Ana Rita Correia, 9.ºB

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pequenos Escritores

SER CRIANÇA É ...  

Ser criança é...
Ser criança é brincar até o dia acabar.
Ser criança é saltar, correr e jogar.
Ser criança é cantar e em certos momentos voar...
Ser criança é ter confiança e esperança!

João Marques 5º C

SER CRIANÇA É ...  
                                                                   
Ser criança é ser pequenino mas, é ser maior que gente grande.
Ser criança é ser o futuro, o amanhã do nosso mundo.
Ser criança é sermos todas iguais, sem que o sexo, a raça, a nacionalidade e a cor interessem.
Ser criança é ser eu, uma simples criança no meio de biliões!

Andreia 5.º C

O TIGRE E O MACACO

Era uma vez um tigre muito destemido que se achava o rei dos animais. Certo dia o tigre, enquanto caçava foi apanhado numa armadilha montada por uma tribo primitiva chamada “Uga Buga” que usaria a sua pele para se vestirem.
O tigre tentou soltar-se, mas como estava pendurado numa árvore com dois metros de altura não conseguiu. O tigre passado algum tempo estava estafado, quando reparou num macaco que andava a brincar com as lianas. O macaco reparou no tigre e perguntou-lhe:
- Então, foste caçado?                                                                     
 -Sim, fui e ordeno-te que me tires daqui!                                      
- Mas tu eras aquele que ontem me andava a caçar, por isso acho que não tenho razões para te salvar! O tigre arrependido pediu desculpa. O macaco vendo o seu arrependimento soltou-o. Quando o tigre caiu fez um grande estrondo. 
O macaco disse-lhe:                                                 
 - Espero que desta vez tenhas aprendido a lição!                                       
- Aprendi sim, meu amigo! A partir de hoje, jamais caçarei macacos!
                           
                                      Trabalho elaborado em Enriquecimento Curricular
                                      Fábio  n.º 7 e Tomás n.º 20
                                      Turma - 5.ºA

AUTO DA BARCA DO INFERNO
  
O diabo e o anjo estão nas suas barcas, à espera que as almas apareçam para  puderem levá-las consigo.
- Levanta-te desse banco, porque vai para aí gente! - diz o diabo.
- É para já – respondeu o companheiro do diabo.
A conversa é interrompida pelo ministro de Portugal.
- Ora, ora, ora! Para onde vai essa barca tão feia? - pergunta o ministro.
- Para onde as pessoas como tu vão! - responde o diabo.
- E para onde vão as pessoas como eu? - pergunta o ministro.
- Para ministro não és lá muito esperto, pois não? Para o INFERNO tonto!! - diz o diabo.
- Podes crer que o meu traseiro não entra aí diabo de uma mãe torta. Vou ver aquela barca que de certeza tem destino melhor - diz o ministro.
- Ó da barca onde é que estás? - questiona o ministro.
- O que queres? - pergunta o anjo.
- Quero ir consigo - responde o ministro
- Aqui é que não entras! Já fizeste demasiado mal ao povo de Portugal. Vai antes para a outra barca, lá sim têm lugar para ti. - responde o anjo.
- Entrai, entrai meu senhor tenho ali um banco e um lindo remo à sua espera! – diz o diabo.
- Pois assim tem que ser, assim será. - declara o ministro.
Entretanto chega um banqueiro.
- Para onde vai esta barca? – pergunta o banqueiro.
- Banqueiro meu sobrinho, esta barca vai para onde tu deves ir, para o INFERNO! – diz o diabo.
- Podes crer que para aí não vou, diabo de cara porco beiçudo vou antes àquela barca que é muito mais elegante! – diz o banqueiro.
- Para onde vai esta barca? – pergunta o banqueiro.
- Para o céu, mas aqui não há lugar para ti. Aqui só há lugar para aqueles que foram bem comportados e não para aqueles que as pessoas roubavam sem elas perceberem. Vai antes para aquela barca que lá de certeza que há lugar para ti. – diz o anjo
-Voltaste meu caro amigo, irás servir Satanás que sempre te ajudou. – diz o diabo.
-Arrependido agora estou. – diz o banqueiro.
-Entretanto o primeiro-ministro e o banqueiro metem-se na conversa e de repente chega um agricultor.
-Esta é que é a barca dos trabalhadores? – pergunta o agricultor.
-Não, não é! – exclama o diabo.
-Então para onde vai esta barca? – pergunta o agricultor.
-Para o Inferno é claro!! – responde o diabo.
-Podes crer que aí não meto os meus pés, aí dentro entrecosto de lagarta venha um raio que ta parta. Vou antes naquela barca que lá de certeza me irão compreender. - diz o agricultor.
-Ó da barca!! – grita o agricultor.
-O que queres? – pergunta o anjo.
-Quero ir para céu e ficar por lá. – responde o agricultor.
-Então sobe, pois nada de mal fizeste. – responde o anjo.
Chega um preguiçoso que pergunta:
-Ó da barca para onde vai?
-Para o Inferno, é claro! – exclama o di
-Olhe que para essa barca é que não vou. Vou antes para aquela que o destino deve ser muito melhor. – afirma o preguiçoso.
-Acho que é melhor não ires para lá, porque fica muito longe e quando lá chegares a barca já partiu. O melhor é ficares por cá. – diz o diabo.
- Maldito seja o  diabo! – exclama o preguiçoso.  
Ainda entrou um empregado, um nadador-salvador, um repórter e um bombeiro na barca do anjo. Na barca do diabo entrou um ladrão, um incendiário, um racista e um assassino.
 Trabalho realizado por:
Miguel Ângelo Leal de Jesus
5C
Nº 14

Ai as minhas articulações!...


Segundo o dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora articular significa estruturar. Nas organizações a articulação é fundamental para que o trabalho se produza e os problemas se diagnostiquem e se dissolvam. Não precisamos encontrar uma organização muito complexa para perceber as vantagens da articulação. Podemos falar de uma grande multinacional ou de uma lavandaria de bairro. Em ambos os casos, o sucesso ou a falência dependem duma boa articulação entre patrão - empregado e entre estes e o consumidor.
A Natureza também nos ensina as virtudes da boa articulação. Ora, vejamos atentamente as colmeias ou os formigueiros. Seria possível tal produtividade e eficiência sem articulação entre todos os seus elementos? E não estamos a falar de pessoas... Aliás, podíamos enunciar qualquer ecossistema e verificar que a articulação é parte fundamental da sua sustentabilidade.
A articulação entrou na ordem do dia das escolas. Entrou na moda... A articulação não é novidade para o professor. Mas, o que antes era preocupação só de alguns, hoje é exigência para todos. A organização escolar vê-se forçada a promover a articulação para reforçar a sua própria estrutura educativa. Articular também é organizar, ou melhor, caminhar no sentido da organização plena. E este percurso pode ser mais ou menos ambicioso mas deve ser honesto. Porque a menos que se notem resultados efectivos e positivos não vale a pena apregoar que se articula muito, com este e aquele...os resultados falarão por si.
Na sala de aula, o professor articula com os seus alunos e incentiva-os a exercitar esta competência com os seus pares. Na aula os alunos e o professor percebem quando a articulação funciona ou não. Por exemplo, quando os alunos se organizam em trabalhos de grupo têm de articular entre si as funções que delegaram previamente em cada um. Se todos depositam as responsabilidades do trabalho no “bom aluno”, que acaba por trabalhar por todos, não há articulação nenhuma. Ninguém aprende. Não há resultados. É desonesto. No mundo dos adultos passa-se o mesmo. Actualmente o que tem gerado mais polémica nas Escolas é a articulação entre os adultos. Falamos propriamente de quê? Falamos da conjugação de esforços, de trabalho, de interesses individuais que devem convergir para um interesse comum. Falamos do trabalho entre os elementos do mesmo Conselho de Turma, do mesmo Grupo Disciplinar, do mesmo Departamento e por aí fora. Nada disto é novo. Como também não é novidade salientar que o esforço numa articulação efectiva beneficia os alunos, a Escola como organização e a comunidade a quem a Escola deve servir.
Hoje, a articulação entre escolas é um desafio. As escolas já não podem funcionar isoladamente. Não somos ilhas, somos agrupamentos…mega agrupamentos. E por este motivo nunca é demais reflectir sobre o pleno sentido do termo articulação, aliás, nunca deveríamos de estar ocupados demais para reflectir. Em algumas escolas a articulação é uma prática mais fluente que noutras. Mas de uma maneira geral os diversos ciclos têm de aprender a falar uma linguagem comum, abandonar os seus dialectos e adoptar a mesma língua. Isto não implica o desrespeito pela cultura de cada escola, por mais pequena que seja fisicamente. O 3.º ciclo tem de conhecer e encetar estratégias pedagógicas com o 1.º ciclo e o 2.º ciclo. Os restantes de igual forma. Não deveríamos esperar que os outros tomem a iniciativa ou que esta prática seja imposta hierarquicamente. A articulação não tem sentido único nem sentido obrigatório. Sabemos que em termos gerais a articulação entre ciclos, por exemplo, está salvaguardada por iniciativa das direcções escolares. Mas saliento aqui a iniciativa pessoal, aquilo que até nem se vê mas contribui para que o trabalho mais visível seja um sucesso.

 No âmbito da anatomia, “articulação” é uma das partes do corpo mais importantes mas igualmente uma das mais frágeis. Trata-se da junção de dois ou mais ossos do corpo, por exemplo o joelho, que permite o precioso movimento dos membros. A articulação é uma parte fulcral mas simultaneamente frágil por causa da sua localização exposta relativamente ao corpo. Como tal, parece estar já projectada com uma série de mecanismos de defesa anti-inflamatórios e “sistemas amortecedores” que protegem a articulação de agressões externas. Ora também na Escola, a articulação é algo fundamental e ao mesmo tempo frágil. Por isso precisa de ser protegida e fortalecida com sistemas de defesa que poderão ser encontrados pelos próprios professores que nela trabalham.


Fig.1 – Articulação do joelho.

 E o que tem a Educação Especial a ver com tudo isto? Muito. Mesmo antes da palavra “articulação “ ter entrado na moda, ela era e continua a ser a base do trabalho deste sector do ensino. O trabalho do professor de Educação Especial não é possível sem a articulação com os restantes professores do Conselho de Turma, Titular de Turma ou Director de Turma. Com que objectivo? Unicamente para o sucesso escolar do aluno. As boas decisões do Conselho de Turma ou do Titular de Turma relativas ao percurso educativo de um aluno com necessidades educativas especiais têm sempre em consideração o parecer  do professor de Educação Especial. O que é isto senão articular? Muitas vezes o professor de Educação Especial “traduz” o Programa Educativo Individual do aluno aos pais, trabalha com eles na sua elaboração, solicita a sua participação, esclarece dúvidas. Trabalha “ombro a ombro” com o Director de Turma/Titular de Turma no processo educativo destes alunos. O que é isto senão articulação?

No entanto há aspectos a melhorar. O apoio socio-educativo, o apoio em sala de aula, a implementação dos Planos de Transição para a Vida Adulta, a integração dos alunos com multideficiência na sala de aula resultarão melhor se a articulação entre o professor de Educação Especial e os professores das diversas disciplinas for cada vez mais eficaz. E porque estes problemas são inerentes ao trabalho de todos, temos de comunicar mais e fazer mais parcerias para encontrarmos soluções juntos.

Finalmente, a palavra articular vem do latim articulare que aglutina ao mesmo tempo dois significados opostos: 1) uma parte do todo; 2) a junção das partes separadas. Daí o termo “boneco articulado”. Portanto, quer queiramos quer não, cada um de nós é apenas uma parte do todo. O nosso Departamento é apenas uma parte do todo. A nossa escola é apenas uma parte do todo. O nosso trabalho nunca poderá ser apenas uma evidência da nossa individualidade, mas acima de tudo uma peça do todo da estrutura educativa do nosso agrupamento.

Fig.2—Bonecos articulados.

Mas nestes tempos de mudança não é difícil ouvir:
- Ai doem-me as articulações...
É do tempo, meus caros!

Teresa Miguel

Alunos da turma A do Carvalhal Benfeito festejam o Dia Mundial da Criança


No dia 2 de Junho, fomos à Expoeste festejar o Dia Mundial da Criança.
Quando chegámos ao pavilhão, lanchámos e fomos ver um espectáculo com cães treinados  por polícias.
Depois, em grupo, fomos visitar todas as casinhas em exposição. Ouvimos histórias, fizemos crachás, desenhos, vimos filmes e jogámos.

Com os bombeiros fizemos uma brincadeira em que alguns meninos eram bombeiros e outros vítimas que tinham de ser socorridas. Foi muito engraçado, mas dois colegas tiveram de sair da tenda pois sentiram-se mal com o fumo.
De seguida, fomos para a fila do ``Titanic” onde brincámos, pulámos, saltámos muito nos insufláveis. Uma colega teve medo de descer e foi necessário a ajuda de um senhor para a tirar do insuflável.
Alguns meninos fizeram pinturas na cara e nos braços.
 Foi um dia bem passado, com muita brincadeira e diversão!



 Realizado pelos alunos da Turma A

Escola Básica de Carvalhal Benfeito

domingo, 12 de junho de 2011

Vem aí a SANTANINHA!

Integrada nas actividades de encerramento do ano Lectivo, a Biblioteca Escolar da EBI/JI irá realizar,  à semelhança de anos anteriores, a SANTANINHA.  
A SANTANINHA é um mercado onde tudo se pode trocar e/ou vender: roupas, brinquedos usados, jogos, DVDs e CDS, fruta e bolos, pulseiras e marcadores de livros, produtos hortícolas e animais, livros, antiguidades, coisas úteis e coisas inúteis.
Para além de espaço de convívio entre a comunidade escolar, este mercado pretende sensibilizar os seus participantes para a importância da reutilização, prolongando os ciclos de vida dos objectos e minimizando os desperdícios e o consumo.
Quem pode participar: todos os alunos, professores, funcionários do Agrupamento de Escolas de Santa Catarina, encarregados de educação, pais e familiares que queiram colaborar.
Como funciona: os participantes trazem os seus produtos/objectos, organizam-se com o professor responsável e expõem-nos para troca ou venda (deverão trazer uma manta para o efeito).
Os produtos não poderão ser vendidos por um valor superior a 1,5 euros.
O dinheiro apurado nas vendas reverterá para as bibliotecas escolares do Agrupamento.

PARTICIPA! 

terça-feira, 7 de junho de 2011

Visita de estudo ao “Centro de Ciência Viva do Alviela”


Eu, no dia trinta de Maio, fui a uma visita de estudo ao Centro de Ciência Viva do Alviela e foi muito giro.
Nós fomos para a escola como costumamos fazer sempre e ficámos à espera que o autocarro chegasse.
Quando chegou, fomos para o autocarro e como eu enjoo fui à frente, logo atrás das professoras. Mas foi giro na mesma.
Quando chegámos e saímos do autocarro fomos logo lanchar, porque estava toda a gente com fome.
A seguir estivemos à espera para entrar no Centro de Ciência, dessa parte eu não gostei. Foi chato

Ouvindo as regras para utilizar o simulador

Quando entrámos, uma senhora disse-nos o que íamos fazer.
Fomos primeiro ouvir as regras de segurança para utilização do simulador, onde foi muito giro. As cadeiras mexiam.

Preparados para o filme a 3D
Depois fomos ver um filme em 3D, com óculos, sobre o ciclo da água. O filme era um pouco complicado de perceber mas, numa outra sala, explicaram-nos o que dizia.

Saber a que temperatura estão os morcegos
Capacete com ultra som

A seguir fomos aprender coisas sobre morcegos e depois fomos almoçar.
De seguida fomos ver o rio Alviela e as rochas, num caminho com algumas grutas.
Fomos novamente para o autocarro, regressámos à nossa escola e lanchámos lá.
Finalmente regressámos a casa!




Cátia Maçãs 4º B - Carvalhal Benfeito