Passaram
cinco anos desde que cheguei com uma mochila cor-de-rosa àquela escola, àquela
espantosa escola… E quando cheguei pareceu-me tudo tão espectacular! Os
corredores pareciam enormes, os mais velhos pareciam tão superiores a mim, as
aulas pareciam ser algo tão sério que eu pensei que estava numa universidade,
tal e qual via nos filmes, e estava feliz. As mudanças sempre me fizeram feliz.
Passou
o quinto ano e eu já estava integrada.
Passou
o sexto ano e eu começava a compreender que afinal não era uma universidade,
era uma escola pequena e existiam regras às quais eu não podia fugir, os mais
velhos continuavam a parecer-me superiores e eu nem me atrevia a refilar quando
me ultrapassavam na fila do bar… Já fazia amigos com bastante confiança, já
começava a sentir pequenas paixões pelos rapazes da minha turma e começava a
preocupar-me com a roupa que levava para a escola.
Passou
o sétimo ano e eu chorei nesse último dia, quando uma das pessoas mais
importantes que tinha conhecido acabara o nono ano. E como essa pessoa e muitas
mais começavam a ocupar lugares especiais no meu coração. Aí está! Eu começava
a fazer amigos.
Passou
o oitavo ano e eu tinha mudado tanto ao longo do ano que tinha passado. Nessa
altura lembro-me que estava no auge das minhas amizades. Conheci pessoas
completamente fascinantes nesse ano. E quando acabou comecei a perceber, de uma
forma abrangente, o que era ver os meus amigos seguir com as suas vidas para a
frente, que, por mais complicado que fosse ver pessoas com as quais estava
todos os dias mudar de escola, comecei a compreender que isso era o destino de
todos nós e que a vida era assim mesmo, um entra e sai de pessoas que
simplesmente não ficavam ao nosso lado para sempre.
E
passou o nono ano, grandioso e inesquecível nono ano. Palavras para quê? Um ano
completamente inesquecível para mim e para todos os outros que o viveram
comigo. Foram três turmas que se envolveram e se tornaram como uma família. Não
éramos colegas, éramos e somos amigos, alguns encaro-os como irmãos. Durante
este ano as mudanças que se deram em mim, a nível sentimental, fizeram-me
passar por fases bastante complicadas por vezes. Comecei o ano com problemas
próprios de alguém que estava a aprender a lidar com algo novo e muito confuso,
a adolescência. E no meio de desilusões amorosas, discussões entre amigas,
desabafos, neuras e crises, descobri
um pequeno grupo de pessoas que seleccionei como meus companheiros para sempre. Realmente eu não tenho uma noção muito
clara do que é a vida, não sei usar a frase “para sempre” da maneira mais
madura, mas esta frase parece-me a mais própria para explicar de que maneira
aqueles amigos são essenciais no meu dia-a-dia.
Temos
vivido dias de grande ansiedade. Temos conversas improvisadas sobre o futuro e
cada vez mais nos apoiamos uns aos outros nos passos que queremos dar, passos
que vamos dar sozinhos. Sentimos na pele o que os nossos colegas de anos
anteriores sentiram. E percebemos que a confiança daqueles com quem partilhamos
o quotidiano se está a transformar em amizades e que se irão revelar nos anos
que se seguem. Arrepia-nos o facto de sabermos que uma etapa das nossas vidas chegou
ao fim e com ela ficam momentos realmente inesquecíveis, autênticas marcas das
personalidades que nos tornámos.
Realmente,
olhando para os cinco anos que passaram, vejo transformações incríveis, também
porque a idade assim o exige.
Como
deixei bem explícito, pisamos o chão de uma escola que nos obrigou a partilhar
experiências uns com os outros, essas experiências obrigaram-nos a aprender a
lidar com os defeitos e qualidades de quem nos rodeava e foram precisos anos de
treino até entrarmos nesta sintonia.
Hoje
percebemos que apesar do cansaço que sofremos em algumas fases onde pensámos
que não estávamos lá a fazer nada, não iremos encontrar em lugar algum o
conforto e o espírito desta que foi a nossa casa, Santa Catarina.
Ana Rita Correia, 9.ºB



















