Sexta-feira, 18 de Fevereiro
Seis da tarde e já é noite escura
em Kosice. Estamos junto ao nosso comboio. Antes de conseguirmos
acomodar-mo-nos temos que tratar das bagagens. Carregar e descarregar malas,
sobretudo com as características das nossas, não é de modo algum actividade que
nos atraia por aí além. Tentamos subi-las para a carruagem com calma e
sobretudo com cuidado. Não queremos que ninguém se aleije. Incluindo as malas,
já que algumas começam, por esta altura, a acusar o esforço da viagem. Já há
rodas que saltam fora, ferros que se desprendem. Como parece que este comboio
não irá ter muitos passageiros, não há grande pressa.
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| Às seis da tarde já a noite tinha caído em Kosice |
Finalmente, estamos instalados.
Para além de nós, na carruagem só parece haver mais um passageiro. Lá fora, não
fosse a fraca iluminação das linhas e já nada seria visível para nós. Ao sinal
sonoro, a máquina dá sinais de começar a movimentar-se. Os revisores saltam
para dentro das suas carruagens e aos poucos vemos Kosice a afastar-se, até não
nada mais restar senão as luzes da cidade. A viagem até à fronteira
eslovaco-húngara não irá demorar mais do que meia hora, talvez uns quarenta
minutos. Recostamo-nos aos bancos, e alguns de nós mergulham num estado de
sonolência. Os que mantêm a vigia, vão conversando e rindo ao sabor das
graçolas que vão surgindo.
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| Momentos de descontracção durante a viagem. Também se aproveita para realizar um pouco de manutenção às malas |
A primeira estação do lado
húngaro em que paramos, tem neste momento, ainda mais ar de cenário de filme de
espiões do que nos pareceu quando estivemos aqui de dia. Quando voltamos a
partir, alguém sugere que era uma boa altura para jantarmos. Num instante, espalhamos
o nosso repasto pelas mesas. Água e sumos, sanduíches com recheios variados,
batatas fritas e fruta. Numa súbita alergia a vegetais, a Margarida e a Sara,
rapidamente descartam a parte saudável das suas sanduíches e preparam em dois
tempos uma refeição vegetariana para o professor de História. E assim, a viagem
vai continuando. Sem darmos por isso, quando terminamos o jantar, já passaram
duas horas desde que partimos de Kosice.
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| Refeição vegetariana preparada para o professor de História. Cortesia da Margarida e da Sara |
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| Por esta altura, o cansaço já afectava todos |
Três horas e meia depois, depois
de viajarmos a maior parte do tempo só com a escuridão como paisagem começam a
surgir algumas luzes mais intensas. Agora podemos ver edifícios com
características industriais, muitos deles com um ar meio abandonado.
Provavelmente, serão oficinas e barracões de apoio ao serviço ferroviário. Mais
uns minutos e estamos a entrar novamente na estação de Keleti. Na plataforma,
podemos observar alguns rostos ansiosos. Esperam por amigos/as, namorados/as ou
família. Não tendo, ninguém a esperar por nós, deixamos o comboio imobilizar-se
por completo. Repetimos toda a operação relacionada com a logística das malas.
Apesar do regresso a Budapeste, e do entusiasmo que gera o facto de ainda termos
a manhã de amanhã para visitarmos a cidade, todos estão com ar de quem está a
sonhar com as camas do hotel onde vamos ficar instalados. A apenas quatrocentos
metros de aqui, o descanso espera por nós.
Luís Sousa
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| Na estação Keleti (Budapeste) só queríamos chegar o mais depressa possível ao nosso hotel. |



































