
Quarta-feira, 16 de Fevereiro
| A casa museu Rodosto, vista da praça exterior. |
Saímos do frio para o ambiente
aquecido da Casa Museu Radosto. Este é um edifício datado de fins do século
XVIII/início do século XIX. Subimos imediatamente ao primeiro andar onde
começamos a visita. Este museu está organizado de modo a inteirar-nos de uma
forma o mais completa possível, da pessoa do príncipe Ferenc II Rákóczi, do seu
exílio na costa oeste do mar de Mármara (na actual Turquia) e ainda das suas
cerimónias fúneres, que tiveram lugar, aqui em Kosice. Este primeiro andar é
dominado por uma enorme sala de jantar, com alguns elementos decorativos, que
lemos terem sido feitos e decorados pelo próprio.
| Uma das salas do museu que se encontra muito bem organizado. |
Mais à frente, vemos a colecção
de armas, gravuras lindíssimas, medalhas e gravações em metal e outras obras de
arte, que revelam um certo bom gosto que este príncipe e a sua família deveriam
ter à epoca. Família que está muito bem representada numa série de aguarelas
muito bonitas. É também dado um grande destaque a alguns elementos funerários,
ligados não só à sua morte como também às imponentes cerimónias fúnebres.
A parte mais bonita desta casa é
uma sala, totalmente decorada com motivos orientais, incluindo o tecto com um
fabuloso trabalho em madeira talhada. Como objecto de decoração principal, uma
cadeira, que com um ar imponente, domina todo o espaço.
| A originalidade está presente em muitas das peças exposta neste museu. |
| A magnífica réplica da sala otomana com a cadeira a dominar todo o espaço. |
| Este artefacto fúnebre prendeu-nos a atenção pelo intricado trabalho em metal. |
| O trabalho na madeira das paredes da sala otomana. |
Esta casa deve o seu nome,
Rodosto à vila turca com o mesmo nome onde o último líder do levantamento rebelde
dos Estados Húngaros contra o poder dos Habsburgos (austríacos) teve que viver
exilado alguns anos (1720-1735) juntamente com alguns dos seus fiéis apoiantes.
A casa é uma réplica dessa mesma casa turca. O seu aspecto, tipicamente
otomano, surpreendeu os nossos colegas turcos, que não esperavam encontrar ali,
tanta memória relacionada com o seu país de origem. É que para além da casa
(numa boa parte do seu interior) ser uma réplica do que era comum utilizar nas
construções apalaçadas) do Império Otomano (antigo império, cujo território
principal é hoje a Turquia), tem também uma boa colecção de mobiliário,
pinturas e gravuras otomanas. Foi uma boa oportunidade para adquirir mais
alguns conhecimentos de uma História, que para nós europeus ocidentais, é
muitas vezes pouco conhecida. Sendo assim, ficámos a saber que sendo o Império
Austríaco inimigo do Turcos Otomanos, o sultão otomano viu neste rebelde uma
oportunidade para combater o inimigo austríaco. No fundo seguiu um pouco a
óptica do velho ditado que refere serem os inimigos dos nossos inimigos, nossos
amigos. Também os franceses, que nesta época andavam de costas voltados para com
os austríacos o apoiaram. Aliás a estátua, que está no exterior, e junto ao
qual posamos para uma fotografia publicada anteriormente, tem escritas algumas
palvaras em francês, evocando o direito à liberdade. O certo é que a avaliar
pelo que lemos neste museu, este nobre foi um aventureiro rebelde, que viveu
toda a sua vida envolvido na luta contra aqueles que considerava seus inimigos,
ora combatendo pela força das armas, ora manobrando politicamente no sentido de
atingir os seus propósitos. Não o terá conseguido por muitas ocasiões, mas o
facto de lutar pela existência de uma Hungria livre (lembremos que até à
Segunda Guerra Mundial, este era território húngaro) fez com que ganhasse, por
direito próprio a admiração dos seus contemporâneos por estes lados. O facto de
ter recusado por duas ocasiões o trono da Polónia, na altura oferecido pelo
Czar Pedro I, faz com que pareça ter sido alguém, com ideais sólidos e não
somente movido por interesse de ganhar poder.
Os seus restos mortais chegaram a
Kosice, apenas em 1906. Até na morte, este homem foi uma autêntica aventura.
Consta que os seus orgãos foram enterrados numa igreja grega de Rodosto,
enquanto o seu coração foi enviado para França. O restante corpo ficou em
Constantinopla (actual Istambul), numa igreja francesa da cidade. Deixou
escrito em testamento, o pedido para que os seus aliados estrangeiros não
esquecessem a sua família e todos os companheiros de exílio (entre os quais
dividiu uma parte da sua herança). A sua trasladação para Kosice revestiu-se de
toda a solenidade possível.
Terminada a visita e de regresso
ao frio no exterior, olhamos para a estátua dele que parece vigiar toda aquela
praça em redor do museu, que foi merecedor de todas as honras que o seu povo
lhe prestou.


