Sexta-feira, 18 de Fevereiro
Agora que já começámos a
ambientar-nos ao labirinto de corredores e portas que dão para escadas e outras
que afinal não dão para ir para onde queremos é que tudo caminha para o fim.
Durante os primeiros dias, sempre que parecia que tinhamos o percurso delineado
dentro do edifício da escola havia sempre algo que nos fazia momentaneamente
perder a noção da direcção que pretendiamos. A única desculpa é mesmo o facto
de este edíficio ser realmente grande. Para além de algumas salas e ainda
estruturas de apoio alberga uma série de divisões que têm como função alojar os
alunos que aqui estudam e pernoitam em regime de internato. São estes
alojamentos que por estes dias têm servido de lar aos professores que
participam neste encontro.
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| Espaço não falta a estas amplas oficinas |
A nossa visita começa pela zona onde
funcionam os cursos ligados à actividade industrial. São vários os cursos
ligados à metalomecânica (como é o caso da soldadura ou serralharia). É deveras
impressionante, o quão bem equipado estão estas oficinas. Passa-nos pelo
pensamento, que muitas empresas no nosso país, não terão maquinaria tão
diversa. Outro motivo que causa espanto, é o tamanho das instalações, todas
muito amplas. Ao contrário do que poderíamos pensar, e do que o espaço poderia
albergar, as classes não são muito numerosas. A explicação que nos dá a vice-presidente
Maria é bastante plausível. São cursos industriais, onde os alunos aprendem a
manusear máquinas, muitas vezes complexas, que com uso indevido rapidamente se
tornam perigosas. Deste modo, com um número de alunos reduzido, o professor
consegue dar atenção a todos e o processo de ensino faz-se de um modo mais
eficiente.
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| Assistimos a algumas demonstrações sobre o funcionamento das máquinas |
Saimos deste ambiente industrial
e quase sem darmos por isso, estamos num corredor inundado por música festiva.
Perante o ar de interrogação dos visitantes, dizem-nos que os alunos mais
jovens estão a celebrar o Carnaval. Isto deixa-nos ainda mais confusos, porque
supostamente o Carnaval este ano definitivamente não é nesta semana. Por fim,
lá nos explicam que é tradição escolher um dia para se celebrar por aqui o
Carnaval, sem que obrigatoriamente tenha que ser época do dito. Parece algo
importado e que não sabendo muito bem onde encaixar, acabou por ficar com o
espírito “O Carnaval é quando um eslovaco quiser!”. O certo é que a juventude
está bem animada e a divertir-se à grande. Entramos na sala no momento em que
está a acontecer o jogo da cadeira. O entusiasmo é geral e perante o ritmo
imposto pela banda de serviço, os participantes vão sendo eliminados um a um.
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| Alunos a trabalharem nos tornos |
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| O Director António Saloio enquanto observava um aluno a soldar |
Abandonamos a festa e seguimos
para a área onde funcionam os cursos ligados às novas tecnologias. Aqui o
cenário é parecido à realidade portuguesa. Vamos cumprimentando todos os alunos
que aparecem e tentando ao máximo comunicar com eles. Alguns alunos tentam
exprimir-se com algumas frases em inglês, mas a ainda tenra idade não dá azo a
grandes aventuras linguísticas. O mesmo já não se passa com os mais velhos, que
já revelam um outro domínio da língua inglesa e por isso conseguem exprimir-se
melhor. Voltamos a reencontrar o simpático professor de informática que nos
primeiros dias nos ambientou e ajudou a podermos usufruir de uma sala de computadores
para trabalharmos. Explica-nos como funcionam estes cursos ligados à
informática e mostra-nos, visivelmente orgulhoso, alguns trabalhos de
programação informática realizados pelos alunos que nos pareceram bem
complexos.
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| A surpresa ao ver uma sala repleta a celebrar o Carnaval fora de época |
Pouco depois, estamos no local
onde foram preparadas uma boa parte da comida que foi servida na escola nestes
dias. Falamos da cozinha onde funciona o curso profissional de cozinha. Aqui os
jovens aprendem todos os segredos ligados à arte da confecção culinária. A
avaliar pela quantidade de coisas saborosas que tivemos o privilégio de provar
estão todos aprovados. Não tendo sido um prato consensual, não há como não
relembrar a extraordinária apresentação e (pelo menos para alguns de nós) o
sabor da gelatina de porco. Compreendendo que muitos dos que lerem este texto
possam franzir o sobrolho perante esta iguaria, deixem-nos acrescentar que com
um pouco de cebola às rodelas e temperado com vinagre foi algo opíparo!
E já que falamos em comida, já
vamos com mais de duas horas de visita à escola e sem darmos por isso estamos
na hora de almoço. Já nos resta pouco tempo em Secovce.
Luís Sousa
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| O jogo da cadeira a decorrer com grande animação |
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| O simpático professor de informática explica como funcionam os cursos informáticos |
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| A gelatina de porco revelou-se um autêntico pitéu |




























