
Quando se pensa em túlipas, não
devem ser muitas as pessoas que não as associam logo à Holanda. De facto, a
Holanda é actualmente uma das maiores, senão mesmo a maior produtora de túlipas
do Mundo. Todos nós crescemos com esta ideia feita. Também é verdade que
ninguém imagina a paisagem dos Países Baixos, repleta de túlipas, pintalgando
os campos de todas as cores. Por as venderem para todo o Mundo, a Holanda viu
associado o seu nome à produção de túlipa. Mas, serão elas originárias de lá?
Após um dia em Istambul, já nos
apercebemos que as túlipas estão por todo o lado. Embelezam muitos dos jardins
que já tivemos oportunidade de ver. Dão um colorido especial à cidade. Daí,
surgiu a nossa dúvida do porquê da existência de tão grandes quantidades de
túlipas. Ao olharmos para o mapa que revela a enorme quantidade de espaços e
parcelas do palácio Topkapi voltamos a descobrir um espaço dedicado a esta bela
flor. Há um espaço denominado jardim das túlipas no palácio. Começamos a
perceber que pode existir alguma história que relacione as túlipas à Turquia,
tal a preponderância destas flores por estas bandas.
Algumas perguntas e outras tantas
leituras de informação desvendam-nos o mistério. A túlipa é uma flor nativa da
Turquia e da Ásia Central. Foram levadas daqui pelos Holandeses no século XVI,
certamente deslumbrados pela sua beleza. Foi com algum espanto que lemos, que
há cerca de quatrocentos anos, existiu por aqui uma espécie de loucura por
estas flores. Sendo muitas vezes vendidas ao peso, alguns exemplares chegaram
nesta época a ter valores superiores ao preço de uma casa.
O período otomano do primeiro
quartel do século XVII ficou conhecido pela “era das túlipas”, reinava por aqui
o sultão Ahmed III. Esta foi uma época de paz, em que não existindo a
preocupação da guerra, os otomanos dedicaram o seu tempo à cultura e à arte,
onde se incluía o cultivo, contemplação admiração das túlipas. Enquanto vamos
aprendendo todas estas informações, damos por nós a ter um novo passatempo
linguístico, tentar pronunciar correctamente os nomes dos sultões que vamos
ouvindo. Pronunciar Ahmed é um bom exercício vocal.
Voltando às túlipas, continuamos
atentamente a ouvir as histórias que nos contam e ficamos a saber que também
esta era das túlipas teve o seu término. Em 1730, uma revolta acabou com a
deposição do sultão. Regressaram os tempos conturbados e toda esta aura em
volta das túlipas caiu um pouco em desuso, mas não no esquecimento.
Hoje esta flor, cujo nome deriva do turco “turban”, ou seja, turbante por causa da forma da flor, continua a ter como missão colorir os jardins da Turquia e merece uma estima imensa por parte dos turcos.
Luís Sousa


















