quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 3) - “Começar os dias ”







Terça-feira, 15 de Fevereiro

Escola de Secovce
Cartaz de boas vindas
Os dias na Eslováquia começam cedo. Temos acordado por volta das seis (ou seja, cinco horas da manhã em Portugal). Às sete horas, todas as comitivas devem começar a juntar-se na sala destinada aos pequenos-almoços. Muitas vezes, é este o momento em que os vários parceiros começam a conversar sobre algumas das actividades que já decorreram e outras que virão a seguir. Alinham-se ideias e sugestões para que chegando a hora marcada para o trabalho oficial, tudo decorra de um modo fluído e produtivo. Não são muitos os dias disponíveis e é preciso avançar. Esse é um dos segredos para que o projecto avance atingindo as metas propostas.

Elementos das escolas alemãs e portuguesas
Elementos das escolas alemãs, eslovaca, portuguesa e turc
Os nossos anfitriões têm sido incansáveis, esforçam-se para que todos se sintam como estivessem em casa. Sabemos da dificuldade que é conjugar pessoas (adultos e jovens) de diversas proveniências, sentimos a mesma responsabilidade aquando da nossa experiência anterior em Portugal. Querem-nos receber bem e a nossa responsabilidade enquanto participantes num projecto desta natureza é ser prestável e ajudar naquilo que for necessário.
Fotografo um cartaz, escrito em inglês com a referência “Welcome to Slovakia” e sinto isso mesmo. Apesar das saudades que sentimos das nossas famílias, todos nos sentimos bem-vindos neste país.

Diário Comenius (dia 3) - “A caminho da integração plena”







Terça-feira, 15 de Fevereiro

Encontro matinal dos alunos de vários países no átrio da escola
O dia de hoje começou connosco a conversar sobre as experiências da primeira noite passada com os alunos eslovacos que nos receberam. Tudo correu bem. Não faltaram pormenores e factos engraçados para partilhar. Estamos espantados como o nosso inglês parece ser melhor do que pensávamos. Podemos dar razão aos nossos professores que sempre nos disseram que é com experiências como essas que verdadeiramente se aprende uma língua. Quanto ao eslovaco, já existem umas quantas palavras que sabemos pronunciar. 

Momentos antes da reunião matinal com os nossos professores
O encontro entre alunos e professores acontece logo pela manhã, é feito uma actualização de como foram as horas que passámos longe dos nossos professores. Como tudo tem corrido às mil maravilhas, estas conversas acabam por ser divertidas porque não há nenhum problema a resolver. Recebemos sempre alguns conselhos como encarar possíveis situações.

O nosso grupo com um elemento que não se vê por estar na função de fotógrafo
Hoje o dia vai ser passado entre as actividades com um carácter mais oficial e actividades com alunos de várias turmas eslovacas. Todos querem conhecer-nos e já nos habituamos a ser alvo de alguma atenção. Temos distribuído simpatia e contactado com toda a gente e achamos que nos estamos a sair bem. Já muita gente aqui nos trata pelo nome. A memorização dos nomes foi facilitada pelo facto de todos termos placas identificativas, com o nome, país de origem e com o que somos (“student” para nós, “teacher” para a professora Olga e para o professor Luís e ainda “Director” para o professor António). Depois de deixarmos os professores, eles vão ter uma sessão de apresentação com todos os professores da escola, onde discutirão vários assuntos. A essa hora deveremos estar a praticar vários desportos nas instalações desportivas, que aqui são óptimas. Queremos ver se conseguimos jogar andebol. Para já continuaremos junto aos nossos professores, vamos estar na sessão de apresentação aos alunos da escola. Segundo parece é num auditório enorme e que pode receber imensa gente. Estamos um bocadinho nervosas. Vamos ter que fazer a nossa apresentação em inglês, introduzir o material que foi produzido na nossa escola. Temos que fazer tudo o melhor possível para representarmos bem a nossa escola e o nosso país.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 2) - “Michalovce”






Segunda-feira, 14 de Fevereiro

Castelo de Michalbem.ovce
Igreja de Michalovce
Por motivos insondáveis, temos tido a sensação que uma língua portuguesa não consegue pronunciar correctamente o eslovaco. Não por falta de tentativa, aliás, nós tentamos tantas vezes que acaba por ser motivo de divertimento entre os presentes. Ao mesmo tempo, quase também sem darmos por isso, vamos aprendendo as particularidades de uma língua, que em termos fonéticos é muito diferente da nossa. Também é consensual entre nós que é um língua mais fácil do que o húngaro (na qual não conseguimos pronunciar nada). Com boa vontade e com espírito de intercâmbio vamos comunicando com todos e já não é coisa rara ouvir um de nós a entoar palavras como “dobra” para transmitir algo parecido a um “bom” ou “está bem”.
Ruínas da igreja medieval
A nossa escola foi a primeira a chegar a Secovce. Depois de almoço, chegaram os nossos colegas polacos. Depois de também eles se instalarem, dirigimo-nos para uma pequena cidade, de nome Michalovce. O objectivo era visitar um castelo, principal atracção turística da cidade e que actualmente é também um museu.
A área onde se insere o castelo de Michalovce é bonita em termos cromáticos, não que tenha muita diversidade cromática, mas por ser branco e contrastar com as cores de inverno das árvores que o rodeiam. A designação castelo causou-nos alguma estranheza. Não estamos habituados a olhar para este tipo de edifício como castelos. Para um português comum, seria mais uma espécie de estrutura apalaçada. Junto a este castelo, existem também duas igrejas. Uma que remonta à idade média e da qual só existem ruínas e uma outra, também com alguma idade que continua em funcionamento.
Colecção de cerâmica
Entramos e deparamos com um interior recheado de património histórico e etnográfico. As salas sucedem-se umas atrás das outras. Uma rica colecção de objectos paleolíticos e neolíticos e várias outras salas que tentam mostrar ao visitante como seria o quotidiano dos habitantes da época. Gostámos de ver as salas dedicadas à cerâmica, aos trabalhos agrícolas, com destaque para a actividade vinícola. Toda a parte relacionada com a adega e objectos necessários à cultura da vinha e o modo como o trabalho era organizado permitiram perceber a importância que tinha para a região. Após sairmos do museu, demos um pequeno passeio pelas ruas da cidade. Podemos admirar alguns edifícios históricos ou com características que não estamos habituados a ver.
Alunos eslovacos, polacos e portugueses
Um dos edifícios com história em Michalovce
Rapidamente começou a escurecer, algo que acontece mais cedo do que nosso país. É algo a que não estamos habituados. Outra mudança de hábitos prende-se com os horários das refeições. Aqui as refeições são tomadas mais cedo, aliás tudo é feito mais cedo, já que a hora de nos deitarmos também é diferente da que estamos habituados. No entanto, é assim que tem que ser, já que as aulas começam por volta das oito horas. E como as nossas actividades agora são feitas aqui, há que seguir o nosso ditado. Em Roma sê romano, na Eslováquia sê eslovaco. E nós estamos devagarinho a aprender não a ser eslovacos, mas a aprender a viver como eles.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 2) - “Longe da vista, longe do estômago”







Segunda-feira 14 de Fevereiro


Capuccino em Michalovce (Eslováquia)
Capuccino em Michalovce (Eslováquia)
Por estes dias, algures na Europa Central, existem dois professores que se lamentam várias vezes ao dia sobre as saudades que sentem das meias de leite da D. Fátima e da D. Manuela. Um Director de escola vai escutando com uma paciência do tamanho do Mundo. Procuram ansiosamente nos locais por onde vão passando, algo que aplaque as saudades e possa, mesmo que só por momentos, transportá-los mentalmente para o bar da escola. De vez em quando, deparam-se com substitutos temporários e disfarçam a distância da pátria e das meias de leite.

Diário Comenius (dia 2) - “Chegadas, encontros e reencontros”








Segunda-feira, 14 de Fevereiro

Placa identificativa de Kosice

Após a chegada a Kosice, fomos recebidos pela professora Lucia, uma das parceiras eslovacas do projecto. Como já a conhecíamos do encontro que se realizou na nossa escola acabou por ser um reencontro. Mais tarde também nós conhecemos mais colegas eslovacos envolvidos no projecto, mas que não tinham estado presentes no último encontro em Portugal.
Chegada dos alunos Comenius à escola em Secovce
Chegámos à escola a Secovce por volta das onze da manhã após uma viagem de comboio que durou três hora e meia e que atravessou a parte oriental da Hungria. Ao longo do percurso podemos ver alguns pormenores daquela, que segundo lemos, é a parte menos desenvolvida da Hungria. A viagem de comboio terminou em Kosice. Esta é a segunda maior cidade da Eslováquia logo a seguir à capital Bratislava. Secovce, a localidade onde se está a realizar este segundo encontro do projecto “Medicinal Herbs in Europe”, fica a cerca de trinta quilómetros de distância. O caminho entre as duas localidades faz-se entre um cenário de floresta, que nesta época está despida de folhagem, e ainda algumas aldeias e vila de pequena dimensão. As condições climatéricas estão óptimas. Vínhamos preparados para frio intenso, quiçá neve, e acabamos por nos deparar com um céu azul, quase igual ao que é normal em Portugal. Contudo, há alguns dias atrás, deve ter sido diferente, já que restam aqui e ali, pedaços de gelo.
Finalmente as nossas alunas conhecem presencialmente as alunas eslovacas que as receberão nas suas casas. Já há algum tempo que elas vêm mantendo contacto via internet, mas nada se compara com o poder conhecer-se alguém pessoalmente. Da nossa carrinha começamos a ver as alunas eslovacas. Estão contentes por finalmente chegarmos. Quando saímos, todas as alunas se cumprimentam como se tivessem estado apenas algum tempo sem se verem. Uma imagem que representa bem o espírito que se pretende atingir num projecto Comenius.
Alunos Comenius reunidos ao almoço.
Para além da parte relacionada com o intercâmbio cultural, os projectos Comenius têm uma vertente relacionada com o tema do projecto. Os assuntos relacionados com o tema em desenvolvimento são tratados e discutidos em reuniões de trabalho que podem acontecer em qualquer parte do dia, dependendo do agendamento que a escola anfitriã definir. Como estes encontros envolvem muitas escolas de locais diversos (este encontro em particular tem sessenta e cinco participantes) a hora de chegada das escolas participantes depende dos trajectos que cada uma faz até ao local do encontro.
Deste modo, é normal acontecerem encontros informais, onde as primeiras escolas a chegarem vão avançando nas matérias a desenvolver. Estes encontros informais acontecem tanto entre professores, como entre alunos. Este tipo de abordagem é muito importante, sobretudo entre alunos. Permite-lhes “quebrar o gelo”, algo que tem uma importância fundamental para os mais novos.
No lobby da escola de Secovce, a caminho da reunião com o director Milan Leskanic.
Enquanto os nossos alunos reuniram com os colegas eslovacos que os receberam efusivamente, os professores tiveram uma primeira reunião com a direcção da escola de Secovce. O director Milan Leskanic , também já nosso conhecido do encontro em Portugal recebeu-nos com grande satisfação. Nesta reunião acertámos pormenores sobre o trabalho a desenvolver nos cinco dias seguintes, assim como as actividades em que iríamos participar.



Com estas reuniões começou efectivamente o trabalho relacionado com o projecto.

Diário Comenius (dia 1 e 2) - “We Will Survive!”







Domingo, 13 e Segunda-feira 14 de Fevereiro

Placar informativo da estação perfeitamente legível e compreensível nessa língua adorável que é o húngaro
Este pequeno artigo pretende ilustrar a arte de sobrevivência de um grupo de portugueses perante situações inesperadas em território estrangeiro.
Situação 1. Os portugueses passeiam descontraidamente à noite nas avenidas de Budapeste. Fingem que não está frio e tentam enganar-se uns aos outros dizendo que não está mau, que podiam ser bem pior. Ninguém quer ser o primeiro a admitir, que se calhar até está um bocadinho de frio.
Situação 2. Os portugueses admiram a beleza de alguns edifícios de Budapeste. A dada altura, alguém dá por isso, que estando nós a fazer o caminho de regresso ao hotel, devíamos reconhecer os prédios. Mas não, continuam a aparecer coisas novas umas atrás das outras. Ocorre a alguém que se calhar enganámo-nos no caminho e estamos a andar em sentido contrário. Tentamos falar com dois autóctones que falam connosco em húngaro com a maior das naturalidades. Apontam para aqui e para ali, de um modo que nos parece sem qualquer nexo. Desconfiados como sempre, os portugueses chegam à conclusão que a rapaziada está mas é a gozar connosco. Passamos ao plano B. Voltar para trás e tentar recuperar o sentido de orientação. Ao fim de alguns minutos voltamos ao caminho certo. Estamos safos.
.Pequeno-almoço na estação internacional de Keleti
Situação 3. Os portugueses têm que sair do hotel antes das seis da manhã. O simpático rapaz da recepção do hotel diz-nos com ar pesaroso que o pequeno-almoço é servido a partir das sete. Mas, nós queremos comer! Passo seguinte, convencer o rapaz que quatro da madrugada, é uma boa hora para ele preparar umas sandes para nós, metê-las dentro de uns saquinhos com uns pacotes de sumo e oferecer-nos. Ele replica dizendo que se calhar não vai ter tempo para fazer isso, depende do serviço que tiver (qual serviço? A fazer o turno da noite!). Pensamos que se ele largar a televisão que passa um jogo de hóquei em gelo entre duas equipas húngaras que só ele conhece, tem mais que tempo para fazer o pequeno-almoço para nós. A coisa resulta bem e às seis da manhã estamos sentados na estação a tomar o nosso pequeno-almoço. O único ponto negativo da refeição a registar prende-se apenas com o facto de a Margarida não gostar de salame. Em virtude disto, o professor de História é obrigado a comer uma sandes com quatro camadas de salame.
Situação 4. São inúmeras as situações em que as pessoas falam connosco em húngaro ou eslovaco com a convicção que percebemos tudinho. Claro que percebemos. Sorrimos sempre e acenamos às vezes. E tudo corre bem.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 1) - “Pode um bilhete de comboio ser considerado artesanato?”







Domingo, 13 de Fevereiro
Bilhetes de comboio Budapest-Kosice
Outra das coisas essenciais quando se viaja em grupo é a gestão do tempo. Deixar tudo para a última da hora é má política, sobretudo quando não se tem a real noção do quanto demora a tratar dos assuntos que têm que ser tratados. Alguém pode dizer exactamente quanto tempo demora um grupo de portugueses a comprar bilhetes de comboio numa bilheteira habitada por uma senhora húngara, simpatiquíssima sem sombra de dúvida, mas ainda assim com o húngaro como língua materna? E se a isso acrescentarmos o facto de os bilhetes serem todos escritos à mão? Pois, é algum tempo. Mesmo sem sabermos que os bilhetes seriam feitos manualmente, resolvemos ir à estação saber algumas informações e comprarmos os bilhetes.
Estação internacional de Keleti
Estação internacional de Keleti
Vista frontal da estação internacional de Keleti
A compra dos bilhetes foi espectacular, também podia ser referido como meio surreal. Numa época em que tudo o que se parece com recibos, sai em modo quase automático após registo num computador, é impossível não ficar fascinado com um processo em que a pergunta “Quanto custa um bilhete de comboio daqui para Kosice?” inicia todo um procedimento que começa com a consulta de um dossier escrito à mão com trajectos, horas e preços. Complica-se com a questão “As crianças têm algum tipo de desconto?” já que implica que a senhora tenha que procurar outro dossier cheio de capas plásticas. Após acordo na compra dos bilhetes chega a altura de os fazer. Abrir livro dos bilhetes, preencher tudo com esferográfica azul, procurar por diversas vezes o papel químico (alguém ainda usa papel químico?) porque é preciso arquivar o duplicado. Ao fim de alguns (largos) minutos é preciso separar o bilhete do bloco e entregar-nos um recibo rasgado do caderno com alguma violência. Como seria de esperar, rasga-se de um modo muito pouco uniforme. A senhora não desarma e tira de uma gaveta uma tesoura enorme que acaba a fazer os acertos finais no recibo. Entrega-nos tudo com um sorriso de satisfação de quem terminou uma tarefa árdua. Do lado de cá do vidro, a nossa expressão facial é um misto de admiração e estupefacção. 
Vista frontal da estação internacional de Keleti
Tudo isto se passou na estação de Keleti, a estação principal de Budapeste. É a partir daí que se fazem as ligações internacionais (Alemanha, Áustria entre outros países). A nós interessava--nos a Eslováquia, mais propriamente a cidade de Kosice. Construída entre 1881 e 1884 tem tudo a ver com as grandes estações de comboios das grandes cidades europeias. Tal como a estação do Rossio está para Lisboa. É enorme e muito bonita, apesar de estar a precisar de restauro em grande parte do edifício. No dia em que isso aconteça, voltará a reviver os gloriosos dias em que o comboio era um meio de transporte fundamental para ligar as cidades europeias.
Aqui ficam fotografias do mais engraçado da ida à estação, os bilhetes manuscritos e também do aspecto geral da estação.

Diário Comenius (dia 1) - “Budapeste debaixo de terra”






Domingo, 13 de Fevereiro
Carruagem de metro em Budapeste
Muitas vezes, a parte mais fácil de uma viagem é chegar ao aeroporto de destino. Sair de um aeroporto e chegar ao centro da cidade para onde queremos, isso sim, pode tornar-se num problema, sobretudo quando olhamos para todo o lado e só vemos palavras escritas em húngaro. O húngaro é uma língua, que para nós, é totalmente incompreensível, tanto oralmente como escrito. Sendo assim, facilmente descobrimos que uma das partes mais importantes de uma viagem é o planeamento.
Pormenor de pegas para nos segurarmos dentro do metro
Voltando ao aeroporto, rapidamente levantámos as nossas malas e saímos em busca do autocarro que nos levaria à estação de metro. A partir daí, o caminho para o hotel onde iríamos ficar hospedados, seria mais fácil. Ainda assim, foi preciso mudar de linha. Talvez a ler, tudo isto pareça fácil, mas se juntarmos à fórmula, malas com vinte quilos e mochilas atulhadas de coisas, tudo fica mais complicado. Um grupo de pessoas com malas, desloca-se bem mais devagar do que uma pessoa sozinha. Outra lição aprendida.
À primeira vista, o metro de Budapeste, tem um ar extremamente decadente, mas aos poucos começa a revelar pequenos encantos aqui e ali. Tudo tem um ar antigo e a precisar de renovação urgente, aliás, em muitos dos sítios que passámos, já se vêem muitos estaleiros com obras de melhoramento a decorrer. Aprendemos que Budapeste, tem a segunda rede de metro mais antiga da Europa, logo a seguir à de Londres. Foi inaugurada em 1896.
Há partes dos corredores de acesso em que é possível ver as estruturas em ferro fundido do metro e que revelam bem todo o trabalho de engenharia que deve ter sido necessário para a construção. Grande aventura, enfrentar as escadas rolantes, que para além de terem uma inclinação descomunal, têm uma velocidade muito rápida. Depois de um par de minutos a estudar a situação, a estratégia encontrada passou por entrar um nós primeiro e o professor lançar a mala logo a seguir. Chegados à plataforma do metro, foi a loucura quando a carruagem chegou. De cor azul forte, intercalada aqui e ali com uns pontos de ferrugem, é impossível não simpatizar com elas. Os interiores também são bem engraçados. Aqui temos que destacar as pegas para as mãos e a iluminação interior.
Estrutura centenária em ferro fundido que suporta os túneis do metro
Fazemos a viagem a contar muito bem as dez estações do percurso, porque não dá confiar nos nossos conhecimentos de húngaro. Estar na posição de estrangeiro é uma experiência engraçada, vê-se tudo de um ponto de vista totalmente diferente. Ao ouvir-nos falar português entre nós, alguns passageiros tentavam perceber de onde éramos. Sentimo-nos objecto de curiosidade. Outro pormenor giro. À nossa frente, um casal comunicava naquilo que pensámos ser língua gestual húngara. Mudança de linha e fazemos mais duas estações até à terceira, chegamos ao nosso destino. O primeiro edifício histórico que nos surge à vista quando voltamos à luz do dia, é a estação de Keleti. É a estação internacional de comboios, e é daqui que partiremos amanhã de manhã, às seis e meia, para Kosice, Eslováquia.

Diário Comenius (dia 1) - “Ready, Set, Go”



Domingo, 13 de Fevereiro

Nas nuvens
O dia começou bem cedo, com o encontro de todos na área de partidas do aeroporto da Portela, em Lisboa. Após nos reunirmos avançámos para a área do check-in onde tratámos das formalidades. Para além da documentação normal, aquela que toda a gente precisa para poder viajar de avião, tivemos que mostrar autorizações de saída de Portugal, dadas pelos nossos pais, para que fosse possível viajar com os nossos professores. O entusiasmo de todos nós era grande e facilmente verificável por papéis que caíram ao chão e pela sensação (quase permanente) de perda de noção de onde andam os bilhetes. Por fim, lá conseguimos embarcar as malas. Fase seguinte, hora dos beijinhos e abraços aos nossos pais. Para grande espanto nosso, não houve lagriminha ao canto do olho! Feitas as despedidas horas de seguir para a área reservada ao embarque. Passámos com sucesso a área de detecção de metais. Agora sim, podíamos considerarmo-nos a sério dentro do aeroporto.
Os Alpes visto do céu
É incrível como o tempo passa quando estamos num aeroporto. Num instante chegou a hora de embarcarmos para o avião. Primeira curiosidade, o facto de o avião destinado a transportar-nos ter como nome de baptismo Columbano Bordalo Pinheiro. Mas esta foi só a primeiro facto engraçado da viagem.
Na cabine dos pilotos
Já dentro do avião, tempo para conversarmos, ler qualquer coisa e quando damos por isso já estamos no ar. Lisboa vai ficando pequenina, é bonita a cidade vista lá do alto, mas os nossos professores garantem-nos que nada bate a sensação da aterragem. Segundo parece, se for à hora certa, Lisboa revela uma luz imbatível em termos de beleza.
O avião Columbano Bordalo Pinheiro
Chegámos!
Viajar no mesmo avião que levou o Papa Bento XVI do Porto para Roma aquando da última visita a Portugal. Esta curiosidade (e outras mais) foi-nos contada pelo comissário de bordo Francisco, que foi de uma simpatia do tamanho do Mundo e que tudo fez para que esta viagem de avião se tornasse inesquecível. Explicou-nos como podíamos tentar concorrer e estudar para sermos hospedeiras. Mas a surpresa maior estava para vir. Afinal, não é todos os dias que é possível visitar a cabine de voo, poder falar com os pilotos e tirar fotografias. A vista é linda de morrer e a quantidade de botões é inacreditável.  Saímos de lá com um sorriso de orelha a orelha. Só de imaginar a inveja do resto dos passageiros. Mas isto não é para todos, foi uma experiência reservada a alunos da Escola de Santa Catarina. À saída despedimo-nos de toda a tripulação, agradecendo a amabilidade e fomos brindados com mais uma entrada no cockpit. Duas vezes num só voo, de facto não é para todos. E chegámos a Budapeste!