terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Diário Comenius (dia 1 e 2) - “We Will Survive!”







Domingo, 13 e Segunda-feira 14 de Fevereiro

Placar informativo da estação perfeitamente legível e compreensível nessa língua adorável que é o húngaro
Este pequeno artigo pretende ilustrar a arte de sobrevivência de um grupo de portugueses perante situações inesperadas em território estrangeiro.
Situação 1. Os portugueses passeiam descontraidamente à noite nas avenidas de Budapeste. Fingem que não está frio e tentam enganar-se uns aos outros dizendo que não está mau, que podiam ser bem pior. Ninguém quer ser o primeiro a admitir, que se calhar até está um bocadinho de frio.
Situação 2. Os portugueses admiram a beleza de alguns edifícios de Budapeste. A dada altura, alguém dá por isso, que estando nós a fazer o caminho de regresso ao hotel, devíamos reconhecer os prédios. Mas não, continuam a aparecer coisas novas umas atrás das outras. Ocorre a alguém que se calhar enganámo-nos no caminho e estamos a andar em sentido contrário. Tentamos falar com dois autóctones que falam connosco em húngaro com a maior das naturalidades. Apontam para aqui e para ali, de um modo que nos parece sem qualquer nexo. Desconfiados como sempre, os portugueses chegam à conclusão que a rapaziada está mas é a gozar connosco. Passamos ao plano B. Voltar para trás e tentar recuperar o sentido de orientação. Ao fim de alguns minutos voltamos ao caminho certo. Estamos safos.
.Pequeno-almoço na estação internacional de Keleti
Situação 3. Os portugueses têm que sair do hotel antes das seis da manhã. O simpático rapaz da recepção do hotel diz-nos com ar pesaroso que o pequeno-almoço é servido a partir das sete. Mas, nós queremos comer! Passo seguinte, convencer o rapaz que quatro da madrugada, é uma boa hora para ele preparar umas sandes para nós, metê-las dentro de uns saquinhos com uns pacotes de sumo e oferecer-nos. Ele replica dizendo que se calhar não vai ter tempo para fazer isso, depende do serviço que tiver (qual serviço? A fazer o turno da noite!). Pensamos que se ele largar a televisão que passa um jogo de hóquei em gelo entre duas equipas húngaras que só ele conhece, tem mais que tempo para fazer o pequeno-almoço para nós. A coisa resulta bem e às seis da manhã estamos sentados na estação a tomar o nosso pequeno-almoço. O único ponto negativo da refeição a registar prende-se apenas com o facto de a Margarida não gostar de salame. Em virtude disto, o professor de História é obrigado a comer uma sandes com quatro camadas de salame.
Situação 4. São inúmeras as situações em que as pessoas falam connosco em húngaro ou eslovaco com a convicção que percebemos tudinho. Claro que percebemos. Sorrimos sempre e acenamos às vezes. E tudo corre bem.

1 comentário:

EUDORA disse...

É muito bom saber novas dos nossos amigos que estão "na terra longe!!!"