quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Mercado de "SANTANINHA"


Integrada nas actividades de encerramento do ano Lectivo, a Biblioteca Escolar da EB de Santa Catarina realizou, à semelhança de anos anteriores, mais uma SANTANINHA! A SANTANINHA é um mercado onde tudo se pode trocar e/ou vender desde roupas a brinquedos usados, jogos, DVDs e CDS, fruta e bolos, pulseiras, livros e marcadores de livros, produtos hortícolas e animais, antiguidades, coisas úteis e coisas inúteis. Esta iniciativa para além de ser um momento de convívio entre alunos, professores, funcionários, encarregados de educação e comunidade local pretende sensibilizar os seus participantes para a importância da reutilização, prolongando os ciclos de vida dos objectos e minimizando os desperdícios e o consumo.
Destacamos a pronta colaboração dos pais/encarregados de educação, dos alunos, dos docentes e dos funcionários na cedência de produtos, objectos de diferente natureza, na confecção da doçaria e na ajuda prestada para a sua realização. O dinheiro apurado nas vendas reverteu mais uma vez para a biblioteca escolar.
A todos os que participaram e visitaram a "SANTANINHA" contribuindo para o seu sucesso, o nosso muito obrigada!


Visita dos "MELHORES LEITORES 2010/2011!"


Com o objectivo de premiar os melhores leitores de todo o Agrupamento e destacar os alunos pelo seu empenho nas actividades da biblioteca e pelo prazer de ler, as bibliotecas escolares promoveram, pelo quarto ano consecutivo, mais uma fantástica visita! Desta vez, os locais eleitos foram, o parque temático/sensorial da Pia do Urso em S. Mamede, a biblioteca Municipal da Batalha e a feira do Livro e do jogo na vila da  Batalha.
Podermos oferecer este prémio a quem se diferencia pelo gosto dos livros é para nós muito gratificante.
Todos os alunos premiados receberam ainda o diploma de Melhor Leitor e um CD com as fotografias tiradas durante a visita.
Um agradecimento  à Junta de freguesia de Santa Catarina pela disponibilização da verba para o gasóleo. Só deste modo tem sido possível a realização da visita sem custos para os alunos. Um bem-haja!

Parque temático/sensorial da Pia do Urso




 
Biblioteca Municipal da Batalha







Feira do Livro e do Jogo na vila da Batalha
Grupo dos melhores leitores do Agrupamento

terça-feira, 2 de agosto de 2011

EB de Alvorninha… uma eco-escola


Desde o ano lectivo 2010-2011, a EB de Alvorninha integra o Eco-Escolas, um Programa Internacional que pretende encorajar acções e reconhecer o trabalho de qualidade desenvolvido pela escola, no âmbito da Educação Ambiental.
Um dos primeiros passos foi a realização de uma auditoria ambiental que permitiu fazer o diagnóstico da situação da escola no que respeita às questões ambientais. Depois, nas diversas áreas curriculares, foram desenvolvidos trabalhos sob a temática do ambiente, nomeadamente “água, energia, resíduos, espaços exteriores, floresta e biodiversidade”, sensibilizando a comunidade escolar para a necessidade de preservação do ambiente. Participámos também em alguns concursos lançados pelo Programa Eco-Escolas e, finalmente, apresentámos a candidatura ao galardão 2011.
Foi com muita satisfação que recebemos a notícia de que a nossa candidatura foi aprovada, pelo que a escola será galardoada com a Bandeira Verde Eco-Escolas 2011! Em Setembro, içaremos a bandeira o que, para além de nos alegrar, nos responsabilizará no seguimento da nossa acção em termos de aumentar a qualidade ambiental da nossa escola! Até porque… ainda há muito para fazermos!


ARRAIAL DOS SANTOS POPULARES


Se quiséssemos uma evidência da estreita relação entre o Núcleo Pedagógico de Alvorninha (EB de Alvorninha e JI da Ramalhosa), encarregados de educação, Associação de Desenvolvimento Social da Freguesia de Alvorninha, Junta de Freguesia e comunidade em geral, teríamos certamente dificuldade em escolher de entre as inúmeras actividades desenvolvidas ao longo do ano lectivo! No entanto, o Arraial dos Santos Populares, realizado a 17 de Junho, foi sem dúvida o culminar de todo esse trabalho de parceria.

 

Ao longo do mês, nas diversas actividades curriculares, alunos e docentes realizaram trabalho em torno da temática dos “santos populares”, de modo a que o arraial surgisse de forma contextualizada no desenvolvimento da actividade lectiva, promovendo conhecimento, o que, afinal, se traduz num dos objectivos fundamentais da Escola. Assim, realizaram-se pesquisas, escreveram-se textos, construíram-se adereços, canções, ensaiaram-se as marchas, etc.



Chegado o grande dia, os encarregados de educação e elementos da Associação de Desenvolvimento Social da Freguesia de Alvorninha colaboraram na montagem do arraial e na dinamização das diversas barracas (bebidas, salgados, doces, filhós e café d’avó, bifanas, manjericos, quermesse, pinturas faciais e balões). Ao som das marchas populares, desfilaram os alunos e os idosos do Centro de Dia da ADSFA, seguindo-se depois a homenagem aos alunos que terminaram o 1º Ciclo, com a entrega de simbólicos diplomas. Foi, depois, aberto o arraial… com muita animação, muita música… e onde não faltou “o pezinho de dança”!



Na biblioteca da Escola, os alunos apresentaram a peça “Os ovos misteriosos”e foram entregues os prémios aos melhores leitores e colaboradores da biblioteca. A par, esteve patente uma exposição de trabalhos realizados pela comunidade escolar e a apresentação do registo fotográfico do ano lectivo, o que mereceu inúmeros elogios por parte dos visitantes.


A festa foi do agrado de todos e a verba recolhida servirá para a aquisição de equipamento para o JI da Ramalhosa e para a EB de Alvorninha. Para esta última, a intenção é a compra de um toldo, de modo a criar um ponto de sombra no pátio da escola. Ainda não conseguimos o montante necessário e, por isso, mais iniciativas terão de se desenvolver, certos de que conseguiremos… porque é sempre o que acontece, quando, em Alvorninha, a comunidade educativa dá as mãos! 

Diário Comenius Turquia (dia 2): “A mesquita de Rüstempaşa”







Estreitos são os caminhos que nos levam até à mesquita de Rüstempaşa. Caminhamos por vielas acanhadas. Em algumas delas quase poderíamos tocar nas duas paredes que ladeiam o percurso se por acaso tentássemos esticar ao máximo os nossos braços. De modo algum, o facto de serem estreitas e algo escondidas do sol faz com que estejam vazias. Aqui também existe vida e por isso também se vê muita gente a conversar e a tentar fazer alguns negócios de circunstância. Existem também algumas lojas, embora em menor número. Têm um ar mais familiar e menos organizado do que as localizadas nas grandes ruas principais. Ainda assim, o movimento é menor, assim como os preços dos produtos que vendem. Isto é algo que já aprendemos, as ruas paralelas e menos dados ao turismo de massa têm os preços substancialmente mais baratos. 


A Mesquita de Rüstempaşa é visível a partir da praça central junto ao Bósforo.

Ao fim de uma ruela mais comprida viramos à esquerda. De súbito, temos mais espaço, já que o caminho alarga um pouco. A placa afixada na parte superior da parede deixa ler “Rüstempaşa Camii” e indica ser este o caminho correcto. Encontram-se por aqui mais alguns grupos de pessoas a conversar. Ao observá-los ficamos com a sensação que a média de idades é algo elevada. Focamos a nossa atenção em dois senhores, já com alguma idade, que parecem entreter-se com algo que não percebemos muito bem o que será. Um deles segura um saco preto, de onde o segundo retira aquilo que nos parece ser bolas brancas com números impressos. Posteriormente, comparam os números das bolas com uns papelinhos. Mais tarde, questionaremos alguns amigos turcos sobre o que nos pareceu ser uma estranha actividade e tudo se desvendará num ápice. Afinal, talvez embalados pela ambiência exótico-misteriosa do local, não assistimos a mais do que um jogo típico que os mais idosos fazem como passatempo. E nós a imaginarmos explicações dignas de um filme.


A placa que indica “Rüstempaşa Camii” mostra que estamos no caminho correcto.

Passamos uma arcada e iniciamos a subida de uma escadaria interior. Não estamos em nenhum edifício. É apenas um prolongamento do nosso percurso, uma espécie de atalho que nos levará à mesquita. A meio da subida, reparamos num gradeamento que deixa antever parcialmente a viela onde estávamos há minutos. Mais uns degraus e chegamos finalmente à mesquita. E que pérolas esta pequena mesquita se revelou.


O percurso para a mesquita faz-se por vielas e arcadas que nos surpreendem a todo o momento

A mesquita deve a sua designação a Rüstem Paşa, um homem que foi Grão Vizir (um dos mais altos cargos do império Otomano), talvez por ter sido casado com uma das duas filhas do sultão Suleimão, o Magnífico. Foi construída entre os anos 1561 e 1563 e, apesar de não ser propriamente uma mesquita imperial, algo que se nota imediatamente devido ao seu tamanho. Muito interessante é também o local escolhido para a sua construção. Estamos num terraço altaneiro e daqui se vislumbra todo o complexo de lojas que a rodeia. Pela informação disponível tomamos conhecimento que esse foi uma das considerações aquando da construção da mesquita. Os alugueres das lojas aos comerciantes em redor deveriam financiar a manutenção de todo o complexo da mesquita.   


Pormenor da fachada exterior da mesquita de Rüstempaşa.

À entrada está um senhor que nos aponta o local onde poderemos deixar o nosso calçado em segurança. Também as visitantes do sexo feminino cobrem os cabelos com um lenço, tal como costume na tradição islâmica. Lá dentro, não há como ficarmos maravilhados com aquilo que está à nossa vista. Toda a mesquita é coberta por azulejos que deixam observar um trabalho fantástico baseado em motivos geométricos e em diferentes temas florais. Do tecto pende uma estrutura que tem por função iluminar o recinto e que também contribuí para o ambiente fantástico que aqui se vivencia. Tal como é costume nas mesquitas, o silêncio é quem domina por aqui. Envolvidos pela calma e pelo sossego deixamo-nos ficar a observar os crentes que fazem as suas orações e a usufruir do fresco que se sente aqui dentro.  
Luís Sousa
 
  
Os elementos femininos do nosso grupo trajados a rigor para entrarem na mesquita.


O interior da mesquita é simplesmente fantástico e repleto de pormenores de grande beleza.

Diário Comenius Turquia (dia 2): “À volta da Mesquita Nova e a experiência sensorial das especiarias”








Já reconfortados por mais uma deliciosa refeição fazemo-nos novamente à rua. Entre nós, já não há grandes dúvidas que é onde nos sentimos melhor, porque de facto, é na rua que nos tornamos parte desta cidade. Agora o nosso destino é à área do Mercado das Especiarias, mais um dos bazares de Istambul e uma das grandes atracções visuais e mais aromáticas da cidade. Para isso, ainda teremos que atravessar uma zona que tem como nome Eminönü. Continuamos imersos na multidão que permanentemente enche as ruas, atravessamos passadeiras num misto de precaução e aventura, porque como já percebemos, aqui a cor verde do semáforo para peões tem um significado algo dúbio. No fim, tudo resulta bem. Acena-se para os condutores enquanto eles nos fazem o mesmo, escutam-se buzinadelas (nunca com sentido de reclamação, antes de alerta) e anda-se aos esses, a maioria das vezes entre os carros que ficam parados no meio das passadeiras. É um caos organizado!

A Mesquita Nova é um belo exemplar de arquitectura religiosa otomana.
Conforme nos aproximamos da Mesquita Nova volta a aumentar o comércio de rua. Esta Mesquita Nova, de nova não tem nada. Como quase tudo por aqui, tem uma (várias?) história fascinante por detrás. Começou a ser construída por volta de 1597 a mando de Safiye Valide Sultan, esposa de Murad III e mãe do futuro sultão Mehmed III. Ficamos a saber que o nome “valide sultan” era o título dado à mãe do sultão, algo parecido com Rainha-mãe. Era uma designação importante e muitas destas mulheres conseguiram de facto ter influência efectiva na governação do império Otomano. O mais incrível é que esta mulher era de ascendência veneziana. Segundo parece, nasceu com o nome de Sofia Baffo, filha do governador de Corfu. Ainda criança foi capturada por corsários que viram nela a possibilidade de render um bom dinheiro. Acabou a ser oferecida como presente para o harém otomano onde recebeu o nome Safiye que significa a “A Pura”, o que não deixa foneticamente ser parecido com o seu verdadeiro nome, Sofia. 

Uma das entradas laterais da Mesquita Nova.
Antigamente, esta era uma zona com uma forte presença judaica. Como tinha uma grande intensidade comercial, acabou por ser extremamente cobiçada por comerciantes locais que não viam com bons olhos a presença tão influente de alguns estrangeiros. O resultado foi uma luta pela influência nesta zona. Os judeus deixaram de ter por aqui uma presença maioritária sendo muitos deles substituídos por locais.

Os produtos expostos enchem-nos os olhos de cor.
Percebemos que estamos perto do Mercado das Especiarias, também conhecido por Mercado Egípcio, quando o nosso olfacto começa a ficar inebriado pelos aromas que circulam pelo ar. No exterior das lojas começam a aparecer expostas grandes quantidades de especiarias e outros produtos que todos juntos formam uma paleta imensa de cores. O deslumbramento atinge-nos e começamos a parar irremediavelmente em todos os estabelecimentos. Habituados ao espanto dos visitantes, os comerciantes olham-nos divertidos quando nos vêem com a cabeça quase enfiada dentro dos sacos. Entabulam conversa e tentam fazer negócio oferecendo os seus préstimos para nos ajudarem a fazer aquisições. Desculpamo-nos com o facto de não podermos comprar produtos devido à falta de espaço nas malas. E como apetecia comprar um bocadinho de tudo!

Especiarias, cubos de sabão perfumados e folhas de videira são alguns dos produtos que apetece comprar.
Já na praça diante do Bósforo, com a ponte Galata a dominar a paisagem o calor aperta e a claridade obriga-nos a semicerrar os olhos. A campanha eleitoral para as eleições legislativas turcas está perto de acontecer. A música que brota das várias colunas de som acompanha as propostas dos vários partidos que lutam pela melhor votação possível. A leve brisa que chega do mar agita não só a enorme quantidade de bandeiras turcas, mas também a propaganda eleitoral. No meio disto, somos interpelados por um simpático casal de portugueses que repararam em nós e metem conversa. Perguntam-nos o que andamos por ali a fazer e acham piada que alunos de uma escola portuguesa viajem até tão longe para conhecer outros colegas. Suspiram, relembrando que no tempo deles não havia nada deste género. Ainda bem que tudo mudou. Despedimo-nos deles, não sem antes tirarmos a fotografia da praxe. Todos estamos animados. Deixamos a praça e enfiamo-nos em ruas mais estreitas. Vamos em busca de Rüstempaşa, uma mesquita que já sabemos ser uma verdadeira pérola. 
Luís Sousa 

Fotografia tirada por um simpático senhor português que encontrámos na praça junto à ponte Galata.
Este objecto foi um quebra-cabeças até percebermos para que servia. É colocado nas costas e ajuda a transportar grandes quantidades de mercadoria.

Diário Comenius Turquia (dia 2): “Comer kebab num último andar de Hocapaça”







 Ao sairmos da Basílica Cisterna damos por isso que a hora já vai algo avançada. É tempo de discutir onde iremos almoçar. Avaliam-se desejos e sugestões. Por proposta do Orhan, o nosso guia, optamos por um restaurante, que segundo ele, é acolhedor e serve um bom kebab. Este é um prato que tem origem persa. A Pérsia foi um império imenso cuja base constitui actualmente o Irão. As rotas comerciais fizeram o seu papel ao transmitirem esta iguaria a todo o Médio Oriente, incluindo a actual Turquia. Um kebab é basicamente uma espetada (pelo menos para os portugueses). Sabemos no entanto, que aqui são muito boas. Geralmente são elaboradas com carne de frango e borrego. Depois é tudo uma questão de temperos. E como sabemos, no que toca a temperos, estamos no sítio certo.


A placa indica que estamos muito perto de entrarmos na Basílica Cisterna.

Enquanto cada um pensa na opção frango/borrego e na variante picante/menos picante aproveitamos para observar o cenário que nos rodeia. À nossa volta podemos admirar alguns edifícios que nos parecem ter origem nos finais do século XIX, talvez já mesmo século XX. Têm como característica o facto de serem construídos utilizando a madeira como material essencial. Já não se vêem muitas construções com estas características, pois segundo parece, os incêndios que deflagraram longo do último século colocaram-nas na categoria de raridades arquitectónicas. Ainda assim, estamos diante de um magnífico exemplar amarelo que serve actualmente como esquadra de polícia. 

Esta esquadra de polícia está instalada num belo exemplar de arquitectura construída em madeira.
Tomadas as decisões no que concerne ao local do almoço avançamos em direcção ao restaurante. O caminho é bastante agradável. Basicamente seguimos a linha do eléctrico descendo da área de Sultanahmet (onde nos encontrávamos inicialmente) para uma zona que se chama Hocapaça (já mais próximo das margens do Bósforo). Mudamos de zona, mas não deixam de existir motivos de interesse, que nos atrasam constantemente o passo. Isto acontece sempre que aparece mais algum edifício com interesse histórico ou algo que se revista de interesse cultural. Nas montras, vamos admirando coisas como vestuário típico, uma quantidade infindável de doçaria (toda ela com um aspecto divinal) ou mesmo actividades que se desenrolam à frente dos transeuntes, como foi o caso das duas senhoras, vestidas de branco, a mesma cor da farinha que trabalhavam para transformar numa massa para algum fim culinário.   

Estas senhoras mostravam para os transeuntes a arte de amassar.
 Enfim, chegamos ao local onde iremos almoçar. Tem um ar bastante simpático e uma construção, digamos peculiar. Subimos vários lanços de escada, que desafiam o nosso equilíbrio até chegar ao último andar. Muito cuidado para não cair da escadaria de madeira ou bater com a cabeça em algumas partes mais baixas. A vista sobre os telhados da cidade é deveras curiosa. Interessante é também acercármo-nos da janela e observar a vida desta urbe gigantesca a desenrolar-se. Aqui em cima sente-se uma calma que não existe no nível térreo. Durante o dia, as ruas estão permanentemente repletas de gente em movimento. E nem o trânsito intenso parece fazer descarrilar a ordem (ainda que meio caótica) em que tudo decorre. Um dos pormenores que temos constatado prende-se com o facto de não termos visto ainda nenhum tipo de acidente nas ruas. O que acreditem, não deixa de ser uma proeza digna de registo. É neste quadro de reflexões e comentários que os nossos kebabs com salada nos apanham quando chegam à mesa. Está na hora de mais uma experiência gastronómica turca.
Luís Sousa

Um quiosque extremamente original.
A linha do eléctrico acompanhou todo o nosso percurso até Hocapaça.
A deliciosa doçaria turca está sempre presente para quem deambula pelas ruas de Istambul.
O local escolhido para almoçar surpreendeu pela comida, pela simpatia e pela calma que se sentia no último andar.

Diário Comenius Turquia (dia 2): “Nas profundezas da Basílica Cisterna”








Alguém que em Sultanahmet olhe em redor da praça central, dificilmente irá concentrar a sua atenção numa espécie de pilar de pedra num estado de conservação aproximado ao da ruína. No entanto, a placa indicativa da proximidade da Basílica Cisterna lembra imediatamente algo que já tinhamos planeado visitar, se tal fosse possível. Sabíamos que era um dos pontos altos de Istambul (embora se localize num substerrâneo) cuja magnificiência não nos deixaria indiferentes.
A entrada faz-se através de uma bilheteira que não deixa adivinhar nada de especial. Só quando iniciamos a descida pela escadaria com uma inclinação que exige algum respeito e cuidado é que começamos a sentir subitamente o ar a refrescar. Também a luminosidade do exterior dá lugar a uma penumbra alaranjada. Ainda na escadaria temos o primeiro fantástico contacto com a Basílica Cisterna. 

Da superfície, esta espécie de coluna em pedra é a única coisa que se vislumbra da Basílica Cisterna.
Dizem que a primeira impressão é fundamental para formarmos opinião sobre algo ou alguém. Ficámos boquiabertos com aquilo que estava perante nós. O contraste da escuridão com a iluminação laranja estudada ao pormenor para conferir um ambiente perfeito ao local consegue transportar-nos no tempo. De repente, parece que viajámos no tempo.
A placa indica que estamos muito perto de entrarmos na Basílica Cisterna.
Quando no distante ano de 532, o imperador bizantino Justiniano ordenou a construção desta cisterna não terá imaginado que muito séculos depois, iria tornar-se numa das principais atracções de Istambul. São 336, as colunas dispostas em doze fileiras que suportam o tecto da cisterna, que segundo o folheto que temos em mãos, tem 65 metros de largura e 143 de profundidade. Foi construída usando ruínas de outras construções. É esse o facto que explica a presença de colunas, capitéis e plintos que parecem ter vindo de edifícios imponentes, alguns provavelmente religiosos.

Quem desce a escadaria de acesso à cisterna tem uma primeira visão fantástica do que irá vivenciar.
Quase mil e quinhentos anos depois de ter sido construída, continua a ser extraordinário a concepção técnica desta construção. É algo grandioso demais que não é passível descrever com exactidão através de palavras ou fotografias. Vamos percorrendo os passadiços devagar, mirando as carpas que serpenteiam entre as colunas e admirando todos os pormenores, cores e reflexos proporcionados pelos milhares de metros cúbicos de água que ainda aqui repousam. Antigamente, tinha muito mais. Para suportar a pressão da água, as paredes da cisterna têm quatro metros de espessura, o que a tornou resistente a qualquer tipo de imprevisto, pelo menos até aos dias de hoje.
Os tectos abobadados são simplesmente fantásticos.
Mesmo ao fundo de todo este percurso estão aquelas que porventura serão as duas maiores atracções da cisterna. Falamos das duas colunas que estão suportadas por cabeças de Medusas. Não se sabe de onde terão vindo originalmente mas o facto de uma estar virada ao de cabeça para baixo e a segunda com a face de lado faz as delícias dos visitantes. Toda a visita culmina neste espaço. É o local onde se concentra mais gente, onde se ouve mais ruído e também aquele onde temos mais dificuldade em desviarmo-nos dos pingos de água que vão caindo do tecto. 
Só agora nos apercebemos o porquê da palavra basílica associada a esta cisterna, já que nada aqui em baixo tem algum aspecto religioso. Recorrendo à informação que está disponível, percebemos que este reservatório foi construído debaixo de uma basílica e tinha como função fornecer água um palácio que existia por aqui. Com o passar dos séculos foi caindo em desuso e mais tarde no quase total esquecimento. Quando os Otomanos conquistaram a cidade já nada restava da memória da cisterna. 

São 336, as colunas que suportam o tecto da Basílica Cisterna.

A cisterna como que regressou à vida, quando um estudioso das antiguidades e passado da antiga Bizância (o primeiro nome que foi dado à cidade de Istambul) falou com alguns habitantes das redondezas. Estes disseram-lhe que conseguiram obter água nas suas caves. E por vezes, até peixes. O homem, de seu nome Petrus Gyllius, ficou espantando e curioso e logo começou a investigar procurando lógica no que o povo considerava uma espécie de milagre. Após uma busca intensiva descobriu uma casa por onde consegui aceder à cisterna. O mais incrível é que os otomanos não lhe viram utilidade nenhuma, passando a cisterna a ser um depósito de lixo e até de corpos. Felizmente, não foi esse o destino final de tão belo exemplo das capacidades de construção do Homem e os restauros que foram sendo realizados desde o século 18 permitiram que todos possam deslumbrar-se com o cenário que a Basílica Cisterna proporciona.

Os jogos de luz dão um efeito mágico à Basílica Cisterna.
Vista da Basílica Cisterna onde podemos ver a disposição das colunas que a suportam.
Uma das famosas cabeças da Medusa que servem de base a uma das colunas.
Aqui um vídeo que pode dar uma ideia do que é a Basílica Cisterna.



Ainda como recomendação cinematográfica não deixem de ver ou rever o filme de 1963, “OO7- Da Rússia com Amor “007 - From Russia With Love” em que Sean Connery faz de James Bond. Esta película tem como um dos locais de filmagem Istambul e uma cena memorável de perseguição nesta mesma cisterna.

Luís Sousa