domingo, 20 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 3) – “Apresentação das escolas aos professores eslovacos”








Terça-feira, 15 de Fevereiro 

Professores eslovacos na plateia
A professora Lucia Mikulova expõe os objectivos da sessão
Professores Olga Matias e Luís Filipe Sousa
Momento da apresentação da nossa escola
Depois do almoço, é altura do encontro com os colegas eslovacos. Boa parte do corpo docente está presente para assistir à sessão de apresentação das escolas participantes no projecto. É altura de contactar com mais pessoas, conversar com elas para que nos conheçam melhor. Os trabalhos abrem com uma pequena introdução do director Milan Leskanic e da professora de inglês Lucia Mikulova. São transmitidos os objectivos desta sessão de trabalho: apresentação individual de cada escola, resposta a uma série de questões previamente entregue a cada delegação e de seguida um período de debate sobre as várias realidades das escolas presentes. O grande objectivo desta actividade, é partilha e a cooperação entre pares de vários países no sentido de encontrar novas ideias que possam ser aplicáveis em cada país.
É também em sessões destas, com carácter mais formal, que geralmente, os vários parceiros do projecto, entregam aos anfitriões os presentes oficiais da escola. Foi isso que também nós fizemos ao distribuirmos os presentes que trouxemos de Santa Catarina pelos organizadores do encontro e pelos restantes parceiros.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 3) - “Portugalsko vs. Slovensko”








Terça-feira, 15 de Fevereiro 

A prática desportiva é algo muito importante na Eslováquia. 
Mais um lá dentro
A Sara a afinar a pontaria
Desde cedo é dado a todos os alunos a possibilidade de poderem praticar várias modalidades, algumas mesmo desconhecidas no nosso país como é o caso do “floorball”. Uma das actividades previstas para nós era termos a possibilidade de fazermos alguns desportos integrados em turmas eslovacas. Os desportos escolhidos foram andebol, basquetebol e badminton. Ainda bem que calhou-nos jogar andebol, já que três de nós somos praticantes, algo que claro está, os nossos colegas eslovacos não sabiam. Azar o deles. Rapidamente, perceberam que não éramos ingénuas no jogo. Fomos marcando golos com recurso a vários movimentos técnicos (remate em apoio, em suspensão, escolham os que quiserem). Não houve ângulo naquela baliza que não tivesse visto uma bola a entrar. Pouco interessa o resultado, mas sim o facto de termos podido conviver a praticar desporto. 

Um dos momentos mais bonitos do jogo. A Ana Margarida e o colega eslovaco parecem fazer parte de uma coreografia de bailado

Sticks de floorball, algo que nunca tínhamos visto
Sala de ténis de mesa
Depois do fim das actividades desportivas, as nossas colegas mostraram-nos o resto das instalações desportivas. Ficámos espantados por termos visto áreas desportivas diferentes do que é comum no nosso país. Os nossos colegas têm inclusive uma área de fitness, e ainda salas onde estão arrumados os materiais para a prática de ski, snowboard ou floorball.

Diário Comenius (dia 3) - “Eu é que sou o presidente da câmara”








Terça-feira, 15 de Fevereiro


Percurso entre a escola e a câmara
Símbolo da cidade de Secovce
Depois da sessão de apresentação na escola seguimos com o programa estipulado, encontro no salão nobre com o “mayor” (presidente da câmara) de Secovce. Fizemos o caminho a pé, um percurso engraçado, onde pudemos aperceber-nos de características que não são comuns em Portugal. As casas são muito diferentes, nesta altura estão com neve, não muita porque não nevava há vários dias e os restos já estavam em gelo. O gelo fazia estalactites no telhado. As ruas têm muitas árvores e como estão despidas de folhas, é fácil ver os bandos de corvos que esvoaçam de uma árvore para outra.
Director Milan Leskanic e professor Luís Filipe Sousa
Director António Saloio e professora Olga Matias
Director António Saloio a assinar o livro de honra da cidade de Secovce
Dez minutos depois chegámos ao edifico da câmara. Depois de entrarmos e nos instalarmos, apareceu uma pessoa que soubemos ser o presidente da câmara que aqui tem a designação  de “mayor”.
 O “mayor” fez um discurso de boas-vindas com referência à importância de estarem ali presentes representantes de tantos países e de como estas iniciativas contribuem para estreitar laços entre povos. De seguida, os representantes dos vários países presentes assinaram o livro de honra da cidade, receberam uma obra sobre a história da cidade. Fizeram-se os cumprimentos protocolares. Após o término da sessão, fizemos o regresso à escola para almoçar. Para a tarde, as actividades de alunos e professores são diferentes. Os alunos irão praticar alguns desportos com turmas eslovacas, enquanto os professores terão uma sessão de apresentação aos professores da escola.

Diário Comenius (dia 3) - “Sessão de apresentação das escolas”







Terça-feira, 15 de Fevereiro

As nossas alunas antes do início da sessão
A sala estava a começar a ficar composta
Um dos pontos altos do trabalho que os nossos alunos tiveram que realizar durante esta semana foi a apresentação da nossa escola. A sala (enorme) onde decorreu a sessão esteve cheia (sobretudo com os alunos da casa) mas também com os restantes participantes.
Os professores a olhar para a documentação
O director Milan Leskanic inicia formalmente a apresentação
 Tudo começou com um pequeno discurso do director Milan Leskanic, seguiu-se a apresentação do programa, apresentado por alunos locais, em eslovaco e inglês.


A primeira apresentação foi a da escola eslovaca. O conceito baseava-se na apresentação aos presentes da escola e posteriormente da região em que a mesma  se insere.

A banda prepara-se para a actuação
A sessão vai decorrendo de um modo muito agradável, as escolas dos vários países vão-se sucedendo. É anunciada a “Školské Portugalsko“, que é como quem diz em eslovaco, a escola de Portugal. Tudo vai sendo feito em inglês, com a respectiva tradução para eslovaco. As nossas alunas sobem ao palco, cumprimentam todos os presentes e apresentam-se. Explicam  que irão ver uma apresentação sobre a Escola de Santa Catarina. Fazem-no num inglês tão bom que nem elas sabiam que conseguiam falar. Estiveram muito bem. Merecem os parabéns.
Apresentação da escola feita pelas nossas alunas

Este primeiro contacto a sério com os alunos da escola acaba com um momento musical em que a banda da escola, liderada pela professora de música, canta a famosa canção “We are the world”. Somos surpreendidos quando no decorrer da canção, a letra deixa de ser em inglês e passa ser em eslovaco. Talvez, pela novidade, a canção consegue soar ainda melhor em eslovaco do que em inglês.


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 3) - “Tamanho XL”






Terça-feira, 15 de Fevereiro

Bar e bufete na escola de Secovce
Passeio com alguma curiosidade pelas várias partes que constituem a escola. Olho aqui e ali e tento perceber como funcionam as coisas. Alguns alunos eslovacos passam por mim a pensar que estou meio perdido. Ouço alguns sussurrar entre eles que sou português. A identificação é fácil de conseguir. Tenho ao pescoço a minha identificação referente ao projecto.
Chego a um sítio que me parece vender coisas para comer. Olho para dentro e descubro a congénere eslovaca da Dona Fátima do nosso bar na escola. Fico parado a olhar para as prateleiras, tentando perceber se aquilo que estou a ver à venda, são mesmo garrafas de dois litros de refrigerantes. Também existem para venda todo o tipo de batatas fritas e salgados de toda a espécie. O tamanho que reina nas prateleiras é o XL e o colesterol tem aqui um espaço de eleição capaz de levar ao desespero metade dos médicos de família de Portugal. Penso cá para mim, nos argumentos que vou utilizar quando regressar a Portugal e pedir à Dona Fátima se me pode preparar umas bifanas, ou quem sabe, num momento de loucura uma sandes de courato para o intervalo das dez da manhã. Para acompanhar, uma gasosa, se não for pedir muito.

Diário Comenius (dia 3) - “Começar os dias ”







Terça-feira, 15 de Fevereiro

Escola de Secovce
Cartaz de boas vindas
Os dias na Eslováquia começam cedo. Temos acordado por volta das seis (ou seja, cinco horas da manhã em Portugal). Às sete horas, todas as comitivas devem começar a juntar-se na sala destinada aos pequenos-almoços. Muitas vezes, é este o momento em que os vários parceiros começam a conversar sobre algumas das actividades que já decorreram e outras que virão a seguir. Alinham-se ideias e sugestões para que chegando a hora marcada para o trabalho oficial, tudo decorra de um modo fluído e produtivo. Não são muitos os dias disponíveis e é preciso avançar. Esse é um dos segredos para que o projecto avance atingindo as metas propostas.

Elementos das escolas alemãs e portuguesas
Elementos das escolas alemãs, eslovaca, portuguesa e turc
Os nossos anfitriões têm sido incansáveis, esforçam-se para que todos se sintam como estivessem em casa. Sabemos da dificuldade que é conjugar pessoas (adultos e jovens) de diversas proveniências, sentimos a mesma responsabilidade aquando da nossa experiência anterior em Portugal. Querem-nos receber bem e a nossa responsabilidade enquanto participantes num projecto desta natureza é ser prestável e ajudar naquilo que for necessário.
Fotografo um cartaz, escrito em inglês com a referência “Welcome to Slovakia” e sinto isso mesmo. Apesar das saudades que sentimos das nossas famílias, todos nos sentimos bem-vindos neste país.

Diário Comenius (dia 3) - “A caminho da integração plena”







Terça-feira, 15 de Fevereiro

Encontro matinal dos alunos de vários países no átrio da escola
O dia de hoje começou connosco a conversar sobre as experiências da primeira noite passada com os alunos eslovacos que nos receberam. Tudo correu bem. Não faltaram pormenores e factos engraçados para partilhar. Estamos espantados como o nosso inglês parece ser melhor do que pensávamos. Podemos dar razão aos nossos professores que sempre nos disseram que é com experiências como essas que verdadeiramente se aprende uma língua. Quanto ao eslovaco, já existem umas quantas palavras que sabemos pronunciar. 

Momentos antes da reunião matinal com os nossos professores
O encontro entre alunos e professores acontece logo pela manhã, é feito uma actualização de como foram as horas que passámos longe dos nossos professores. Como tudo tem corrido às mil maravilhas, estas conversas acabam por ser divertidas porque não há nenhum problema a resolver. Recebemos sempre alguns conselhos como encarar possíveis situações.

O nosso grupo com um elemento que não se vê por estar na função de fotógrafo
Hoje o dia vai ser passado entre as actividades com um carácter mais oficial e actividades com alunos de várias turmas eslovacas. Todos querem conhecer-nos e já nos habituamos a ser alvo de alguma atenção. Temos distribuído simpatia e contactado com toda a gente e achamos que nos estamos a sair bem. Já muita gente aqui nos trata pelo nome. A memorização dos nomes foi facilitada pelo facto de todos termos placas identificativas, com o nome, país de origem e com o que somos (“student” para nós, “teacher” para a professora Olga e para o professor Luís e ainda “Director” para o professor António). Depois de deixarmos os professores, eles vão ter uma sessão de apresentação com todos os professores da escola, onde discutirão vários assuntos. A essa hora deveremos estar a praticar vários desportos nas instalações desportivas, que aqui são óptimas. Queremos ver se conseguimos jogar andebol. Para já continuaremos junto aos nossos professores, vamos estar na sessão de apresentação aos alunos da escola. Segundo parece é num auditório enorme e que pode receber imensa gente. Estamos um bocadinho nervosas. Vamos ter que fazer a nossa apresentação em inglês, introduzir o material que foi produzido na nossa escola. Temos que fazer tudo o melhor possível para representarmos bem a nossa escola e o nosso país.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 2) - “Michalovce”






Segunda-feira, 14 de Fevereiro

Castelo de Michalbem.ovce
Igreja de Michalovce
Por motivos insondáveis, temos tido a sensação que uma língua portuguesa não consegue pronunciar correctamente o eslovaco. Não por falta de tentativa, aliás, nós tentamos tantas vezes que acaba por ser motivo de divertimento entre os presentes. Ao mesmo tempo, quase também sem darmos por isso, vamos aprendendo as particularidades de uma língua, que em termos fonéticos é muito diferente da nossa. Também é consensual entre nós que é um língua mais fácil do que o húngaro (na qual não conseguimos pronunciar nada). Com boa vontade e com espírito de intercâmbio vamos comunicando com todos e já não é coisa rara ouvir um de nós a entoar palavras como “dobra” para transmitir algo parecido a um “bom” ou “está bem”.
Ruínas da igreja medieval
A nossa escola foi a primeira a chegar a Secovce. Depois de almoço, chegaram os nossos colegas polacos. Depois de também eles se instalarem, dirigimo-nos para uma pequena cidade, de nome Michalovce. O objectivo era visitar um castelo, principal atracção turística da cidade e que actualmente é também um museu.
A área onde se insere o castelo de Michalovce é bonita em termos cromáticos, não que tenha muita diversidade cromática, mas por ser branco e contrastar com as cores de inverno das árvores que o rodeiam. A designação castelo causou-nos alguma estranheza. Não estamos habituados a olhar para este tipo de edifício como castelos. Para um português comum, seria mais uma espécie de estrutura apalaçada. Junto a este castelo, existem também duas igrejas. Uma que remonta à idade média e da qual só existem ruínas e uma outra, também com alguma idade que continua em funcionamento.
Colecção de cerâmica
Entramos e deparamos com um interior recheado de património histórico e etnográfico. As salas sucedem-se umas atrás das outras. Uma rica colecção de objectos paleolíticos e neolíticos e várias outras salas que tentam mostrar ao visitante como seria o quotidiano dos habitantes da época. Gostámos de ver as salas dedicadas à cerâmica, aos trabalhos agrícolas, com destaque para a actividade vinícola. Toda a parte relacionada com a adega e objectos necessários à cultura da vinha e o modo como o trabalho era organizado permitiram perceber a importância que tinha para a região. Após sairmos do museu, demos um pequeno passeio pelas ruas da cidade. Podemos admirar alguns edifícios históricos ou com características que não estamos habituados a ver.
Alunos eslovacos, polacos e portugueses
Um dos edifícios com história em Michalovce
Rapidamente começou a escurecer, algo que acontece mais cedo do que nosso país. É algo a que não estamos habituados. Outra mudança de hábitos prende-se com os horários das refeições. Aqui as refeições são tomadas mais cedo, aliás tudo é feito mais cedo, já que a hora de nos deitarmos também é diferente da que estamos habituados. No entanto, é assim que tem que ser, já que as aulas começam por volta das oito horas. E como as nossas actividades agora são feitas aqui, há que seguir o nosso ditado. Em Roma sê romano, na Eslováquia sê eslovaco. E nós estamos devagarinho a aprender não a ser eslovacos, mas a aprender a viver como eles.