sexta-feira, 8 de abril de 2011

Autonomia Pessoal


 A Autonomia Pessoal pode definir-se como a capacidade de uma pessoa fazer algo ou resolver uma situação através dos seus próprios meios. Esta capacidade envolve aquilo que, em Educação Especial, certos autores, definem como skills. Dotar um aluno com problemas cognitivos das ferramentas necessárias para poder: (1) analisar uma situação, (2) propor uma solução e então (3 )executá-la. Isto requer um trabalho sistemático e paciente baseado em rotinas.
A criação dos Currículos Educativos Individuais nasceu da necessidade dos alunos com necessidades especiais aprenderem aquilo que se adapta às suas reais necessidades e àquilo que será o seu futuro concreto. Daí que, não fará tanto sentido uma aposta exclusiva e estática às típicas áreas de aprendizagem do dito currículo regular, mas uma aposta em áreas funcionais para o desenvolvimento da autonomia pessoal de cada aluno. E onde se verifica essa autonomia? Bom, para conseguirmos cortar com uma tesoura tem de se ter um certo grau de autonomia. Para atar as sapatilhas ou abotoar um botão é necessária alguma autonomia. Para saber orientar-se no espaço escolar, utilizar os transportes públicos, usar correctamente os utensílios de cozinha, fazer compras, utilizar o dinheiro…e tantas outras situações como estas, só são possíveis se a pessoa que as executa tiver certo grau de autonomia. A Escola inclusiva serve para isso, para apoiar os alunos com necessidades educativas a atingir um satisfatório grau de autonomia pessoal nas diversas áreas da vida. Essa aprendizagem deve estar organizada num Currículo Específico Individual onde estão contempladas áreas específicas de aprendizagem como a Português Funcional, a Matemática Funcional, o Desporto Adaptado, as Actividades da Vida Diária, entre outras.

No nosso agrupamento, três alunos com este tipo de currículo diferenciado usufruem da área curricular de Autonomia Pessoal. Esta área contempla duas vertentes: as Actividades da Vida Diária e os Trabalhos Manuais. Na área dos Trabalhos Manuais estes alunos são expostos a uma série de técnicas muito simples e, com apoio muito individualizado, procuram concretizar trabalhos de carácter mais prático. Nestas aulas o tempo corre de outra maneira, é mais pausado. Quem acaba primeiro ajuda o outro. Nada fica mal feito porque não há modelos perfeitos a seguir. Não interessa o grau de concretização, mas sim o grau de participação. E no fim somos todos artistas e cumprimos sempre os objectivos. Estas actividades são realizadas em colaboração com os alunos da Unidade de Apoio a Alunos com Multideficiência, três tardes por semana. Todos são convidados a vir trabalhar connosco.

Unidade de Apoio a Alunos com Multideficiência

Teresa Miguel

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