
A primeira impressão para quem
chega a Sultanahmet é que seria possível andar por aqui durante muito tempo sem
que fosse necessário sair deste bairro. A concentração de motivos de interesse
é simplesmente impressionante. Monumentos, museus, hotéis, restaurantes, lojas
que expõem uma quantidade inacreditável de produtos. De onde estamos parados,
conseguimos vislumbrar Hagia Sophia, a Mesquita Azul e o que restou à
superfície da basílica Cisterna e o Hipódromo. Isto é possível, porque foi
nesta área que os imperadores, primeiro bizantinos e depois otomanos mandaram
construir um conjunto apreciável de locais de adoração, serviços públicos, e
claro está palácios imperais, sendo o Topkapi, o melhor exemplo. Aqui se
planeavam estratégias de governação, planeavam-se casamentos e recebiam-se os
exércitos vitoriosos, regressados das batalhas. É o coração da cidade de
Istambul. E à volta dela, cresceram pequenos subúrbios onde também há muitos
motivos para deambular tempo sem fim.
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| No coração
de Sultanahmet, com o que resta à superfície da Basílica Cisterna (a construção
em pedra ao fundo) |
Junto a um vendedor de massarocas
de milho decidimos o caminho a tomar. Ainda relativamente longe das maçarocas
alguém imaginou que fossem churros. Instalou-se a risada geral quando ao invés,
deparámos não com o doce esperado, mas com milho assado. Nestas praças são
inúmeros os carrinhos cheios de produtos para vender. Castanhas assadas, todo o
tipo de frutos secos, fruta fresca, bebidas e vários exemplares de doçaria
turca. Para além das centenas de turistas, observamos também muitas pessoas com
ar de serem habitantes locais. Aproveitam este bonito espaço para passearem com
amigos e família. Muitos dos que estão sentados a bebericar chá turco. Os copos
que usam têm um aspecto fantástico.
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| Vista da
Hagia Sophia (Santa Sofia). Foi construída como basílica, mas hoje é uma
mesquita |
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| A Mesquita
Azul vista do jardim que separa duas das mais imponentes mesquitas de Istambul |
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| A Mesquita Azul é uma
das mais belas mesquitas da cidade |
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| O pátio da
Mesquita Azul é decorado com arcadas cheias de perfeição |
No ar espalha-se o som da Salát Al-Açr, a oração da tarde para os muçulmanos devotos. O som do
muezzin é das coisas mais bonitas que
se pode experienciar por estes lados. Andamos junto à Hagia Sophia e seguimos
pelos jardins até entrarmos na Mesquita Azul. Optamos por uma visita ao exterior
para não perturbarmos os fiéis que no interior oram. Como é característico nas
mesquitas, não há qualquer imagem. O Islão proíbe-o para evitar situações de
idolatria. No entanto, é enorme a beleza da azulejaria geométrica e dos
escritos em árabes, muitas vezes com letras douradas a adornar as paredes e os
tectos. São sempre excertos do Corão. E o facto de serem escritos em árabe deu
origem à palavra arabescos. Foi esse o termo que os ocidentais acharam para
referirem algo que não compreendiam muito bem. Após visita ao pátio, saímos por
uma outra porta e estamos no antigo Hipódromo. Este era o local onde se
concentravam os exércitos antes e depois de partirem para a guerra e realizam a
corridas. Por aqui são vários os monumentos existentes. Destacam-se os
obeliscos e a coluna da serpente.
As horas passam sem darmos por
isso. Está na hora de jantar. Apesar do fuso horário indicar mais duas do que
em Portugal, o dia foi muito longo e o apetite está desperto. Está na hora de
nos iniciarmos na saborosa cozinha turca.
Luís Sousa
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| O nosso
grupo no pátio da Mesquita Azul |
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| Excertos do
Corão decoram muitas partes de uma mesquita |
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| Obelisco de
Teodósio. Erigido no ano 390 |
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| A Coluna da
Serpente foi erigida no século IV |
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| Um
vendedor de rua e as suas maçarocas de milho que ao longe pareciam churros |