
Quarta-feira, 16 de Fevereiro
E ao quarto dia, finalmente
começou a cair neve. O facto de a neve não ser muito comum para pessoas como
nós, faz com que o efeito de a ver cair, crie uma espécie de entusiasmo quase
infantil. Foi isto mesmo que aconteceu, quando acordámos e vimos que estava a
cair um nevão (a avaliar pelo branco do chão, já há algumas horas) que parecia
ter alguma intensidade. Talvez não fosse assim tão intenso, mas é novidade e
faz com que todos se despachem mais depressa para rapidamente sairmos para a
rua. A já tradicional reunião matinal entre professores e alunos faz-se ao ar
livre, com os flocos a cair-nos levemente por cima das nossas roupas. Hoje, os
avisos prenderam-se sobretudo com o cuidado a ter com as quedas. Há muitos
sítios que têm gelo já com algum tempo e todos nós estamos longe de ser
especialistas em andar neste tipo de superfícies. E também claro, com a
importância de manter sempre o corpo quente e por isso há que aproveitar os locais
onde nos podemos aquecer ou estar atento para o facto de haver necessidade de
beber algo quente para repor a temperatura do corpo. Apesar de disso, a
temperatura mantém-se em níveis aceitáveis, pelo menos para alguns de nós. Não
está vento, só isso faz com que tudo seja mais suportável.
| Da estrada entre Secovce e Kosice podemos ver a paisagem florestal branca da neve. Foi palco de violentos combates durante a Segunda Guerra Mundial. |
Em conversa com os nossos
colegas, descobrimos ser os únicos que não têm invernos rigorosos, ou pelo
menos invernos em que a neve e a paisagem branca que resulta desta, seja algo
comum nas nossas vidas. Por tudo isto, foi mais que justificado o nosso
entusiasmo. Todos nos perguntam que temperatura tem nesta altura Portugal.
Ficamos com a sensação que qualquer temperatura que seja referida por nós,
soará sempre com verão a quem ouvir a resposta.
| À entrada de Kosice já se começa a observar alguns prédios, não muito comuns em Secovce. |
A estrada de Secovce para Kosice
já não nos é totalmente desconhecida. Há um par de dias, fizemos o percurso no
sentido inverso. Contudo, enquanto atravessamos os montes na estrada que
serpenteia a floresta, agora coberta de branco, vemos alguns tanques de guerra
estacionados perto da estrada. Datam da segunda guerra mundial, já não têm
qualquer função militar, antes relembram esse acontecimento terrível que
assombrou também esta região. O modo como se posicionam, dá-lhes um ar de
guardiães de memorial evocativo dos combates que por ali se travaram. Comentamos
entre nós, como parece mais fácil imaginar este terreno palco de confrontos
violentos quando olhamos para a paisagem cheia de neve. Talvez a cor branca
acrescente um tom mais dramático ao que vamos vendo da estrada em que circulamos.
| A professora Olga Matias e o professor Luís Filipe Sousa junto ao Memorial dedicado à Segunda Guerra Mundial. |
Fazemos perguntas aos nossos
colegas eslovacos sobre tudo isto que vamos vendo, há muita informação que nos
é desconhecida, sobretudo porque a nossa História não está muito virada para
leste. Há quase setenta anos, a cidade de Kosice pertencia então à Hungria e
foram vários os combates travados entre o exército alemão e soviético,
resultando daí milhares de mortos. Felizmente, os tempos que se vivem são de
paz e a cidade parece ter encontrado o caminho do desenvolvimento. Isso é
notório, na quantidade de obras que se vislumbram do autocarro que nos
transportam para o primeiro destino da manhã, o jardim botânico de Kosice. Lá
fora, continua a nevar.
| Todo o grupo Comenius a sair dos dois autocarros que fizeram o transporte até ao jardim botânico de Kosice. |
| A Paula, a Ana, a Margarida e a Sara aproveitam a neve para mais umas fotografias num momento de espera, antes de entrarmos no Jardim Botânico de Kosice. |

























