sábado, 24 de setembro de 2011

LOGÓTIPO para a Biblioteca Escolar

Como forma de personalizar e identificar as bibliotecas escolares do Agrupamento tivemos a ideia de criar um logótipo. Para isso, pedimos ajuda à professora Susana Silva de EVT, que nos apresentou várias propostas. Como não conseguimos escolher, decidimos pedir a opinião a todos quantos visitam o nosso jornal. É fácil, basta responder ao questionário e optar pelo logótipo 1, 2 ou 3!

Obrigada pela tua participação!


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Diário Comenius Turquia (dia 2): “De Istambul até Samsun”








Eis-nos de regresso ao aeroporto Istambul Ataturk. Desta feita, iremos para a zona de voos domésticos ao invés da zona de embarques internacionais. Chegámos com a devida antecedência, o que nos dá uns momentos para observar a zona de entrada do aeroporto. O movimento é constante, mas fluido. Quem chega é recebido por dezenas de bandeiras turcas a esvoaçar, amarradas aos respetivos postes. Também aqui é notório o orgulho que os turcos têm à sua bandeira.
Foi com alguma preocupação que tratámos de realizar o check in. Isto, porque alguém se lembrou que indo nós apanhar um voo doméstico, o limite de peso de bagagem por passageiro poderia não ser os vinte quilogramas permitido nos percursos internacionais. E não é que não era mesmo? Somente quinze quilos por passageiro! Os minutos seguintes passaram-se já a fazer contas à vida (ou melhor ao dinheiro) que seria necessário para fazer face ao peso excedente. Finalmente, o primeiro de nós é chamado ao balcão. Quando o segundo do grupo recebeu sinal para avançar e iniciar o seu o check in apercebemo-nos que os funcionários iriam usar como referência o somatório de todas as bagagens. Começou aí o penoso período de pesagem, mala a mala até ao peso total. Quando a última mala se juntou às seis que estavam na balança o resultado era ainda meio imprevisível. Podia resultar em qualquer cenário. Eis quando a balança anuncia o resultado final. Acompanhado do sorriso cúmplice de toda a gente que estava a receber bilhetes atrás do balcão, as nossas malas ultrapassaram com sucesso o desafio…embora apenas por um pouco menos de uma dezena de quilogramas. 

Quase a iniciar o check in para o voo com destino a Samsun.
Libertos do peso das malas, ficámos com um par de horas para deambular pelo aeroporto. Entre as atividades (mais ou menos inúteis) a que uma pessoa se pode dedicar no aeroporto enquanto espera pela hora de embarque, dedicámo-nos às seguintes:
  1. Olhar para os passageiros em trânsito e imaginar de onde vêm e para onde vão, construir-lhes uma personagem e viajar mentalmente para os seus destinos;
  2. Deliciarmo-nos a observar a sinalética em turco e aproveitar a oportunidade para aprender mais algum vocabulário turco. É incrível como este passatempo ganha novos apreciadores viagem após viagem;
  3. Olhar para a pista do aeroporto, tentando perceber o fascínio do planespotting (sim, existe uma atividade com inúmeros fãs, que consiste em observar aterragens e descolagens de aviões e subsequentes manobras em pista).
A Onur Air foi a companhia aérea em que viajámos de Istambul para Samsum.
Finalmente, e após o anúncio de um pequeno atraso na descolagem, chega a nossa vez de partir. A entrada no avião faz-se de um modo, que nos pareceu pouco habitual e até meio confusa. A fila de entrada não parece muito certinha e a sensação que nos transmitiu é que havia ali muita gente com pressa de regressar a casa. Saudades, talvez. O certo, é que com toda a calma do Mundo, sentamo-nos nos nossos lugares e num instante estávamos no ar.

A fazer passar o tempo. Cada um entretém-se como pode.
Já ninguém resiste ao sumo de cereja turco.

O dia já caminha para o seu ocaso, o que torna a descolagem de Istambul, mais um momento para ficar na memória. Lá em baixo, a cidade vai ficando para trás, envolta em todos os tons possíveis de amarelos e acobreados, enquanto o céu nos apresenta uma paleta muito sublime de azul e tonalidades de laranjas. O avião dirige-se rapidamente para o mar Negro. Conseguimos vislumbrar perfeitamente, todo o recorte da costa. Conforme, vamos ganhando altitude, vemos os petroleiros e outros navios de carga que sulcam o mar Negro, irem diminuindo de tamanho até ficarem quase minúsculos. Dentro do nosso grupo, é tempo para alguns aproveitarem para descansar uns momentos, enquanto outros conversam ou tentam trabalhar um pouco. A viagem será rápida. Uma hora e um quarto previsto para o voo.
Já caiu a noite quando aterramos em Samsun. O cansaço já vai fazendo algum peso e alguns de nós começam a revelar alguma fadiga. Já estamos de pé desde as seis da manhã e com muitos quilómetros andados. Este aeroporto não tem grandes dimensões e mal saímos do avião, damos por nós dentro da sala onde daqui a pouco certamente aparecerão as nossas malas. Tal como alguém já tinha reparado durante a viagem, são poucos os passageiros com feições europeias. A bem dizer, parecia não haver mesmo mais ninguém. 
Até um simples momento em que esperamos bagagem pode revelar-se curioso. A nossa espera também teve as suas curiosidades. Ao iniciar o movimento, a passadeira rolante que traria as bagagens de todos os passageiros, rapidamente começou a revelar objetos que nos pareceram mais interessantes dos que as coloridas malas que desfilavam perante o nosso olhar. O espanto recaiu em três garrafões enormes, talvez com uns vinte ou trinta litros de capacidade que rodopiaram com algum estrondo até descansarem na passadeira. Trazer água engarrafada dentro de um avião? Durante algum tempo a nossa atenção desviou-se para uma saca enorme que também fez a sua aterragem no tapete rolante. Infelizmente para o proprietário da mesma, rompeu-se numa das tropelias a que foi sujeita durante a viagem.  Pequenas quantidades de tâmaras iam caindo do saco esfarelado. Rapidamente se percebeu quem era o proprietário do saco, já que um senhor ao nosso lado não conseguiu esconder o desespero. Num ápice, juntamente com os filhos quase saltaram para o tapete rolante e começaram a recolhê-las. Tentámos de algum modo ajudar, mas ao apanharmos algumas, o dono dos frutos secos quase que nos arrancou das mãos os que tínhamos conseguido apanhar para lhe dar.

Luís Sousa
O planespotting é já uma das nossas distrações de aeroporto. É vê-los partir e chegar.
Já com a nossa bagagem recolhida conseguimos vislumbrar à saída da gare algumas pessoas que serão os nossos colegas turcos, isto porque há um professor que já conhecemos da viagem à Eslováquia. Todos nos acenam sorridentes a dar a boas-vindas. Realizados os cumprimentos e apresentações da praxe combinam-se os meios de transportes para o centro da cidade, que dista a pouco mais de 20 quilómetros daqui. A noite já vai avançada quando finalmente deixámos o aeroporto rumo ao descanso merecido. Não acabámos o dia (ou melhor a noite) sem perceber o porquê dos enormes garrafões de água. Pertenciam aos peregrinos que vinham de Meca, a cidade mais sagrada do Islão e que se localiza na Arábia Saudita. A água tinha sido recolhida nas fontes de Meca e provavelmente tinha como destino a oferta a familiares e amigos

O planespotting é já uma das nossas distrações de aeroporto. É vê-los partir e chegar.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Diário Comenius Turquia (dia 2): “Um crime no Expresso do Oriente”











É com grande entusiasmo que damos conta de estar a transitar na lateral de umas das estações de comboio mais míticas da história da literatura policial. Falamos, claro está, da Estação de Istambul Sirkeci. Foi aqui que Hercule Poirot, o famoso detetive belga criado por Agatha Christie, talvez a mais célebre escritora de enredos policiais de sempre, embarcou no Expresso do Oriente, numa viagem marcada por um misterioso assassinato. O enredo da obra apresenta um novelo complicado de desvendar para as autoridades que se deparam com uma grande quantidade de suspeitos. Todos eles tinham algum tipo de ligação à vítima e à medida que vamos avançando na leitura da obra verificamos que muitos deles podem ter um móbil para cometer o crime. Sem o contributo do fleumático e perspicaz Poirot, com a certeza que o crime ficaria por desvendar. 

Vista lateral da Estação de comboios de Istambul Sirkeci

Retornando ao edifício propriamente dito, é com algum pesar que não conseguimos admirar a parte frontal do mesmo. A sua construção foi decidida após a Guerra da Crimeia quando as autoridades do Império Otomano se aperceberam da necessidade de uma linha férrea que ligasse Constantinopla (atual Istambul) à Europa. A Guerra da Crimeia foi um conflito que se desenrolou entre 1853 e 1856, na Península da Crimeia (daí o nome do conflito), junto ao mar Negro, no sul da atual Ucrânia. De um lado, o Império Russo, do outro uma coligação de Países e Impérios, integrada pelo Reino Unido, França, o Piemonte-Sardenha, juntos naquilo que ficou conhecido por Aliança Anglo-Franco-Sarda. Esta coligação contou ainda com a participação do Império Turco e com o apoio do Império Austríaco sendo que o motivo da sua formação esteve ligado à reação destes países contra as pretensões expansionistas russas.

Umas das locomotivas que serviu esta famosa linha férrea

Após o fim do conflito tornou-se claro para o governo otomano a necessidade de realizar uma aproximação estratégica aos países da Europa Ocidental. A linha onde viria a circular o Expresso do Oriente servia estes propósitos. Os 3.094 quilómetros entre Paris e Constantinopla eram efetuados numa viagem que se estendia por umas longas oitenta horas. A primeira viagem de Paris a Constantinopla aconteceu a 1 de Junho de 1889. Esta linha férrea tornou-se uma das mais conhecidas de todo o Mundo, pelo que vale bem a pena investigar um pouco mais da sua História em alguns dos muitos livros que foram escritos sobre ela.
O movimento em redor da estação será hoje muito maior do que em tempos passados. As carruagens foram substituídas por um tráfego constante. Este intenso movimento estende-se também ao mar. Do autocarro em que seguimos podemos vislumbrar toda a atividade marítima. Do lado asiático, as margens estão pejadas de guindastes que servem o transporte de mercadorias. Também aí, estão atracados vários navios de cruzeiro que trazem a esta espetacular cidade turistas de todos os pontos do globo.
O melhor é mesmo ler (ou reler) esta obra publicada em 1934, disponível na nossa biblioteca e descobrir uma autora que ao longo de várias gerações tem fascinado milhões de leitores. Agatha Christie é sem dúvida uma escritora imortal. Crime mesmo é não termos tido oportunidade de dedicarmos algum tempo à estação de Sirkeci. 

Luís Sousa
O tráfego de navios de cruzeiros é muito intenso no Bósforo