Sexta-feira, 18 de Fevereiro
Chegamos a Kosice quando ainda
faltam três horas e meia para o comboio que nos levará a Budapeste. Connosco
continuam os professores Marek e Lucia, apesar de insistirmos que está na hora
de eles terem um pouco de descanso, isto depois de uma semana intensa em que
trabalharam imenso. Sorriem e dizem-nos que têm muito tempo para descansar, e
que agora iremos aproveitar o tempo que nos resta para conhecer mais um pouco
da cidade.
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| Um coreto
no meio do parque de Kosice |
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| Este
edifício já foi residência oficial da Presidência da Eslováquia |
A primeira coisa a resolver é
onde deixar as malas em segurança. É nestas situações, que vemos a utilidade
das bagageiras das estações de transportes públicos. Rapidamente achamos o
local e depositamos as bagagens. Seria impossível movimentarmo-nos à vontade com
tanto peso atrás de nós. O euro que pagamos para que fiquem em segurança
durante a nossa ausência, vale cada cêntimo. Mais tarde, quando chegar a altura
de as levantarmos, dará origem a mais um episódio hilariante. A senhora
responsável pela bagageira, já nos tinha transmitido um ar da sua graça,
avisando (em eslovaco e acenos de braços) que sem os bilhetes comprovativos,
ninguém levaria dali nada. Na altura de pagar, reparámos que mais uma vez,
estávamos perante recibos manuscritos (com cada um a demorar uma eternidade a
ser passado). Para ser prático, o nosso Director tentou pagar os sete bilhetes
em conjunto, mas perante a recusa liminar da senhora, que lhe fez um ar sério,
como que a perguntar quem éramos nós para vir ali complicar o trabalho dela. Por
fim, tivemos que pagar um de cada vez. E atrás de nós a fila foi-se avolumando.
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| Caminhando
pelas bonitas ruas de Kosice |
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Aqui
acontecem no verão bonitos espectáculos que envolvem água, luzes e música
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| O grupo
posa para a fotografia em frente ao edifício da Ópera de Kosice |
Por fim, voltamos a sair da
estação. Com o aproximar do final de tarde, a agitação de pessoas em movimento
e até de trânsito é maior. Os tons cinzentos que a tarde trouxe não deixam de
dar uma aura cinematográfica às paisagens que nos vão aparecendo pela frente.
Atravessamos um jardim com alguns monumentos evocativos de outras épocas. Um
coreto domina o centro do parque, onde para além de um ou outro transeunte, não
se vê ninguém. Quase sem darmos por isso, temos uma ponte no nosso caminho,
cuja existência ainda não tínhamos notado. Ao meio, um senhor munido de um
violino vai lançando no ar umas notas um tanto ou quanto desafinadas. Tem um ar
simpático e no regresso irá receber algumas moedas nossas, que simpaticamente
agradeceu com uma música em que só percebemos algo como “Da Da Da”. No fim da
ponte, um edifício muito bonito chama a atenção por ter algo que o distingue de
outros. Dizem-nos que serviu de residência oficial da presidência da
Eslováquia, embora neste momento já não desempenhe essas funções. Continuamos a
caminhar pelas avenidas principais, desviando para as laterais, sempre que algo
interessante merece um olhar mais atento. Entramos nalgumas lojas, procurando
alguns presentes de última hora, tarefa que vamos conseguindo desempenhar com
alguma rapidez. Pedem-se opiniões, perguntam-se preços, faz-se contas, afinal
em viagem, o orçamento é sempre algo importante.
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| Ninguém
consegue resistir à sinalética escrita em eslovaco |
Voltamos a área da catedral de
Kosice. Já nos é conhecida e sem dúvida alguma, estamos na parte mais bonita da
cidade. Desta feita, caminhamos pelo jardim que divide as estradas ladeadas
por bonitos edifícios em várias cores (a lembrar Bardejov). O edíficio da Ópera
é imponente, e revela bem a importância que por aqui se dá à cultura.
Pendurados nas varandas estão cartazes que anunciam a variada temporada de
espectáculos, que incluem óperas e bailados entre outras apresentações
artísticas.
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| O director
António Saloio a tentar resgatar as nossas malas perante a resistência da
guardiã das bagagens |
Mesmo no centro do jardim, há uma
instalação de luzes coloridas, naquilo, que de momento, mais não é do que um
buraco semi-gelado. Segundo parece, no verão é um local muito concorrido, onde
as famílias passam bastante tempo. Há um sistema de repuxos que lança no ar a
água, fazendo efeitos em conjunto com a iluminação. Tudo isto é sincronizado
com os sons musicais que marcam o ritmo do funcionamento dos jactos de água.
Quem já viu garante, ser um espectáculo merecedor de ser visto. Assim como
valeria a pena, ouvir o som dos sinos que estão junto a nós a marcar as quatro
horas da tarde. Isto, claro está, se à hora marcada tivessem realmente funcionado,
ao invés de deixarem dez pessoas a olhar para o ar durante uns minutos a tentar
perceber o que tinha acontecido, ou melhor, o que não tinha acontecido.
Aproveitamos para fotografar mais algumas coisas, incluindo sinais de trânsito e
placares que consideramos engraçados. Isto é algo que rapidamente, se tornou
um vício para todos.
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Painel
informativo a anunciar os horários de partida dos comboios
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O tempo passa rapidamente, e
quase se darmos por isso, está na hora de irmos para a estação de comboios.
Ainda temos que comprar o nosso jantar, já que a viagem vai ser longa e por
isso a refeição terá que ser feita a bordo do comboio. Despedimo-nos dos
professores Marek e Lucia, agradecendo-lhes, mais uma vez (e nunca serão as
suficientes) tudo o que fizeram por nós durante esta semana e entramos na
estação. Naqueles painéis fascinantes, com placas que rodam a toda a velocidade
(fazendo um tac tac que lembra castanholas) sempre que parte ou chega um comboio,
já está anunciada a hora do nosso. Parte às 18.06 com destino a Budapeste!
Luís Sousa