Terça-feira, 15 de Fevereiro
Chegou a altura de apresentar
pormenorizadamente as receitas que cada escola levou a concurso. As propostas
eram variadas e abarcavam todas as etapas de uma refeição. Tinhamos duas sopas,
três pratos principais e três sobremesas. A nossa proposta original baseava-se
num gelado de lúcia-lima acompanhado por bolacha de alfazema. Infelizmente,
devido à impossibildade de encontrar a lúcia-lima, a receita acabou por se
concentrar somente nas bolachas de alfazema. Bolachas, que diga-se de passagem,
os nossos colegas eslovacos e os alunos da turma de restauração trabalharam
muito bem. Quando as vimos pela primeira vez, achámos engraçado, terem um
aspecto ligeiramente diferente das nossas, mas estavam igualmente atractivas.
Antes do momento da prova, todos
puderam ver a exposição das receitas numa mesa, onde para além dos pratos,
tinham algumas referências aos respectivos países. Serviu para uma primeira
abordagem às receitas, admirar o aspecto visual das mesmas e tentar advinhar
aromas e sabores em cada uma.
Aqui ficam a listas das receitas
a concurso e respectivas notas de prova de dois amadores (aluna e professor)
sem quaisquer pretensões a críticos gastronómicos.
Alemanha (Garbsen) –
Sopa de Abóbora
Sopa muito saborosa, com uma
textura agradável e uma mistura de sabores bem conseguida entre o sabor da
abóbora e o sabor (levemente amargo) das natas.
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| Sopa de Abóbora da escola (Garbsen, Alemanha) |
Alemanha (Bad Liebenwerda)
– Sopa de Batata com Lovage (espécie da família da nossa salsa)
Sopa com algumas parecenças às
sopas portuguesa. Baseia-se numa mistura de vegetais onde reina a batata (que
lhe fornece a consistência) e no aroma conseguido com a presença do “lovage”.
Esta erva não tem uma tradução exacta para a nossa lingua, mas basicamente, é
uma espécie de parente da nossa salsa, comummente utilizada na nossa culinária.
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| Sopa de Batata com “Lovage” (Bad Liebenwerda). Alemanha) |
Inglaterra - Caril de
frango com arroz e “naan bread”
Esta receita era aguardada com
bastante expectativa, sobretudo por ser um grande apreciador de cozinha indiana
e do modo como a mesma é condimentada. Foi uma das receitas a sofrer um
primeiro embate no que toca a diferenças de paladar entre os vários países. Os
portugueses têm uma excessiva tendência para exagerar no uso do sal (com as consequências
de saúde que são sobejamente conhecidas). Por outro lado, o sal dá, como poucos
ingredientes o fazem, uma alma à comida como poucos. Pessoalmente preferiria um
caril mais ousado no uso da mistura de especiarias e um “naan bread” mais
estaladiço.
O “naan bread” é uma das receitas
de pão mais populares de países como a Índia, Paquistão ou até o Irão, entre
outros. Basicamente, é uma mistura de água, levedura e algum tipo de gordura,
geralmente manteiga. Como opção, podem ser utilizados iogurte ou leite.
Suponho que esta receita
elaborada por alguém de origem indiana aumente em muito o resultado final. A
escolha de uma receita de caril pela Inglaterra, representa o forte
multiculturalismo que se presencia neste país. Não se pode esquecer que Londres
(que se localiza perto da escola dos nossos parceiros ingleses) é uma cidade
onde se falam cerca de trezentas línguas.
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| Caril de frango com arroz e “naan
bread” (Inglaterra) |
Eslováquia - Rolo de frango e ervas com “dressing” de ervas
Uma surpresa esta receita onde
apenas um pouco mais de sal se fez sentir no rolo de frango. No resto, a carne
de frango bem temperada com a ervas e o “dressing” de ervas a coroar o prato.
Uma mistura perfeita entre o uso do iogurte e a mistura das ervas. A receita no
seu todo conjugava muito bem e mereceu uma boa pontuação por parte dos
portugueses.
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| Rolo de frango e ervas com “dressing”
de ervas (Eslováquia) |
Turquia - Couve recheada com carne picada
Esta foi uma receita que se
revelou por completo à primeira utilização da faca. O aroma à combinação entre
a carne picada e as especiarias era algo fabuloso. Não é por acaso que a
cozinha turca está entre as melhores do Mundo. Resulta de um cruzamento entre
séculos de tradição otomana e influências de todos os outros povos com quem os
turcos contactaram. O efeito desta prova é quase um teletranspote imediato para
a Turquia. Para nós, a melhor receita a concurso.
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| Couve recheada com carne picada
(Turquia) |
Portugal - Bolachas de alfazema
A nossa receita resulta numa
combinação entre a massa que dará origem à bolacha e o toque da alfazema que
lhe confere a personalidade. Estando estaladiça casa bem a acompanhar um chá
bem quente, num lanche ou então numa ceia bem tardia. Perfeita para acompanhar o
chá turco, ajudando ao desenvolvimento da parceria luso-turca, cujos efeitos
foram bem visíveis.
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| Bolachas de alfazema (Portugal) |
Polónia – Bolachas de chocolate com violetas cristalizadas e chá de
bétula
A descrição do nome fazia prever
um casamento de sabores muito bom. E de facto, as bolachas estavam muito boas,
somente a força do chocolate tomou em demasia o espaço que deveria pertencer às
violetas cristalizadas e ao chá de bétula. No entanto, bolachas muito boas para
acompanhar todo o tipo de bebidas quentes, com o chá à cabeça.
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| Bolachas de chocolate com violetas
cristalizas e chá de bétula (Polónia) |
Hungria – Creme de “Rose Hip” (Roseira Brava)
Sobremesa muito bem conseguida,
rapidamente se percebeu que seria algo para se provar num recepiente mais
pequeno do que aquele em que foi apresentado, isto porque é uma autêntica bomba
calórica. De qualquer modo, o creme à base de natas com o sabor fornecido pela
roseira brava, fez desta sobremesa, um bom final para a degustação das várias
receitas, merecendo também a nossa aprovação.
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| Creme de “Rose Hip” (Hungria) |