sábado, 5 de março de 2011

Diário Comenius (dia 4) - "Entrar no mundo do terrível Miklus"


 





Quarta-feira, 16 de Fevereiro

Um dos locais onde dormiam os prisioneiros. Por cima, algumas algemas e grilhetas.
Depois de sairmos da Casa Museu Ferenc II Rákócsi, percorremos uma curta distância até chegarmos a um edifício que durante quase trezentos anos serviu de prisão à cidade de Kosice. A prisão Miklus fica num edifício branco, com aspecto cuidado, que em nada faz lembrar o que por lá se terá passado aquando da serventia como cadeia. Ao que parece, um dos carrascos que por lá desempenhou as suas funções, destacou-se pela violência e crueldade. Com tudo isto o seu nome acabou associado à cadeia. Daí, este museu ter actualmente o nome de Prisão Miklus.

Um dos muitos objectos que serviram para torturar presos.
Entramos dentro da antiga cadeia, e desde logo se destacam os inúmeros espaços em que está dividida, uns com dimensões razoáveis, outras com tamanho diminuto, capazes de causar algum desconforto a quem tenha alguns problemas de claustrofobia. Este é um edifício que resulta da junção de duas casas do antigo burgo, construídas ente os séculos XII e XIV. Distribui-se pelo piso térreo, por um primeiro andar e pela impressionante cave, onde se situavam os calabouços.




Algumas das magníficas espadas presentes nesta colecção.

Nos calabouços são recriadas algumas sessões de tortura.

É mesmo por esses antigos calabouços que começamos a nossa visita. A descida faz-se por uma escadaria bem íngreme e estreita. Não é muita a luminosidade disponível, não há luz natural e rapidamente nos apercebemos que não seria o melhor dos sítios para prolongar uma estadia. Os vários instrumentos de tortura que se espalham pelas várias divisões deixam adivinhar os horrores que os prisioneiros sofreriam às mãos do terrível Miklus e de outros que por lá desempenharam iguais funções. Observamos com atenção esses instrumentos de tortura, nunca deixando de nos surpreender com o uso que as pessoas davam à imaginação no sentido de conseguir infligir tamanho sofrimento a outrem. Mesmo que a grande maioria das pessoas que por aqui passaram fossem acusados de roubo, de vários tipos de delinquência ou simplesmente de vadiagem. Percebemos também como eram as celas dos presos no passado e a falta de condições que tinham que enfrentar no seu dia-a-dia. Tudo isto estava bem documentado nas várias divisões porque fomos passando.
A colecção de fechaduras também nos surpreendeu.
O primeiro andar é completamente oposto aos calabouços, isto em relação à luminosidade. São inúmeras as fontes de luz, que dão um ar bastante acolhedor a esta área. Há abertura para uma espécie de varanda. O contraste entre o ar frio da rua e a temperatura interior é notório. Mesmo estando a porta aberta, o frio não consegue afastar o quente que se sente dentro do museu. O sistema de aquecimento antigo (à base do calor conseguido com braseiros) atraiu a nossa atenção, já que o sistema nos pareceu muito bem elaborado, pelo modo como se distribuía por todo o edifício. Já o sistema de aquecimento moderno atraiu permanentemente a atenção das nossas alunas, que não deixaram passar uma oportunidade de usufruir dele.

Um grupo de portugueses admira com toda a atenção o sistema de aquecimento do edifício.
Consta que esta pintura terá sido feita pelo próprio carrasco Miklus, havendo mesmo quem afirme tratar-se de um auto-retrato.
As salas do primeiro andar estão recheadas de motivos de interesse, desde colecções de armas, fechaduras, livros, mobiliário de época que constituem um acervo precioso. Uma das coisas mais curiosas deste local, é a pintura de uma face, numa das paredes de uma sala no primeiro andar. Diz-se que terá sido pintada pelo próprio Miklus, havendo quem afirme tratar-se mesmo de um auto-retrato. Voltamos ao rés-de-chão, onde todo o grupo se volta a juntar. Alguns de nós voltam a aproveitar o calor que sai dos radiadores nos breves momentos que antecedem a saída para a rua. Breve, deixaremos o quentinho da cadeia e enfrentaremos o frio que se faz sentir lá fora. Não será por muito tempo, já que está quase na hora de almoço.  

Diário Comenius (dia 4) - “Na casa museu do rebelde Rákóczi”







 Quarta-feira, 16 de Fevereiro

A casa museu Rodosto, vista da praça exterior.
Saímos do frio para o ambiente aquecido da Casa Museu Radosto. Este é um edifício datado de fins do século XVIII/início do século XIX. Subimos imediatamente ao primeiro andar onde começamos a visita. Este museu está organizado de modo a inteirar-nos de uma forma o mais completa possível, da pessoa do príncipe Ferenc II Rákóczi, do seu exílio na costa oeste do mar de Mármara (na actual Turquia) e ainda das suas cerimónias fúneres, que tiveram lugar, aqui em Kosice. Este primeiro andar é dominado por uma enorme sala de jantar, com alguns elementos decorativos, que lemos terem sido feitos e decorados pelo próprio.
Uma das salas do museu que se encontra muito bem organizado.
Mais à frente, vemos a colecção de armas, gravuras lindíssimas, medalhas e gravações em metal e outras obras de arte, que revelam um certo bom gosto que este príncipe e a sua família deveriam ter à epoca. Família que está muito bem representada numa série de aguarelas muito bonitas. É também dado um grande destaque a alguns elementos funerários, ligados não só à sua morte como também às imponentes cerimónias fúnebres.
A parte mais bonita desta casa é uma sala, totalmente decorada com motivos orientais, incluindo o tecto com um fabuloso trabalho em madeira talhada. Como objecto de decoração principal, uma cadeira, que com um ar imponente, domina todo o espaço.
A originalidade está presente em muitas das peças exposta neste museu.
A magnífica réplica da sala otomana com a cadeira a dominar todo o espaço.
Este artefacto fúnebre prendeu-nos a atenção pelo intricado trabalho em metal.
O trabalho na madeira das paredes da sala otomana.
Esta casa deve o seu nome, Rodosto à vila turca com o mesmo nome onde o último líder do levantamento rebelde dos Estados Húngaros contra o poder dos Habsburgos (austríacos) teve que viver exilado alguns anos (1720-1735) juntamente com alguns dos seus fiéis apoiantes. A casa é uma réplica dessa mesma casa turca. O seu aspecto, tipicamente otomano, surpreendeu os nossos colegas turcos, que não esperavam encontrar ali, tanta memória relacionada com o seu país de origem. É que para além da casa (numa boa parte do seu interior) ser uma réplica do que era comum utilizar nas construções apalaçadas) do Império Otomano (antigo império, cujo território principal é hoje a Turquia), tem também uma boa colecção de mobiliário, pinturas e gravuras otomanas. Foi uma boa oportunidade para adquirir mais alguns conhecimentos de uma História, que para nós europeus ocidentais, é muitas vezes pouco conhecida. Sendo assim, ficámos a saber que sendo o Império Austríaco inimigo do Turcos Otomanos, o sultão otomano viu neste rebelde uma oportunidade para combater o inimigo austríaco. No fundo seguiu um pouco a óptica do velho ditado que refere serem os inimigos dos nossos inimigos, nossos amigos. Também os franceses, que nesta época andavam de costas voltados para com os austríacos o apoiaram. Aliás a estátua, que está no exterior, e junto ao qual posamos para uma fotografia publicada anteriormente, tem escritas algumas palvaras em francês, evocando o direito à liberdade. O certo é que a avaliar pelo que lemos neste museu, este nobre foi um aventureiro rebelde, que viveu toda a sua vida envolvido na luta contra aqueles que considerava seus inimigos, ora combatendo pela força das armas, ora manobrando politicamente no sentido de atingir os seus propósitos. Não o terá conseguido por muitas ocasiões, mas o facto de lutar pela existência de uma Hungria livre (lembremos que até à Segunda Guerra Mundial, este era território húngaro) fez com que ganhasse, por direito próprio a admiração dos seus contemporâneos por estes lados. O facto de ter recusado por duas ocasiões o trono da Polónia, na altura oferecido pelo Czar Pedro I, faz com que pareça ter sido alguém, com ideais sólidos e não somente movido por interesse de ganhar poder.
O mobiliário de influência otomana está presente em várias divisões deste museu. Simpaticamente, os nossos colegas turcos explicaram-nos para que serviam algumas destas peças, cujo uso, é de certo modo, desconhecido para nós.
Os seus restos mortais chegaram a Kosice, apenas em 1906. Até na morte, este homem foi uma autêntica aventura. Consta que os seus orgãos foram enterrados numa igreja grega de Rodosto, enquanto o seu coração foi enviado para França. O restante corpo ficou em Constantinopla (actual Istambul), numa igreja francesa da cidade. Deixou escrito em testamento, o pedido para que os seus aliados estrangeiros não esquecessem a sua família e todos os companheiros de exílio (entre os quais dividiu uma parte da sua herança). A sua trasladação para Kosice revestiu-se de toda a solenidade possível.
Terminada a visita e de regresso ao frio no exterior, olhamos para a estátua dele que parece vigiar toda aquela praça em redor do museu, que foi merecedor de todas as honras que o seu povo lhe prestou. 

quinta-feira, 3 de março de 2011

Diário Comenius (dia 4) - “Equilíbrios precários”








Quarta-feira, 16 de Fevereiro

Após a visita à catedral de Santa Isabel, seguimos com o nosso programa, visitar uma antiga prisão e uma casa museu. Ambas ficam na parte histórica de Kosice, pelo que o caminho faz-se a pé. Assim escrito, parece tarefa fácil, mas o caminho revelou-se algo perigoso, muita por inabilidade para andar em superfícies nevadas e geladas. A principal dificuldade reside exactamente em destrinçar isso mesmo. O que é que é neve, e o que é que é gelo. Se na neve, não há grandes problemas, já o gelo é perigo constante. A mais pequena distracção e é a morte do artista, como a tradição popular costuma afirmar. Assim sendo, vamos avançando, em passo lento, aprendendo alguns truques, como o seguir sempre os passos de quem vai à frente e que, se ainda não caiu, então é porque vai no caminho correcto. Outra alternativa é caminharmos agarrados uns aos outros em passos mais curtos do que o habitual.

O caminho para a Prisão de Miklus e para a casa museu faz-se através de ruas estreitas que vão revelando aqui e ali os seus encantos.
Enquanto aguardávamos poder entrar na antiga prisão houve tempo para uns momentos de descontracção. 
Tempo de espera junto à bilheteira.
 Depois de atravessarmos algumas ruas antigas com edifícios interessantes, finalmente chegamos ao nosso destino, a Prisão de Mikklus e a casa do carrasco. Antes de entrarmos, temos que aguardar algum tempo. O facto de serem muitos os bilhetes a serem comprados, a isso obriga. O largo onde esperamos, é muito bonito, tem ar de ter sido requalificado recentemente e é dominado pela estátua de Ferenc II Rákóczi. Aproveitamos para mais umas fotografias. Entretanto, uma aluna eslovaca escorrega no gelo e estatela-se no chão. Como não se aleijou, começa a rir e contagia todos os presentes. É incrivel como as quedas têm sempre o seu quê de cómico (desde que claro, uma pessoa não se magoe). Emboídos do velho espírito típico dos Jogos Sem Fronteiras comentamos que nos estamos a aguentar e que equipa portuguesa se mantém em jogo (deve ser lido algo como “nenhum de nós ainda se espalhou ao comprido”). É hora de entrar para ver por dentro esta casa-museu.

Todos ouvem (indiferentes ao frio) a explicação da guia sobre o que iríamos ver.
O nosso grupo posa junto ao rebelde Ferenc II Rákóczi.

terça-feira, 1 de março de 2011

Diário Comenius (dia 4) - “Catedral de Santa Isabel em Kosice”






 Quarta-feira, 16 de Fevereiro


À volta da catedral, as casas de várias cores, dão um encanto especial a esta praça.
Quem chega a Kosice de comboio ou por qualquer uma das estradas que dão acesso à cidade, não tem a sensação imediata dos encantos que esta cidade esconde. Numa primeira impressão, Kosice até poderá proporcionar ao viajante pouca vontade de por ali passar algum tempo. Quem tem alguma experiência em viagens, sabe que nem sempre as cidades se revelam totalmente quando chegamos a elas. É preciso algum tempo para perceber como funcionam, perceber a dinâmica com que funcionam e, sobretudo, o modo como os locais vivem aquela que é sua cidade.
A catedral de Santa Isabel é um edifício de estilo gótico muito imponente.
A primeira impressão que Kosice nos transmitiu (quando chegámos há uns dias) teve mais a ver com uma viagem no tempo, talvez duas décadas, de volta aos inícios dos anos oitenta do século passado. Isto deve-se sobretudo a alguns edifícios que resistem aos passar dos anos, restos de uma arquitectura que não deixou grandes memórias em termos de construção. Também os meios de transporte público são algo diferentes do que já vamos estando habituados. O país atravessa um momento de transição e essa modernidade (que se começa a ver em obras mais recentes) ainda não chegou aos velhos autocarros e eléctricos, que sendo antiquados, continuam a resistir ao passar dos anos e proporcionar belos momentos fotográficos.
Pormenor dos telhados e torres da catedral de Santa Isabel.
Parte frontal da catedral de Santa Isabel

Saíndo da estação de comboios de Kosice, rapidamente chegamos ao centro histórico da cidade. Kosice é uma cidade com muitos séculos de História. Foi palco de intensos acontecimentos, muitos deles dramáticos (como é o caso da Segunda Guerra Mundial). Isso mesmo nos é revelado por alguns memoriais que recordam batalhas e vítimas deste confrontos sangrentos que por aqui se passaram (e do qual já demos notícia anteriormente). Num instante, estamos no centro histórico que se apresenta bem tratado e cheio de vida, mesmo num dia frio e cheio de neve como hoje. Enquanto vamos andando, assistimos tanto a pessoas que se deslocam apressadamente em direcção aos seus afazeres, como a famílias que calmamente passeiam, indiferentes à neve, assistindo divertidos às brincadeiras dos seus filhos na neve ou a animais de estimação (muitos deles agasalhados como pessoas) que correm loucamente de um lado para o outro, derrapando quando encontram locais com presença de gelo.
Há um edifício que sobressaí da paisagem deste centro histórico. Por tudo, pelo tamanho, pela cor, mas sobretudo pela sua beleza. Falamos de Catedral de Santa Isabel (em eslovaco, Dóm svätej Alzety, em húngaro, Szent Erzsébet-székesegyház e em inglês, St. Elisabeth Cathedral). 
Pormenor da torre dos relógios (catedral de Santa Isabel).
Esta catedral aparece referida desde 1283, em documentos do Papa Martinho V e esteve sempre ligada à evolução da cidade, desde o tempo em que Kosice era ainda um pequeno povoado, tendo igualmente uma igreja, também não muito grande. Actualmente, é a maior igreja da Eslováquia e a maior catedral gótica da Europa Oriental. O aspecto gótico vem da construção medieval (realizada entre 1378 e 1508) em virtude da antiga igreja que aí havia ter sido destruída. A destruição (e sucessivas reconstruções e restauros) devido a várias calamidades foram ajudando a catedral a ganhar a forma que tem nos dias de hoje.
Um dos edifícios centenários que rodeiam a catedral de Santa Isabel.
Achámos curioso, o facto de a catedral estar consagrada a Santa Isabel da Hungria, que tem ligações à Santa Isabel de Portugal, já que esta era tia-avó daquela que foi rainha de Portugal.  O interior não fica a dever nada ao exterior e pudemos ver uma rica decoração ao nível dos altares, das capelas laterais e dos oratórios que estão dispostos pelo espaço da catedral, perfeitamente enquadrados na arquitectura.
Edifício da ópera de Kosice.
Andámos em redor da catedral, observando atentamente os vários pormenores do edifício e outros espaços e edifícios que estão por perto. Muito curioso, o facto de ter dois sinos enormes, ao nível do chão, que não fazendo o papel que lhes foi destacado aquando do seu fabrico, acabam por servir para muitos que passam por ali, posarem junto a eles para a fotografia. Da catedral temos uma visão de como aquela parte da cidade cresceu à volta do templo religioso. Vê-se casario antigo, um ou outro edifício apalaçado, a ópera (incrível, o facto de estas cidades terem uma programação riquíssima nesta área) e a biblioteca da cidade. Todo o conjunto, encaixa na perfeição e vale por si só a visita a esta cidade. Gostaríamos de a ter visto iluminada de noite, mas não foi possível. Disseram-nos que os jardins em frente à catedral são muito frequentados pela população de Kosice, sobretudo durante o verão, já que existe uma fonte que tem um sistema de repuxos que funcionam em conjugação com música e efeitos luminosos, atraindo muita gente para observar este espectáculo.
Graças a uma excelente ideia da professora Elsa Rebelo, que se lembrou da opção das visitas virtuais em 3D, é possível mostrar um pouco da catedral de Santa Isabel e de toda a envolvente. Basta seguir este link:

Diário Comenius (dia 4) - “Compreender o Ice hockey!”


 





Quarta-feira, 16 de Fevereiro

Vista da arena de Kosice, local que irá receber o campeonato mundial de Ice Hockey 2011.
O desporto é algo muito importante na Eslováquia. Após alguns dias por aqui, já deu para perceber como os eslovacos vivem intensamente as modalidades que praticam e que suportam. A escola onde estamos instalados tem óptimas condições para a prática desportiva e avaliar pelos muitos diplomas de prémios desportivos que estão espalhadas pelas paredes dos corredores, os resultados têm sido muito bons.
O ice hockey é o grande desporto nacional, aquele que mais orgulho suscita ao eslovacos. Têm grande orgulho na sua selecção nacional (neste momento são considerados a sétima melhor selecção do Mundo mas já foram campeões em 2002), e alimentam uma rivalidade saudável entre as várias equipas que competem a nível nacional.
Outro ângulo da arena de Kosice.
Para além dos sticks, um dos elementos fundamentais do jogo é o puck. Basicamente, o puck é um disco de borracha vulcanizada. Sendo a Eslováquia, um dos poucos países que produzem esta peça essencial à prática do ice hockey, rapidamente o dito puck se tornou em algo procurado por todos nós, com o objectivo de trazermos uns quantos para Portugal como recordação. A nossa determinação em trazer pucks para Portugal, rapidamente originou uma série de piadas à volta destes simpáticos discos e o divertimento generalizado nos nossos colegas eslovacos, que não pareciam entender muito bem a paixão que entretanto desenvolvemos pelos pucks. O certo é que se iniciou uma demanda atrás deles, já que acabou por não ser assim tão fácil achá-los e foi algum o esforço para conseguirmos alguns. No fim das contas, esgotámos os pucks em duas lojas, o que nos levou a gracejar que a partir daí, quem quisesse jogar ice hockey teria que falar connosco.
As nossas alunas a caminho de esgotarem os pucks em mais uma loja.
O entusiasmo dos nossos colegas eslovacos em relação a esta modalidade era neste momento ainda maior, isto porque o próximo campeonato do Mundo irá realizar-se na Eslováquia, em duas cidades, na capital Bratislava e em Kosice, por onde andamos neste momento. A nova arena onde se irão desenrolar os jogos está quase concluída e apesar de não a ter visto por dentro, é um edifício imponente, muito bonito em termos arquitectónicos e que enche de orgulho os habitantes da cidade. Questionados por nós, sobre as hipóteses da selecção anfitriã em brilhar e reconquistar o título mundial, as esperanças parecem não ser muitas, sobretudo porque o grande rival da Eslováquia, a República Checa é o detentor do título. Não lhes valerá de muito, mas deixámos bem claro, que de alto da nossa ignorância em relação à modalidade, todo o nosso apoio seria direccionado para a Eslováquia.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 4) - “Botanická Záhrada”








Quarta-feira, 16 de Fevereiro

. O edifício da Universidade P.J. Safárika alberga um jardim botânico cheio de interesse.
A nossa primeira visita desta manhã, foi o jardim botânico da universidade P.J. Safárika. Está localizado em Kosice e quando lá chegámos, continuava a nevar com alguma intensidade. Enquanto esperávamos a nossa vez de entrar, a neve proporcionou algumas oportunidades de divertimento, tiram-se fotografias em poses mais ou menos engraçadas e arriscam-se umas bolas de neve, cuja consistência é testada enviando-as contra outras pessoas. Ao mesmo tempo, trocam-se algumas impressões com elementos de outras comitivas, conhece-se mais pessoas. A nossa ligação com os colegas turcos vai-se intensificando. Gostam de conversar (tal como nós) e há muitos temas para entretermo-nos a dialogar. Há uma quantidade infindável de assuntos desconhecidos entre os nossos dois povos. A curiosidade de saber mais, é geralmente o motor destas conversas. Abordam-se temáticas tão díspares como o tempo que faz em cada uma das zonas em que habitamos até ao modo como o sistema de ensino de cada país está estruturado. Invariavelmente, as conversas acabam na cozinha, mas isso parece ser algo a que turcos e portugueses não conseguem (não querem?) fugir.
O grupo de professores e alunos turcos com o professor Luís Filipe Sousa.
Alguns minutos depois de chegarmos, entramos para dentro do jardim botânico. A primeira coisa em que reparamos é que a palavra eslovaca para jardim (“Záhrada”) é muito bonita, apesar de não termos grande certeza sobre a conseguirmos pronunciar como deve ser. Continua a ser objecto de divertimento, as nossas tentativas de aprendizagem e adaptação à língua eslovaca.
Já lá dentro, vamos recolhendo alguma informação. Ficamos então a saber que este jardim foi fundado no já longínquo ano de 1950. Tão pouco tempo passado depois do fim da guerra, deveriam ser ainda tempos difíceis os que se viviam por estes lados. Ainda assim, o jardim botânico consolidou-se ao longo da sua vida e tem actualmente uma área bastante grande. Nós só visitámos uma parte dele. Não falta o que ver neste espaço em que estivemos. Está dividido em cinco sectores (flora subtropical e tropical; arboretum, plantas ornamentais, plantas autóctones e uma área dedicada aos bonsais). Há flora originária de todas as partes do Mundo, mas, explicaram-nos que é dada uma atenção especial às plantas tropicais e subtropicais, sobretudo da América do Norte, Ásia e Europa. Uma curiosidade, o facto de verificarmos que algumas árvores, que para nós portugueses, são extremamente comuns, tinham ali naquele jardim botânico, o seu destaque. Falamos por exemplo, de árvores como os limoeiros e as tangerineiras. Sendo os portugueses, muito dados a estas coisas da saudade, foi o primeiro momento em que fizemos alguns comentários sobre o quanto nos fazia falta alguma da nossa fruta. Pelo que notámos até ao momento, os eslovacos não são um pouco que tenham (pelo menos aparentemente) grandes hábitos de consumo no concerne à fruta.
Os sinais escritos em eslovaco divertiram imenso o nosso grupo ao longo da nossa estada.
É complicado escolher fotografias que documentem esta visita, ou que façam minimamente justiça à beleza das árvores e plantas que vimos neste jardim. Ficam aqui algumas como amostra, escolhidas aleatoriamente, entre as dezenas que o nosso grupo fotografou. Depois desta incursão em tons de verde, chegou a altura de voltarmos ao branco, que começava a imperar, cada vez mais, nas ruas de Kosice. Era altura de nos dirigirmos ao centro histórico da cidade, um local em que todos nós depositávamos grande expectativas. 

Árvores e plantas presentes no jardim botânico.
colecção de cactos é muito grande e apresentam exemplares com uma panóplia de formas e cores muito bonita.
A arte do bonsai está muito bem representada neste Jardim Botânico.