As mães sabem de todos os nossos movimentos. Eu lembro-me tão bem do meu primeiro castigo como se fosse ontem... eu estava a brincar com o Danilo e ele empurrou-me e eu bati-lhe mesmo no minuto em que a minha mãe veio espreitar! Ela chegou tão depressa que nem me deu tempo para fugir. Puxou-me as orelhas, até parecia que estava a puxar uma raiz da terra, até chegar à cadeirinha do castigo (melhor amiga da minha mãe). Sentei-me antes de levar outro puxão de orelhas e ela virou a cadeira para a parede. Estava tão zangada que nem ralhou e foi-se embora ver as notícias. Do canto do olho via o Danilo a fazer caretas (ele estava a ver a cena toda) e eu retribuí-lhe da mesma maneira. Foi só uma careta, mas isso já deu razão à minha mãe para ralhar. Lá começou ela com o dedo, toda chique com a unha pintada de preto com anel e tudo. Depois tive uma ideia, no dia anterior tinha estado a desenhar e deixei uma folha no chão junto à cadeira. Peguei nela e escrevi. Escrevi nela o que me ia na alma e levantei-me para lhe ir entregar, mas ela mandou-me sentar mal dei o primeiro passo. Passados cinco minutos, ocorreu-me outra ideia. Na escola aprendi a fazer aviões de papel, peguei na folha, fiz as dobragens necessárias e fiz um que voou direitinho à cabeça da minha mãe. Desta vez tive mais sorte e ela não ralhou! Abriu a carta e na sua cara nasceu um sorriso. Foi assim o meu primeiro castigo.
Ninguém sabe como elas descobrem. Nunca temos tempo de fugir, somos sempre lentos. As mães ralham, mas também, sem mães o mundo não tem sentido.
Nicole Santos Fernandes º4 E – EB Alvorninha (aluna que integrou o Agrupamento em Setembro, vinda dos Estados Unidos da América)









































